Capítulo trezentos e noventa e dois.

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Second season:three hundred and ninety-two
Você é um filha da puta
{Tacoma, Washington}
<Narrador on>

Já fazia semanas desde que Lara havia sido jogada naquele galpão escuro e úmido. A luz do sol parecia um luxo distante, e o frio que subia do chão de cimento queimado entrava em seus ossos como lâminas afiadas. Ela havia perdido a noção de tempo. A única indicação do passar dos dias eram as visitas esporádicas de seus carcereiros e o som de seus passos ecoando no corredor antes de abrirem a porta.

Alimentavam-na apenas com pão seco e água, o suficiente para mantê-la viva, mas fraca. Tão fraca que, às vezes, até respirar parecia um esforço descomunal. Lara sentia seu corpo definhar, mas o que mais a torturava era sua mente. A cada minuto ali dentro, sua sanidade parecia escorrer pelas paredes manchadas de mofo.

Deitada no chão frio, ela encarava o teto, enquanto as algemas em seus pulsos castigavam sua pele com marcas vermelhas e profundas. O metal apertado ardia, mas ela já estava entorpecida pela dor constante. As lágrimas deslizavam silenciosas pelo seu rosto, como uma confissão de derrota que ela odiava admitir.

Quando o barulho da porta enferrujada se abriu novamente, Lara secou as lágrimas rapidamente, tentando recuperar algum resquício de dignidade.

— Ruiva, estava chorando? — perguntou Benjamin, um dos homens designados para vigiá-la. Sua voz carregava uma mistura de indiferença e um resquício de simpatia.

— E aí, amigo? O que temos pra hoje? — retrucou ela com um sarcasmo abafado, sua voz rouca pela sede. Benjamin hesitou antes de responder.

— Água. E… bom, nada que você vá gostar. — Ele abriu a garrafa e entregou para ela. Lara bebeu com pressa, quase engasgando, como se aquele simples gesto lhe devolvesse a vida.

Mas algo estava diferente naquele dia. O silêncio no galpão parecia mais denso, carregado.

— Por que está tão quieto lá fora? — Lara perguntou, franzindo o cenho.

— Os outros estão vindo — respondeu Benjamin, com uma ponta de resignação.

Antes que Lara pudesse processar, a porta foi aberta com força, batendo contra a parede. Alejandro entrou, acompanhado de três homens. O ar parecia mais pesado, e Lara sentiu uma onda de ansiedade percorrer seu corpo.

— Ariel, como você está? — perguntou Alejandro, com o tom desdenhoso que a fazia estremecer. Enquanto ele falava Benjamin soltou suas algemas fazendo ela gemer baixo de dor.

— Melhor do que você merece que eu esteja — respondeu ela, sua voz carregada de sarcasmo, embora fraca.

Alejandro sorriu, um sorriso frio e maldoso.

— Hoje trouxe algo especial para você. — Ele tirou um pequeno saquinho de pó branco do bolso, balançando-o diante dela como se fosse um troféu.

Lara congelou ao ver aquilo. Ela odiava drogas. Sempre odiou. O cheiro, a ideia, tudo a fazia lembrar da sujeira do mundo que ela lutava para combater.

— Meu plano é simples, Ariel. Tornar você dependente disso. Assim, cada vez que precisar, você vai lembrar de mim. Vai implorar por mais. E quando estiver completamente destruída, talvez eu permita que você morra. — Ele jogou o saquinho na direção dela, como se fosse lixo.

— Você é um filha da puta. — Lara cuspiu as palavras, mas sua voz traiu o medo que sentia.

— É o que vamos descobrir. — Alejandro riu e encarou a Lara esperando e entregou cartão.

Por alguns instantes, Lara apenas encarou o pó no chão. Seu coração batia acelerado, sua mente lutava contra a ideia. Eu não vou fazer isso.

Mas ela sabia que precisava sair dali. E rápido. Sua fraqueza era evidente; ela não conseguiria fugir no estado em que estava. Talvez isso me dê forças... só por um momento.

— Você consegue — sussurrou para si mesma, tentando ignorar o tremor em suas mãos enquanto preparava a droga com o cartão fazendo a carreira.

Quando finalmente aspirou o pó, foi como se um raio atravessasse seu corpo. A fraqueza desapareceu instantaneamente, substituída por uma energia selvagem. Seu coração parecia querer explodir. Lara se levantou de forma brusca, seu corpo tremendo com a adrenalina e a euforia. Ao fundo ela ouviu a risada dos homens e em seguida viu de relance eles indo embora. Como se ela fosse apenas um show à ser assistido.

Benjamin a observava com um olhar pesado, misturando pena e preocupação.

— Não olhe pra mim assim, Ben — disse ela, sem encará-lo.

Com a cabeça girando e o nariz ardendo, Lara deu o primeiro passo em direção à porta. E, sem pensar duas vezes, desferiu um soco no rosto de Benjamin, pegando as chaves de seu carro e do galpão. Ele não resistiu. Na verdade, parecia ter deixado isso acontecer. E antes de sair com muita dificuldade para enfiar a chave na fechadura, Lara olhou pra trás, e viu Benjamin olhando sem se mexer. Ele estava deixando.

Lara saiu tropeçando pelo galpão, mas algo em seu peito dizia que agora era o momento. Era sua única chance.

— Você consegue, Cooper. Você precisa conseguir.

Ela entrou no carro de Benjamin, suas mãos ainda tremendo enquanto ligava a ignição. O mundo ao redor parecia mais brilhante, mais rápido, mais agressivo. Limpando o sangue que escorria de seu nariz, ela pisou fundo no acelerador.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora