Capítulo duzentos e noventa e três.

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Second season:two hundred and ninety-three
Não foi sincero! ★
{Tacoma, Washington}
<Bárbara Sevilla Narrando>

Eu e o Victor estávamos finalizando os arquivos do Caso 39. O tédio me consumia, então peguei o celular para ver uma mensagem. Victor me lançou um olhar de puro desdém.

— Sevilla, você devia estar focada no caso. — Ele disparou, a voz carregada de impaciência. Ele estava puxando briga?

— Eu só olhei a mensagem, Jones. — Revirei os olhos, largando o celular na mesa com mais força do que deveria.

— Tá, mas se você continuar distraída, a gente nunca vai terminar isso até o final do dia. — O tom dele endureceu ainda mais.

— Se você é devagar, a culpa não é minha. — Retruquei, puxando os arquivos de volta.

— Eu? Devagar? — Ele riu, mas não havia humor. — Se não finalizarmos isso a tempo, quem vai levar esporro sou eu, queridinha do chefe.

— Queridinha? Eu trabalho igual você, alecrim dourado. — Resmunguei, irritada.

— Trabalha como? Flertando com o nosso chefe temporário?

A provocação dele fez meu sangue ferver. Cruzei os braços, me contendo para não iniciar uma discussão maior. Mas foi em vão.

— Ah, e agora eu que sou a ciumenta? O que você tem a ver com isso, hein? Cuida da sua própria vida, Jones. A gente trabalha igual!

— Ah, claro, a parte prática é você surtando de raiva toda vez que algo sai do controle, né? — Ele debochou, maldoso. Mesmo que não parecesse aquilo me irritou.

A raiva explodiu dentro de mim. Bati as mãos na mesa com força, o som ecoando pela sala. Fechei os olhos, tentando me acalmar, mas não consegui segurar.

— E sua parte teórica? Se escondendo atrás de uma tela, como sempre, né, Victor?! — Respondi com veneno na voz.

— Eu participei da prática, Sevilla! Ou já esqueceu quem te defendeu dos tiros no galpão?

— Se for pra jogar na minha cara depois, nem precisava ter ajudado. Eu nunca te pedi porra nenhuma. Fez porque quis.

— Ah, então eu devia ter te deixado pra morrer?! — A voz dele subiu, o rosto ficando vermelho de irritação.

— Você adoraria, né?! — Respondi, amarga.

O silêncio caiu entre nós como uma parede de concreto. O ar no escritório ficou denso, sufocante. Esses últimos dias entre mim e Victor estavam piores do que em todos os três anos em que nos conhecemos. Ele suspirou, tentando quebrar o gelo, mas eu já estava irritada demais para ouvir.

— Desculpa... por ter falado das suas crises. Eu não queria dizer aquilo. — A voz dele saiu baixa, quase genuína.

Eu ri, seca, sem humor algum.

— Não precisa ser hipócrita, Victor. Adorou jogar na minha cara que eu sou uma surtada incontrolável que não quer ninguém por perto.

— Babi... — Ele tentou, mas eu o interrompi, já sem paciência.

— Você não sabe nada sobre mim. Então não finge que entende como é lidar com essa merda toda. — Minha voz tremia, mas não de fraqueza, de frustração.

O som de uma notificação interrompeu a tensão, o celular vibrando na mesa. Eu peguei o aparelho para responder a mensagem, ignorando Victor. Ele revirou os olhos, irritado.

— Já terminou? Porque eu posso esperar... — O sarcasmo na voz dele era como uma faca afiada.

— Qual é a sua, hein? Quer me atingir só pra depois vir com essas desculpas baratas e continuar me provocando? O que você realmente quer, Victor? — Encarei ele, a raiva misturada com cansaço.

— Eu não me interesso por nada vindo de você. — A grosseria escorregou facilmente dos lábios dele.

— Ah, claro, por isso parece tão interessado em se intrometer na minha vida. — Cruzei os braços, desafiadora.

Ele me olhou com raiva, a voz aumentando um tom.

— Não foi sincero! — Ele se aproximou, com os olhos queimando. — Eu realmente não te entendo, Bárbara.

— Não tenta entender, eu sou uma bagunça. — Murmurei, voltando minha atenção aos arquivos, tentando encerrar a discussão.

— Eu não tento mais. — A frieza na voz dele era palpável.

— Na verdade, nunca tentou. — Rebati de imediato, sem nem pensar.

Ele soltou um suspiro pesado, cheio de mágoa.

— Eu tentei, tentei muito.

— Só pra se sentir bem consigo mesmo. — Joguei de volta, sentindo cada palavra ferver em meus lábios.

Houve uma pausa longa, e então ele murmurou quase como se estivesse falando para si mesmo.

— Você não faz ideia do que eu senti por você.

Aquela frase me atingiu como um soco. Fiquei paralisada, sem saber o que responder.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora