Podia entender porque o pai amava aquele lugar.
A vista era impecável naquela varanda branca com chão de mármore. Ele se encostou na grade branca de gesso e observou o vale colorido e verde. Um belo rio cortava o centro, brilhando em direção ao alvorecer.
Lucien não tinha dormido nada naquela noite, não sendo muito difícil considerando todas as merdas.
Vaughan estava ao seu lado, silencioso. Suas sombras repudiavam a luz, escondendo atrás dele enquanto o macho inspirava profundamente o ar fresco da manhã. Ele era uma bela contradição de palidez e escuridão com o dourado matutino.
A raposa deu uma longa suspirada, os dedos tamborilando na base do muro.
— O que está incomodando você? — Indagou Vaughan, sem olhar para ele.
— Nada.
— Você está tenso como a corda de um arco, porra — observou, rispidamente.
Lucien riu.
— E você é sutil como um aríete batendo em uma muralha — comparou, virando o corpo de lado para encara-lo de frente.
De perfil, a curva de sua mandíbula era ainda mais sensual. Foi impossível não pensar naquele dia em Velaris. Desde então, os dois não tinha feito nada, ou conversado sobre.
— Ainda estou... — o encantador de sombras limpou a garganta —, aprendendo a lidar com você.
— Sou tão problemático a ponto de você precisar lidar comigo?
— Não foi o que eu quis dizer — ele se corrigiu. — Você sempre tira palavras da minha boca, Lucien.
Vaughan pareceu chateado, mas ainda não olhava para ele. Parecia estar fascinado com a vista. Ou evitando seu olhar. Votava na segunda opção.
Ele bufou. Precisava aprender a ser menos teimoso.
— Estou tenso — admitiu. — Vim conversar com mamãe e ainda não tive a coragem. O que isso diz sobre mim? — As palavras saíram como uma maldição.
O encantador ficou em silêncio.
— Que é difícil para você — falou.
Lucien recostou o lado do quadril no muro branco. Vinhas subiam nos suportes.
— Eu saí completamente destemido de Velaris, iria... — sentia-se um idiota por isso, por ter hesitado todas as vezes que punha os olhos na mãe. — Conversar com os dois.
Vaughan se virou para ele, apenas o rosto. Suas mãos se apoiaram na contenção. Sem nenhuma cicatriz.
— Acha que eles vão ficar juntos? — perguntou, de repente.
— Não sei. Mas Helion reivindicou minha mãe, seja o que isso signifique.
— Ele é seu pai, o que faz de você...
— Um herdeiro — ele apertou a grade. Teria de conversar sobre isso com Helion.
Aceitar que ele era seu pai, que era um herdeiro, isso ele poderia fazer. Mas, se tornar um, de fato, era muito mais complexo do que isso.
— E vai o deixar te reivindicar também? — continuou Vaughan. — Como ele fez com Neroda.
Reivindicar. Como seu filho.
Eles tiveram um bom momento antes de voltar para a Corte Diurna, só que Helion não era um macho que ficaria rondando atrás da necessidade de conversar e resolver os problemas.
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Corte de Fogo e Gelo
FanfictionE se Aelin Galathynius e cia visitassem a Corte Noturna? E se, após longos anos de desconhecimento e guerra em seus mundos, ambos descobrissem que habitam continentes no mesmo oceano? E se, em um belo dia, o tão aguardado encontro entre o mundo de T...
