Era uma descida inclinada e replete de estalactites. Houve momentos em que Aelin e Manon tiveram praticamente de andar curvadas. A única luz era da pequena chama que se dispunha na palma da mão da rainha de Terrasen, que arfava cada vez mais, à medida que seguiam em direção a o que quer que fosse aquele lugar. Apressadas, as rainhas tentaram ser o mais silenciosas possíveis.
Pisar em ovos, era a definição perfeita do que faziam conforme a caverna voltava a se alongar. Havia um cheiro de carne podre, misturado ao úmido da caverna e as gotas pingando pelas paredes e ecoando naquela escuridão.
Aelin conseguiu ficar ereta quando chegaram a uma antecâmara. Ela era oval e não havia nada além das duas. O cheiro, entretanto, ficava ainda mais insuportável.
— Deve haver uma latrina por aqui — sugeriu Manon.
— Uma latrina dentro de uma montanha inacessível se não durante um raro eclipse? Eu duvido muito.
Manon deu de ombros. Ela segurava o cabo de Ceifadora do Vento com firmeza quando o ar da antecâmara se tornou mais denso, quente. Na parede oposta, havia uma porta, que não estava ali quando entraram no espaço.
Aelin deu um passo a frente. O chão escuro e seco de terra parecia oscilar diante do calor que vinha da porta que encaram.
— Devemos ir ou voltar. Decida agora — disparou Manon, firme, os olhos eram como de um felino a espreita de sua presa. — Estamos aqui há dez minutos já.
O lembrete de Manon era válido. Tinham pouco tempo.
— Seguimos — decidiu Aelin, engolindo a onda gélida que se instalava no estômago.
Explorar aquela caverna a lembrou de mais de um evento ao longo de sua vida. Não tinha memórias boas delas.
Atravessaram a antecâmara e seguiram o corredor rochoso.
Era impressionante como o calor daquele lugar fazia as duas começarem a jorrar suor pegajoso, descendo por pelas têmporas, costas e axilas.
As paredes nem eram mais úmidas e sim, pareciam soltar o mormaço quente que empesteava todo o ambiente. Caminharam rapidamente por aquele corredor, que não possuía nenhuma reentrância ou curva. Ao menos ali, não tinham que andar curvadas, pois o teto era alto o bastante.
Há poucos metros, Aelin viu um final no túnel. Sabiamente, puxou suas chamas para dentro novamente. Não seria nada divertido chamar até com luz agora. Um breu cobriu as duas e Manon esbarrou o ombro bruscamente contra o dela.
— Ai! — exclamou, baixinho.
— Você pisou no meu pé — respondeu Manon, irritada.
— Achei que fosse uma pedra — respondeu.
— Pisa em muitas pedras moles, Aelin?
Aelin revirou os olhos.
— Desculpe, foi sem querer — disse. Não seria bom discutirem lá dentro, apesar da diversão que seria tirar Manon do sério.
Ela levou a mão ao ombro dolorido. Manon não brincava em serviço mesmo.
No fim do túnel, havia uma porta semicircular, cavada na própria rocha. A luz que saía de lá podia muito bem ser de um vulcão, a julgar pelo tom alaranjado.
Elas correram silenciosamente até lá, apenas para que os olhos de Aelin não acreditassem no que visse.
Estavam na frente de uma pequena varanda improvisada, cuja contenção era de rocha. Daquele ponto no alto, viram o enorme salão cavernoso, era oval e trabalhado com entalhes dourados sobre a rocha polida. Bem no centro batido de terra, viram o que causava a luz e o calor. E, também, o que causava o cheiro pútrido.
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Corte de Fogo e Gelo
FanficE se Aelin Galathynius e cia visitassem a Corte Noturna? E se, após longos anos de desconhecimento e guerra em seus mundos, ambos descobrissem que habitam continentes no mesmo oceano? E se, em um belo dia, o tão aguardado encontro entre o mundo de T...
