Capítulo 57- Rua das lamentações

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Az passou a noite em claro. Depois, uma manhã fria na Corte Invernal. E então, a tarde veio. A hora de ir embora. Seria uma benção se tudo aquilo não passasse de uma ilusão e que quando voltassem a Corte Noturna, seu parceiro estaria bem. Mas não foi o que aconteceu, pois se tratava da vida real.

Era angustiante senti-lo e não poder chegar até ele.

As palavras de Aengus ainda reviraram seu estômago de ódio: Se eu não posso tê-lo. Ele também não terá.

Certamente não o matou pois sabia que não seria o suficiente. Sabia que a tortura seria pior se Az visse o parceiro, sentisse seu calor, mas jamais conseguisse viver com ele.

A tristeza comprimiu seu peito e ele pegou a mão de Fenrys, cobrindo-a com as suas. Ele beijou o dorso da mão do parceiro. Fazia apenas algumas horas que tinham chegado a Corte Noturna e mais uma noite estava na metade. A luz da lua entrava pela janela, cobrindo seu lindo macho dourado em prata.

Estavam no quarto de Fenrys na Casa do Vento, onde momentos decisivos para os dois aconteceram. Como foi o caso da primeira noite em que o viu e o quanto não conseguiu se segurar em ir até ele, ficar perto. Até que Fenrys sentiu sua presença e apareceu pela janela, seminu e completamente bêbado. Az riu se lembrando daquele encontro, uma nostalgia dolorosa lhe dilacerando o peito. Lembrou-se do quanto perdeu o controle facilmente e entrou no quarto de Fenrys, chamando-o de deus bêbado. Parecia ter sido em outra vida, mas fazia pouco mais de um mês. O mês mais intenso de toda a vida dele.

Ele estava sentado na beira da cama, deixando sua asa esquerda cobrir o parceiro.

Volte para mim, ele ordenou, dando um puxão no laço. Pressionando o dorso bronzeado da mão de Fenrys contra os lábios — cujo cheiro era casa — e continuou: Volte para mim, meu amor. Eu não...posso viver sem você. Por favor, volte.

Nada.

Nenhuma resposta.

Nem mesmo um tremeluzir naquele laço indestrutível e firme entre os dois.

Helion voltara para a Corte Diurna, com a finalidade de pesquisar mais sobre o que poderia ter adormecido Fenrys assim. Amren fazia o mesmo e nada animadoramente, dava a mesma resposta, sempre que Az perguntava: Jamais vi encantamento parecido.

Mas Fenrys estava ali, tinha de estar. Tinha de acordar. Az não sabe o que faria se ele não acordasse.

Estar sem Fenrys de novo era como estar submerso, querer respirar, mas não conseguir. O relógio em cima da mesinha de cabeceira feita de carvalho marcava meia-noite. Az não sabia o que era dormir há pouco mais de vinte e quatro horas. Nem conseguiria, por medo de Fenrys acordar e ele não estar atento. Precisava vigiar, precisava estar ali, de olhos abertos...

O trinco da porta girou e alguém entrou.

O cheiro do general illyriano tomou o quarto e Az não olhou para ele ao dizer:

— Tudo na mesma, se é o que veio saber.

Cassian caminhou silenciosamente até ele. Assim, parou, pousando a mão no ombro de Az, que se obrigou a desviar o olhar do parceiro. Havia alguma coisa em Cassian, algo que fazia a luz de seus olhos anuviarem. Ele deu um sorriso fraco.

— Vim ver como você está, macho imbecil — retrucou o amigo, ele usava camiseta preta de treinamento, realçando os impecáveis músculos dos braços, calças largas escuras e botas surradas.

Az reparou nos ossos das mãos do amigo. Havia machucados como se ele tivesse socado uma parede repetidas vezes. Começava a se curar, mas definitivamente tinha acabado de acontecer. A reprovação deve ter ficado visível no semblante de Az pois o general disparou:

Corte de Fogo e GeloHistórias para pegar e não largar. Descubra agora