O que me devem

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Bride.

O nome ecoava em sua mente. Como era possível? Como Helion não tinha percebido que tinha algo errado com ela?

Estivera dentro de sua casa, enganando-o bem debaixo de seu nariz.

Pela primeira vez em muito tempo, sentiu que sua expressão se moldou com uma leve surpresa. Não se lembrava de uma ocasião em que deixara alguém ler em seu rosto o que realmente estava pensando.

Bride. Bride. Bride.

Rhys olhou a deusa, realmente não havia outra palavra para descrevê-la; depois, desviou para Helion, curioso e irado ao mesmo tempo.

— Você a conhece?! — indagou ele, em um tom frio.

Helion abriu os lábios para falar. Depois os fechou. Encontrava-se completamente hipnotizado. Como ela era bela e terrível. Esforçando-se monumentalmente, o Grão-Senhor assentiu.

— Bride era a nova empregada de minha casa...— foi só que saiu quando ele cerrou os olhos para ela. — Você é um demônio?

A fêmea gargalhou sensualmente. Um tipo de gargalhar que reverberou por seus ossos.

— Depende do ponto de vista — respondeu ela, entediada.

Uma fúria se acumulou no peito de Helion.

— Você entrou na minha casa, você estava sob minha proteção, e para quê? Me trair?

Bride inclinou a cabeça para o lado, balançando os quadris sutilmente ao andar, os pés descalços desviando dos corpos mortos da ponte. Ninguém se moveu. Ela parou a dois metros deles.

— Grão-Senhor da Corte Diurna — contemplou ela. — Eu não lhe devo nada. — Ela caminhou os olhos dourados devagar por cada uma das autoridades ali. Rhys, Feyre, Aelin, Dorian e Manon. — Vocês é que me devem tudo.

Rhys ergueu uma sobrancelha para ela, uma calma sombria o acompanhava. O tipo de semblante morto e ameaçador que não via nele desde Sob a Montanha.

— Muita pretensão sua vir até minha casa e dizer que lhe devemos alguma coisa, senhora.

Ela emitiu um ruído irritado.

— Vocês se acham muito coisa somente por serem imortais. Rhysand, o mais poderoso Grão-Senhor da história. Mas, veja que curioso...— seu tom era musical. A voz dela parecia uma droga que lentamente os envenenava. —...não são nada perto de mim. Venho pelo que me devem.

Um riso de escárnio cortou o ar. Todos desviaram para sua fonte. Aelin.

— Você adora se ouvir falar, não é mesmo? — provocou ela.

Por um instante, Helion pensou ter visto ódio brilhar nos olhos dourados de Bride, mas subitamente sumiu. A deusa desviou o olhar para Aelin, bem devagar, avaliando-a dos pés à cabeça.

— Então você é a Herdeira do Fogo. Você é Aelin do Fogo Selvagem — começou ela, com indiferença. A cabeça de Helion latejava. Bride, Bride, Bride. Lembre-se de onde ouviu esse nome. — Recorrerei aos antigos domínios de Erawan caso o que eu procure não esteja aqui, majestade.

Aelin rosnou para ela, antes de dar um sorriso preguiçoso.

— Nós o derrotamos quando ele ousou governar Erilea. Podemos fazer o mesmo com você — ameaçou a rainha.

Bride permaneceu impassível. Talvez até um pouco indiferente com a ameaça.

— Mala me disse que você era um pouco imprudente — cantarolou ela. A cor sumiu do rosto de Aelin e seu sorriso se fechou. — Mas não me disse que era tanto. Eu tomaria cuidado ao dirigir a palavra a mim, garota.

Corte de Fogo e GeloHistórias para pegar e não largar. Descubra agora