Capítulo 77- Lança da Vitória

2.6K 294 511
                                        

Eles lutaram contra a criatura.

Mesmo assim, ela fazia com que os dois machos mais poderosos da história parecessem filhotes inexperientes.

Nenhum de seus golpes a afetava, pelo contrário, fazia com que ela ficasse ainda mais nervosa.

Estivera muito preso no que acontecia para conseguir notar o restante. Para ver a luz do centro do salão descer em direção a parceira.

Para impedir quando a luz a engoliu, como se seu escudo sobre ela não fosse nada além de uma barreira de proteção qualquer.

Rhys sentiu o poder vindo dela, mas também sentiu a agonia que se seguiu. Mortal, irrevogável.

O macho desviou de um golpe quando a luz tomou todo o salão.

***

Quem está aí?, indagou a voz suave e sobrenatural.

Feyres estava dentro daquela bola de luz. Foi engolida por ela, ou se deixou engolir, não tinha muita certeza.

Ela não daria à voz o gosto de saber seu nome.

Quem é você?, retrucou a Grã-Senhora, sentindo o frio assustador e poderoso que a luz trazia.

Sou aquela que buscas, disse a voz, seus sussurros arrepiantes ecoando ao redor da fêmea que teve de lutar com a vontade de tocar o ventre, certificar-se de que seu filho estava bem.

Vai me levar com você?, perguntou a voz, quando Feyre não respondeu.

Merda, ela tinha que fazer alguma coisa.

Se eu disser que sim, vai me deixar ir?, ousou perguntar.

Um murmúrio ecoante fez Feyre entender que aquilo era o mais próximo de um sorriso para a coisa.

Apenas se me levar com você, meu igual, prometeu a voz, antiga e poderosa.

Mas o que é você?, Feyre olhou para luz que a circundava.  Não havia início, meio e fim. Somente luz. Não comentou o "meu igual", temia que não fosse sábio de sua parte.

A Mãe da Noite costumava me chamar de Lança da Vitória, respondeu a voz.

Puta merda, pensou Feyre. Ela nem mesmo conseguia falar com Rhys, apesar de sentir sua aflição pela conexão.

Você quer dizer Nuada?, perguntou Feyre.

Sim, a nossa Mãe da Noite, respondeu a Lança. Feyre odiava esses malditos objetos falantes. A mãe disse que você um dia viria me buscar.

Oh, oh. A Lança...seria possível que ela achasse que Feyre era Rhys? Provável, visto que ela era sua parceira.

Então você viria comigo?, continuou Feyre. Ela tinha o poder de Rhys, poderia lidar com isso, não é?

Eu iria, igual, respondeu a Lança.

Feyre tomou um longo fôlego. Sua vida estava resumida em conseguir sair daquela bola de luz com vida.

Por Rhen, por Rhys, por todos eles.

Estendendo a mão, miraculosamente firme, ela pediu: Vamos.

Seu tom nada parecia com uma ordem, mas era o mais próximo disso.

A luz diante de si tremeluziu e chacoalhou. Um poder tão antigo quanto a idade do mundo.

Vou a ti, igual, para que me guarde, murmurou a Lança. Um foco de luz se fez tão forte que a fêmea se viu obrigada a cobrir o rosto com a mão.

Corte de Fogo e GeloHistórias para pegar e não largar. Descubra agora