Capítulo 60- Próximo da volta

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Afundando-se em uma poltrona da sala de jogos, Fenrys se deixou mergulhar em frustração.

O dia já passava da metade quando ele e Az se sentaram, um diante do outro, observando as janelas que os avisavam que o sol estava alto e que logo começaria a descer. Tinha prometido que conseguiriam naquele dia. Tinham de conseguir.

Tudo que fizeram até aquele momento se provara inútil.

A cada minuto que se sentiam mais próximos de alguma coisa, sempre havia um empecilho chave: o Tempo.

Como vencer o Tempo? Se Bride fosse tão boazinha como eles acreditavam ali, por que a desgraçada não levava Fenrys de volta para os seus?

Se Az fora ao acampamento illyriano logo depois da reunião de Grão-Senhores e se fazia dois que Fenrys estava preso naquela realidade — isso considerando que o tempo estivesse passando igual nas linhas temporais — então Az já tinha mesmo deixado Aaron para trás. O Lobo não conseguia se livrar da sensação que Az hesitara por conta dele.

Precisavam correr. Precisavam...

Faltava pouco menos de dois meses antes de Bride reivindicar a Pedra. Isso também seria um problema.

Com os dedos nas têmporas, ele sopesou as possibilidades. Era um desastre. Tudo aquilo se tornaria em um desastre. Seu Az daquela realidade estava calado, os olhos perdidos, a não ser quando conversavam sobre as possibilidades de fazer Fenrys voltar para o presente.

Aaron não aparecera. Nem Christian.

Mas Az era um pai foda o suficiente para saber que seus filhos não queriam sua companhia naquele instante. Que precisavam de espaço, mesmo aquilo doesse nele, mesmo que o dilacerasse.

Az indagou se ele estava com fome. Fenrys, que estivera distraído o bastante, respondeu:

— Só se for de vinho.

Mas ele mal notou que o illyriano já segurava uma garrafa de vinho e duas taças equilibradas entre os dedos. A expressão dele, apesar de triste, mostrava bastante do que ele precisava: De Fenrys. 

O macho deu um longo suspiro, sem tirar os olhos dos de Az, que pareciam inflamados, e se levantou. A garrafa de vinho branco já aberta quando ele a virou e Fenrys pôde ver o que estava escrito no rótulo.

Era o mesmo vinho que ele pedira no primeiro encontro deles. O que Fenrys havia adorado. Ele era um pouco gaseificado e muito, muito gostoso. Tentou esconder a surpresa por aquele Az, após vinte anos, se lembrar disso, mas foi meio inútil, a julgar pelo sorriso torto que ele lançou a Fenrys.

Pegando uma taça, o Lobo inspirou. Ainda era difícil para ele ficar perto de Az e não pensar em como ele rugia na cama. Em seu pau firme como aço e fino como veludo. Nas habilidades peculiares que ele ainda descobria sobre o parceiro. Pelos deuses, Azriel o deixava louco. Engoliu em seco, ciente de que Az podia farejar o desejo emanando dele, conforme servia vinho em sua taça e depois, na própria.

Depositando a garrafa em uma mesinha de centro entre as poltronas, ele deu uma golada longa no vinho, as pupilas já tomando o lugar da íris que parecia assumir um tom âmbar ante a proximidade. Então ele não era o único. Sentiu-se menos culpado em desejar aquele Az ao saber que ele também o desejava na mesma proporção. Limpou a garganta, mas a voz saiu rouca ainda assim.

— Você lembra — referindo-se ao vinho.

As pupilas de Az se dilataram, e apesar de seu cheiro que indicar que queria voar em Fenrys e foder até o crepúsculo, ele permaneceu no mesmo lugar, como se os pés tivessem cravados. O lobo não ousou se mover também, pois não sabia o que faria se desse mais um passo.

Corte de Fogo e GeloHistórias para pegar e não largar. Descubra agora