Capítulo trezentos e cinquenta e cinco.

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Second season:three hundred and fifty-five
Se você quer descontar sua frustração, olha no espelho ★
{Washington D.C}
<Tainá Costa narrando>

Eu estava conferindo os detalhes do meu voo para Tacoma quando fui surpreendida: voo cancelado. Estranhei, achando que fosse um problema de conexão ou algo com a companhia aérea. Recarreguei a página várias vezes, mas nada mudava. Resolvi comprar outra passagem, mas aí veio a bomba:

— Cartão bloqueado? Só pode ser brincadeira.

Tentei novamente, em outro site, com outro cartão. Nada. A mesma mensagem persistia. O que estava acontecendo? Comecei a sentir a irritação subir, mas antes que pudesse tentar algo mais, meu celular vibrou com uma ligação.

— Alô?

— Senhorita Costa? Aqui é da equipe do desfile. Lamentamos muito pelo seu estado de saúde. Vamos enviar uma cesta de melhoras em breve!

Fiquei confusa.

— Doente? Que história é essa?

— Ah, sim. Foi enviado um comunicado oficial: você está indisposta e sua participação foi cancelada. — A voz da mulher soava despreocupada. — De qualquer forma, desejamos que você se recupere logo.

— Obrigada… eu acho?

Assim que a ligação terminou, meu sangue ferveu. Gustavo! Só podia ser ele.

Fui furiosa até o quarto dele. Gustavo estava jogado no sofá, tranquilamente assistindo um filme. Entrei sem bater e puxei o cabo da televisão da tomada, desligando tudo.

— Mas que porra, Tainá? — Ele largou o controle, claramente irritado.

— O que você tá fazendo? — explodi, cruzando os braços.

— Estava jogando, sua maluca! Agora, dá pra explicar o que tá acontecendo? — Ele se levantou, esbravejando.

— Você cancelou o meu voo, bloqueou meus cartões e ainda se intrometeu no meu trabalho!

— Do que você tá falando? — Ele arqueou as sobrancelhas, confuso, mas o tom desdenhoso me irritou ainda mais.

— Não se faça de idiota, Gustavo! Eu sei que você tá por trás disso. Não quer que eu vá pra Tacoma porque tá com medo de eu atrapalhar seus planos ridículos. — Comecei a andar pelo quarto para controlar minha raiva. — Acorda, você não tá em um filme de ação!

— Já disse que não fiz nada! Eu tô pouco me lixando se você vai pra festa, pro desfile ou pro inferno. — Ele gesticulou, visivelmente perdendo a paciência.

— Mentiroso! Você não suporta que eu faça algo que saia do seu controle!

— Quer saber? — Ele gritou, ficando de pé. — Se você quer dar uma de surtada, ótimo, mas eu não tenho nada a ver com seus problemas.

Eu peguei o controle do videogame dele e o joguei na parede com força, despedaçando-o. Gustavo me encarou com raiva, mas, dessa vez, ele não explodiu.

— Se você quer descontar sua frustração, olha no espelho. O problema da sua vida, Tainá, é você mesma.

As palavras dele me atingiram em cheio. Meu peito apertou, e meus olhos começaram a marejar, mas não queria mostrar fraqueza.

— Vá pro inferno! — retruquei, tentando manter a voz firme.

Quando me virei para sair do quarto, me deparei com meu pai, parado na porta, com aquela expressão fria e neutra que sempre me deixava desconfortável.

— Fui eu quem cancelou o voo e bloqueou seus cartões, Tainá. — A voz dele era dura. — Não quero que você vá para Tacoma.

A raiva retornou com força total. Eu sabia que meu pai gostava de mandar, de controlar todos à sua volta, mas isso tinha ido longe demais.

— Então vá pro inferno você também. — Passei por ele e saí sem olhar para trás.

No fundo, sabia que não podia lutar contra eles para sempre, mas também não podia continuar sendo sufocada. Se eles acham que podem me impedir, estão muito enganados. Tacoma me espera, com ou sem a aprovação deles.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora