Second season:three hundred and fifty-seven
★ Acho que fui egoísta e hipócrita demais ★
{Tacoma, Washington}
<Bianca Santiago narrando>
O peso da manhã ainda estava sobre meus ombros, mesmo já sendo quase fim de tarde. A casa estava silenciosa demais, e a solidão parecia ecoar em cada canto. Eu continuava no sofá, encolhida, de pijama, com o cabelo emaranhado e os olhos inchados de tanto chorar. Era um daqueles dias em que tudo parecia errado, e a vontade de fazer qualquer coisa era esmagada pelo desejo de apenas me esconder do mundo.
Suspirei, cansada da minha própria companhia, e decidi tentar melhorar o clima. Coloquei minha música favorita da Ariana Grande, Rain on Me, e deixei o som preencher o vazio ao meu redor.
Levantei-me lentamente, espreguiçando-me antes de pegar a escova de cabelo. Comecei a pentear os fios enquanto cantarolava, deixando a melodia me levar. Aos poucos, a tristeza deu espaço a um leve momento de distração. Fechei os olhos, fingindo que a escova era um microfone, e me imaginei no palco de um show lotado. Bailava pela sala, perdida em minha própria performance, até abrir os olhos e encontrar Victor encostado na porta, braços cruzados, me observando com um sorriso malicioso.
Desliguei a música imediatamente, meu rosto queimando de vergonha.
— Pode continuar. Eu estava adorando o show — ele ironizou, e minhas bochechas ficaram ainda mais vermelhas.
Joguei o cabelo para trás, tentando recuperar minha compostura.
— O que você tá fazendo aqui? — Cruzei os braços, tentando parecer neutra.
Ele ergueu o celular em resposta.
— Você me mandou mensagem, lembra?
Passei as mãos no rosto, me xingando mentalmente. Havia esquecido completamente.
— Então você é fã da Ariana Grande? A cantora que sumiu e nunca mais lançou música? — Ele provocou, o tom brincalhão carregado de sarcasmo.
— E você, fã de One Direction? Ou devo dizer banda morta? — Retruquei, e o sorriso dele sumiu.
— Touché. — Ele deu de ombros antes de mudar de assunto. — O que você queria quando me chamou?
Minha expressão desmoronou. Não tinha planejado falar sobre isso, mas agora que ele estava aqui, talvez fosse minha chance.
— Acordei... sei lá. Estou me sentindo péssima. Não consigo perdoar a Carol, e nem pedi desculpas de verdade ao Crusher. Acho que fui egoísta e hipócrita demais.
Victor se sentou ao meu lado, me observando com atenção.
— Então vai lá e pede desculpas.
— Assim? — Fiquei pensativa, me jogando no sofá. — Carol falou coisas sobre a minha família... ou melhor, sobre a falta dela. Voltar a falar com ela parece que estou validando o que ela disse. E ela nem pareceu hesitar em falar, nem precisou pensar no que falar.
— Bianca, você sabe que a Carol não quis dizer aquilo. Foi na hora da raiva. E, poxa, ela já foi atrás de você várias vezes pra se desculpar. Dá pra ver que ela se arrependeu.
Eu balancei a cabeça, contrariada. Era frustrante quando Victor estava certo.
— E sobre o Crusher? Eu realmente deveria pedir desculpas? Ele namora agora.
— Você deve ser sincera com ele e, mais importante, com você mesma. Isso vai tirar um peso do seu peito. Independentemente da resposta dele, você vai saber que fez a sua parte.
Ri de leve, mas havia um tom melancólico no som.
— Já pensou em seguir seus próprios conselhos? — Provoquei. Ele desviou o olhar, claramente incomodado.
— O que deu com a Babi? — Perguntei.
Ele suspirou, jogando a cabeça para trás antes de passar as mãos no rosto.
— Ela admitiu que é apaixonada por mim.
— Caramba! E você tá achando isso ruim? — Fiquei impressionada. Era raro a Bárbara se abrir desse jeito.
— Não é isso. Mesmo depois disso, parece que nada mudou. Continuamos brigando. E, bom, ficamos na festa.
— Por quê?
— Acho que ela tem medo de se entregar de verdade. E mesmo que eu quisesse seguir em frente, esquecer isso... não consigo. Parece que tudo me puxa de volta pra ela. Quando a gente se dá bem, esqueço de todas as brigas.
— Vocês são almas gêmeas.
— Isso é papo de filme ruim de romance, Bia. — Ele riu, mas parecia pensativo.
— É sério, Victor. — Olhei para ele, que finalmente se calou, perdido em seus próprios pensamentos.
O silêncio se instalou, mas ele logo me encarou, preocupado.
— O que foi? Você ainda parece distante.
— Nada. Não aconteceu nada. Esse é o problema. — Suspirei, derrotada. — Acordei me sentindo a pior pessoa do mundo.
— Para com isso. Você não é nem de longe a pior pessoa que eu conheço. — Ele disse, com uma firmeza gentil que me pegou de surpresa. — Você é uma das melhores pessoas que eu já conheci. Não é à toa que você é minha melhor amiga.
Victor me puxou para um abraço apertado, beijando o topo da minha cabeça.
— Eu te amo, Bia.
— Eu também te amo. — Respondi, sentindo um nó se desfazer no peito.
Por mais teimoso e irritante que Victor pudesse ser, ele era minha âncora. Uma parte da minha família.
E ele tinha razão. Não preciso estar feliz o tempo todo. E pedir desculpas para a Carol e o Arthur não era um peso. Era um passo. Decidi que faria isso ainda hoje.
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case thirty nine:season two
FanficApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
