Capítulo trezentos e sessenta e um.

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Second season:three hundred and sixty-one
Você devia ir naquele desfile ★
{Washington D.C}
<Tainá Costa narrando>

Eu estava no meu quarto, encolhida e coberta de lágrimas. Sentia-me um turbilhão de emoções: infeliz, burra, arrogante, egoísta... Quem diria que era possível sentir tudo isso ao mesmo tempo?

Alguém bateu na porta, mas eu apenas funguei e gritei com a voz embargada:

— Vai embora, eu não quero ver ninguém!

A pessoa ignorou o meu pedido. Maeve entrou sem cerimônia, fechando a porta atrás de si. Seus olhos logo percorreram meu estado deplorável.

— Nossa, amiga, você tá péssima. — Ela disse, o cenho franzido.

Sem responder, escondi o rosto no travesseiro e deixei o choro sair ainda mais forte.

— Calma aí, drama queen. — Ela falou, com o tom mais suave do que eu esperava. Sentou-se na beirada da cama e suspirou. — Tá, o que tá acontecendo?

— Eu... o Gu... — tentei falar, mas os soluços não me deixaram terminar. A cada tentativa frustrada, a vontade de chorar só aumentava.

Maeve revirou os olhos, mas manteve o tom divertido que sempre usava para me tirar do buraco.

— Entendi... Melhor não falar nada por enquanto. Não quero que você tenha um aneurisma de tanto tentar. — Ela apertou de leve meus ombros, e eu soltei uma risada abafada. Seu sorriso foi gentil, sincero.

Sem pressa, ela pegou uma garrafa de água na minha escrivaninha e me entregou. Bebi quase metade e comecei a me acalmar aos poucos.

— Pronto. Respira fundo agora. Relaxa e tenta contar o que aconteceu, sem crise, tá?

— Não foi nada... — murmurei, virando para o lado e abraçando o travesseiro. Maeve bufou, irritada, e puxou meu braço.

— Tainá, por favor. Se fosse "nada", você não estaria chorando feito uma puta sem cliente.

Soltei uma risadinha irônica, mas continuei teimosa. Ela cruzou os braços, séria.

— Se você não vai falar, eu vou embora e você vai ficar aí, chorando no escuro. — Sua ameaça era vazia, mas me fez ceder. Segurei seu braço antes que ela pudesse sair.

— Tá bom! Eu fui tirar satisfação sobre o voo pro estado de Washington que foi cancelado e os cartões bloqueados... Aí ele ficou bravo porque eu xinguei ele e desliguei o jogo dele. — Fiz uma pausa, sentindo o gosto amargo das palavras que vinham a seguir. — E ele disse que eu não precisava fazer show pra chamar a atenção dos nossos pais, que nunca ligaram, e que eu devia parar de culpar os outros pelos meus problemas... Disse que eu sou a única responsável por estragar minha própria vida.

Maeve ficou em silêncio por um momento, e então soltou um xingamento baixo, mas seu tom era estranho, quase enigmático.

— Foi seu pai, né? Que cancelou tudo?

Eu arregalei os olhos.

— Como você sabe?

— Sei lá, palpite. — Ela deu de ombros, ignorando a pergunta. — Mas sabe o que acho? Você devia ir naquele desfile.

— O quê? Maeve, eles cancelaram minha participação no desfile e na festa. Disseram que eu estava doente.

— Então diz que melhorou. Simples assim.

— E a mídia? — resmunguei, cruzando os braços. — Meu pai vai saber na hora.

Maeve soltou uma risada curta e debochada.

— Jura que você acha que seu pai fica de olho em tudo que sai na internet? Ele nem tem tempo pra isso. Quando ele perceber, você já vai estar de volta.

— E os cartões bloqueados? — retruquei, sarcástica.

— Tainá, você tem 24 anos. Não precisa mais ficar dependendo do seu pai só porque ele é o...

O celular dela tocou, interrompendo a frase. Maeve olhou a tela e suspirou.

— Preciso atender, mas pensa no que eu disse. Vai na festa. Mostra que ninguém pode te controlar assim.

Ela saiu do quarto, deixando o som dos meus pensamentos ainda mais alto.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora