Second season:three hundred and sixty
★ Eu acho bom você resolver a sua vida logo, viu, Bárbara ★
{Tacoma, Washington}
<Bárbara Sevilla narrando>
A neve tinha começado a cair suavemente, cobrindo o jardim com uma camada fina e brilhante. Gaby e eu fomos lá fora, e por um momento me deixei levar pela brincadeira, fazendo guerra de bolas de neve e tentando fazer anjos de neve como se fôssemos crianças. Mas logo o frio cortante me fez desistir, e voltei para dentro da casa, enquanto ela parecia que havia acabado de ganhar na loteria.
Cerca de meia hora depois, Gaby entrou pela porta com um sorriso de orelha a orelha, pulando como se não houvesse amanhã.
— E aí, está feliz agora? — Perguntei, com um toque de ironia, enquanto tomava meu milk-shake, tentando esconder a frustração que ainda se arrastava comigo.
— Eu me sinto viva! — Ela respondeu, girando no meio da sala como se estivesse celebrando uma grande vitória. Eu ri involuntariamente, achando graça. — Eu realizei um dos meus maiores sonhos!
— Ah, que bom. Agora a gente pode voltar pra Miami? — Brinquei, esperando que a piada aliviasse o clima, mas a expressão dela mudou na hora.
— Eu acho bom você resolver a sua vida logo, viu, Bárbara. — Ela disse, com um tom de autoridade que me fez levantar uma sobrancelha. Eu a encarei, desconfortável.
— Credo, parece meu pai falando... — Respondi, tentando minimizar, mas o comentário ficou no ar. — Além disso, minha vida já está resolvida.
— Ah é? — Gaby perguntou, com uma mistura de incredulidade e curiosidade. — Você falou com a sua família?
Eu balancei a cabeça negativamente, um peso no peito me impedindo de responder. Gaby não pareceu surpresa, mas ainda assim insistiu:
— Falou com seus amigos?
— Falei. Bem... a gente se falou no trabalho. — Encolhi os ombros, tentando fazer parecer mais simples do que realmente era. Gaby me olhou com desdém, como se eu estivesse tentando me enganar.
— Pediu desculpas? Ou pelo menos se explicou por ter sumido por um mês? — Ela perguntou, e a pressão no meu peito aumentou. Eu hesitei, sem saber o que responder.
— Bom, não exatamente... — Comecei a dizer, mas ela me interrompeu com um tom mais forte.
— Pois então! Como você espera que tudo fique bem se não tiver coragem de resolver? Reage, Bárbara! Vai resolver seus problemas, em vez de fugir deles! — Ela me sacudiu pelos ombros, e eu olhei para ela, um pouco assustada com a intensidade da reação.
— Você está bem? — Perguntei, baixando a guarda por um segundo.
— Tô. — Ela ajeitou os óculos no rosto com um ar de determinação. — E para você entender bem... — Ela fez uma pausa, me encarando de forma penetrante. Eu engoli em seco, absorvendo o impacto das palavras dela.
— Eu entendi, obrigada. — Falei, ajeitando minha roupa amassada, tentando disfarçar a tensão crescente. — Vou tentar. Repito: tentar... me resolver com eles.
— Já é alguma coisa. — Gaby disse, com um sorriso quase imperceptível, mas que ainda assim era sincero. Ela respirou fundo antes de mudar de assunto. — Ah, aproveitando que a gente está falando de coisas pra você resolver, mandou mensagem pro Victor?
Eu engoli em seco. O nome dele era como um eco dentro de mim. Eu sabia que não podia fugir dessa conversa, mas não estava pronta para enfrentá-la.
— Eu ia mandar o quê? "Obrigado pelo orgasmo, tenha um bom dia"? — Respondi, tentando usar o sarcasmo para proteger meu coração, fazendo aspas no ar, como se fosse algo trivial. Mas Gaby não parecia se divertir.
— Babi! — Gaby me repreendeu, incrédula, mas eu continuei.
— Mas é! — Insisti, me defendendo. Gaby levou a mão à testa, exasperada. — O que você quer que eu fale? Tudo sempre acaba em discussão. Sabe qual é o dia em que eu vou me resolver com o Victor? Quando a gente acabar tudo de vez e cada um seguir seu caminho. Eu já disse, nunca vamos dar certo.
Ela me olhou com um misto de compaixão e frustração, como se não soubesse mais o que fazer para me fazer ver o óbvio.
— Isso é o que você acha. — Ela disse, com calma, mas firme. — Por acaso alguma vez você já perguntou como ele se sente com tudo isso? Você diz que nunca vão dar certo porque nunca conversaram sobre o que sentem um pelo outro. E você tem medo de se entregar por causa do seu último relacionamento. Bárbara, escuta... você devia realmente falar com o Victor.
As palavras dela penetraram como uma flecha no meu peito. Eu sabia que estava evitando enfrentar meus próprios sentimentos, mas ouvir aquilo de Gaby me fez perceber o quanto eu estava fugindo.
— Mudando de assunto, o que você queria falar? — Gaby perguntou, tentando dar uma pausa, mas a pressão no meu peito não desapareceu.
Respirei fundo, decidida a ser direta.
— Eu vou ter que ficar fora por um tempo. — Fui objetiva, não querendo dar rodeios. Gaby abriu a boca, surpresa, e colocou as mãos no rosto.
— Relaxa, eu não vou sumir, eu prometo. — Falei, tentando acalmá-la.
— E pra onde você vai? Por quê? — Ela perguntou, a preocupação estampada no rosto.
— Imprevistos de trabalho. — Murmurei, levantando-me do sofá. Não queria mais falar sobre isso, não queria pensar no que estava prestes a fazer. — Eu vou pra Seattle, Gabrielly, relaxa. E só por umas duas semanas... eu espero. — Sussurrei a última parte, quase como uma promessa para mim mesma. Eu não ia suportar mais tempo naquele caso.
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case thirty nine:season two
FanfictionApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
