Capítulo trezentos e cinquenta e oito.

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Second season:three hundred and fifty-eigth
Desculpa ★
{Tacoma, Washington}
<Arthur Miller narrando>

Aquele era um fim de tarde comum até que o som da campainha interrompeu minha concentração. Levantei com calma, sem pressa, pensando que seria algum vizinho ou até mesmo o correio. No entanto, ao abrir a porta, fui surpreendido por uma visão inesperada.

Thaiga estava ali, parada, usando o vestido preto de algodão com mangas curtas. O mesmo que ela vestiu naquela noite em que saímos para olhar as estrelas. A lembrança trouxe uma onda de nostalgia que, por um momento, me fez esquecer qualquer outra coisa. Mas o que realmente chamou minha atenção foi a expressão dela: algo entre timidez e determinação. Um lado dela que eu raramente via.

— Oi, Arthur. — A voz dela soou baixa, quase hesitante, enquanto um sorriso tímido se formava nos lábios.

— Oi. — Respondi, tentando manter o tom amigável, mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo.

Ela encolheu os ombros, desviando o olhar como se estivesse tentando reunir coragem para falar.

— Eu... estava passando aqui na frente e resolvi dar um oi.

Pensei na desculpa que ela usou, tão pouco convincente quanto adorável. Thaiga não era do tipo que aparecia sem motivo. Algo a trouxe aqui.

— Ah. Quer entrar? — Perguntei, abrindo espaço para ela passar.

Ela assentiu, entrando com passos leves, mas hesitantes. Caminhamos até a sala de estar, onde ela parou, entrelaçando os dedos nervosamente. Thaiga, sempre tão confiante e cheia de energia, parecia uma pessoa completamente diferente.

— Você quer alguma coisa? Água? Café? — Ofereci, tentando quebrar o gelo.

— Não, estou bem. Obrigada. — Ela balançou a cabeça, enquanto seus olhos vagavam pela sala. — Sua casa é bonita.

— Obrigado. — Respondi com um sorriso breve, sem saber muito bem como conduzir a conversa.

Houve um momento de silêncio, até que ela finalmente ergueu o olhar.

— Desculpa. — Disse de repente, de forma quase impulsiva, como se estivesse segurando aquilo por muito tempo.

Eu franzi o cenho, confuso, mas incentivei-a a continuar com um pequeno gesto de cabeça.

— Desculpa por ter dito aquilo depois do beijo. — Thaiga suspirou profundamente, os ombros pesados como se carregassem uma culpa antiga. — Eu sei que já pedi desculpas antes, mas sinto que não fui completamente sincera.

Suas palavras trouxeram de volta memórias daquele momento complicado entre nós. Eu assenti, indicando que estava ouvindo atentamente.

— Quando eu me desculpei e disse que tinha gostado de te beijar... — Ela hesitou, procurando as palavras certas. — Eu quis dizer que queria tentar de novo. Que queria ficar com você.

Meu coração deu um salto, mas me forcei a permanecer calmo enquanto ela continuava.

— Não me entenda mal. Eu sei que você está namorando agora, e jamais tentaria estragar isso. Eu só... precisava dizer a verdade. Não queria que você achasse que eu menti ou que nosso afastamento foi porque eu não me importo. Porque eu me importo, Arthur.

As palavras dela pairaram no ar, carregadas de uma sinceridade que me desarmou completamente. Eu não sabia o que dizer.

— Tudo bem, Thaiga. — Respondi, tentando soar tranquilizador. — Você só foi honesta.

Ela balançou a cabeça, ainda olhando para o chão.

— Eu ainda gosto de você, Arthur. — Sua voz era quase um sussurro, mas cada palavra parecia ecoar pela sala. — Eu sei que não deveria estar falando isso, mas... não consigo guardar mais.

Eu engoli em seco, sem saber como responder. A verdade era que aquelas palavras mexeram comigo, mais do que eu queria admitir. Mas agora, com Melina na minha vida, tudo parecia ainda mais confuso.

Thaiga percebeu meu silêncio e forçou um sorriso, claramente desconfortável com a situação.

— Acho que já falei demais. Eu preciso ir. — Ela se afastou, retomando a postura habitual.

— Thaiga, espera... — Tentei chamar, mas as palavras se perderam na garganta.

Ela me olhou por um breve instante, um olhar que parecia guardar tudo o que ela não podia dizer. Então, virou-se e caminhou até a porta.

— Foi bom falar com você.

Fiquei parado, vendo-a desaparecer pela porta da frente, levando consigo um pedaço de algo que eu não conseguia identificar. Algo que eu talvez quisesse de volta, mas não sabia como alcançar.

E ali, sozinho na sala, percebi o quanto eu era covarde. Porque a verdade era que, por mais que tentasse seguir em frente, uma parte de mim ainda queria ela. E mesmo assim, deixei Thaiga ir embora.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora