Espadas E Mãos

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A grande esfera prateada reinava soberana no céu. Sobre a terra, a escuridão, mas ela, era limitada pelas tochas de fogo penduradas nas paredes. Guardas nas torres, nos corredores, nos portões, não piscavam. No entanto, sons vinham do meio do pátio.

Bryan virou à direita e avistou um jovem com uma espada de treinamento batendo no inimigo de madeira no meio do pátio.

"Não consegue dormir? " – questionou Bryan da passarela superior para o menino.

O jovem assustou-se com a presença dele e parou imediatamente.

"Senhor" – falou o menino com as mãos para trás. "Me desculpe"

"Tudo bem" – disse Bryan descendo uma escada lateral. "Eu também não consegui dormir"

O menino continuou com o seu olhar respeitador e com as mãos para trás.

"Venha" – chamou. "Descanse um pouco" – sugeriu Bryan.

Ambos foram para uma área ali próxima, debaixo da passarela. Mesa de madeira, cadeiras, caixas com espadas, lanças penduradas, elmos sobre balcões...

"O olhar de Velfhus e a voz de Kassia, não deixa passar nada, né? " – sentou na cadeira e sugeriu a outra na sua frente para o jovem.

"Eles são bem exigentes" – respondeu com um sorriso e sentou-se.

"Sim, eles são. Mas não se preocupe" – comentou. "É só um treinamento. O mais importante está lá fora. Gaste toda sua força em batalha"

"Mas eu tenho que me esforçar" – argumentou.

"Eu entendo" – Bryan compreendia perfeitamente aquelas palavras e o sentimento envolvido dentro delas.

O silêncio pairou sobre eles, mas foi rapidamente rompido. O olhar do jovem não conseguia disfarçar a curiosidade.

"Dizem que você veio de fora e que não pega em espadas"

"Sim. Eu venho de fora" – falou. "E... verdade. Eu não pego em espadas"

"Por que? " – questionou o garoto.

"Eu e meu irmão brincávamos juntos quando éramos crianças. Mas o meu pai só tinha olhos para ele" – falou Bryan. "Quando passamos a treinar, só meu irmão ganhava elogios. As lutas que travávamos juntos, as vitórias que dividíamos... todos erguiam espadas para ele. Em nome dele. Eu não aceitava aquilo"

O menino prestava atenção em cada expressão do rosto e da voz de Bryan.

"Quando eu usava a espada...era como se meu irmão tivesse feito tudo; derrubado o inimigo e alcançado a vitória" – inclinou sobre a mesa. "Mas fui eu! Não o meu irmão. Eu! Então eu disse a mim mesmo: 'Não! Eu vou fazer isso com as minhas próprias mãos. Derrubar meus inimigos e ter a minha própria vitória' - fechou sua mão direita. "Por isso eu decidi nunca mais pegar numa espada"

"Eu entendo" – disse o garoto.

"Entende? " – indagou Bryan.

"Eu sei o que é ser deixado de lado. Quando a sua casa o rejeita" – disse o menino. "Quando sua mãe nem olha nos teus olhos e você nem sabe quem é seu pai. Porque o homem que mora na sua casa, vive com sua mãe, mas é estranho pra você. Agressivo com você" - olhou para a espada sobre a mesa. "Por isso eu saí de lá"

"Rejeitado" – disse Brayan com um sorriso, mesmo a conversa sendo pesada. Ainda assim, soava estranhamente engraçado. 

"Excluido" - o menino riu também.

"Bom, mas de qualquer maneira, já está tarde. Você tem que dormir. Tem treino pesado amanhã" – levantou-se.

"Verdade" – levantou-se com ele. "E... Bryan"

"Sim"

"Obrigado por terem me aceitado" – abraçou-o.

"Temos que ficar com aqueles que nos aceitam. Porque isso é família. "

"Então... vou nessa" – deixou a espada na caixa e virou seu corpo para o corredor ali ao lado.

"E não se atrase amanhã" – alertou.

"Deixa comigo, Força de Nidon" – bateu duas vezes em seu peito com a mão direita fechada e sorriu.

Bryan repetiu o mesmo movimento e sorriu também.

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