O Cavaleiro da Meia-noite

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Na pequena cidade de Marhal, no interior de Mar-verde, uma família vivia bem... tinha uma relação quase que perfeita. Mas isso era o que eles queriam passar. O casal que aos olhos de todos eram dois, na verdade, eles tinham mais um membro. Eles tinham um filho, Dean.

Dean era diferente das outras crianças. Ele era um menino muito especial. Ele não brincava lá fora. Seus pais o protegiam. O protegiam do mundo.

O sol para Dean não tinha definição, devido a minúscula abertura do seu capacete que seu pai o fizera para ele, que em hipótese alguma, ele deveria tirar. Seu mundo era escuro, e as vezes um pouco húmido. E seu amigo, seu melhor amigo, Mancha, era um potro, que o visitava e o escutava pela pequena janela toda suja, no porão.

Sua comida vinha por uma abertura sob a porta de madeira.

Quando os raios rasgavam o céu e os trovões abalavam a terra, Dean gritava de medo... outrora, esmurrava a porta por conta dos pesadelos que tinha. Mas somente Mancha, do lado de fora, suportava a chuva e os gritos para ficar com o amigo.

O tempo passou, e Dean não era mais uma criança, mas também não era um adulto. Ainda assim, o desejo de conhecer o mundo mantinha-se com ele... ver a verdadeira forma do sol, conhecer as cores, sentir os cheiros, do qual, só tinha ouvido falar.

Então, esse dia chegou.

Dean depois de muita dificuldade, conseguiu romper a janela aos fundos da casa. Levou rapidamente as mãos diante do capacete para proteger os olhos da forte luminosidade. Segundos depois, levantou suas pálpebras, e assim, conseguiu ver o mundo.

Viu o sol, as cores, sentiu as texturas, os perfumes... e claro, seu confidente... o Mancha. Nome este dado devido a sua imagem projetada atrás da pequena janela coberta de sujeira.

O cavalo abaixou e ele subiu. Caminharam pelos campos, pelas ruas de pedras entre as casas... tudo era belo... tudo era perfeito.

"Monstro! " – gritos. "Monstro! " – gritos ecoaram em sua direção assustando seu animal e o fazendo cair próximo à entrada da cidade.

Ele estava sem o capacete.

Tentou correr... mas como? Dean não tinha as pernas. Seu rosto não tinha definição.

"Monstro! " – gritaram mais uma vez.

Sua mãe, uma fabricante de tecidos, pegou-o no colo junto com o seu capacete e o levou para casa. Temendo ser levado para baixo da terra, mordeu os braços de sua mãe.

Ela gritou, fazendo-o cair.

"Não, mãe..." – pediu. "Não, mãe... por favor! " – foi arrastado.

"Você só tinha que obedecer! " – bradou ela.

"Por favor! Me desculpa... NÃO! NÃO! NÃO! "

Ela o empurrou e fechou a porta.

"MÃE! " – gritou Dean. Murros eclodiram na porta de madeira. "MÃE!" – as palavras mergulharam sob as lágrimas. "Por favor..."

"O mundo é cruel, meu filho. " – falou ela diante da porta. "A gente não quer que você se machuque"

Boatos de que o casal estava escondendo um monstro no porão da casa, circularam em Marhal. Temendo pelo pior, o casal decidiu fugir na calada da noite. Mas quando seus olhos foram para fora, tochas ardiam em volta da casa. E assim, uma a uma foram lançadas sobre ela, queimando-a por inteira.

~~

Cascos ligeiros cortaram para a direita, depois para a esquerda... Dean tinha conseguido fugir, mas sua alegria durou por poucos metros. Antes mesmo de chegar na ponte para sair da cidade, uma barreira de fogo impediu seu caminho.

"Monstro! " – e mais uma vez os gritos ecoaram sobre ele.

Dean virou-se sobre o seu cavalo, mas este, veio ao chão, depois de ser atingido por uma lança atirada furiosamente.

"Não! " – gritou o jovem. "Por favor, não! " – pediu sobre o seu cavalo.

Tarde demais...

Duas flechas foram fincadas em seu peito.

~~

A primavera estava indo embora, mas o jovem rapaz não queria perder esta oportunidade. Levou sua amada até a ponte onde as flores adornavam suas pedras. Pegou em sua mão e olhou em seus olhos sob a pequena chama fincada no pilar sobre eles... mas quando seus lábios foram se tocar, perceberam que não estavam sozinhos... tinha mais alguém com eles.

No meio da ponte, sob a prata da lua, uma fumaça... e do interior da fumaça saiu um cavalo. Cinzas... fuligem esfarelavam do seu corpo em cada passada que dava. Sobre ele, a fumaça era semelhante a um homem, e seu corpo parecia sair das costas do animal, como se fossem um só. Não tinha pernas. Uma lança totalmente negra, prendia-se em sua mão direita. E por fim, sua face não podia ser vista... um capacete de ferro cobria o seu rosto.

Badalar de sinos ecoaram no interior da cidade, depois que os ponteiros ficaram um sobre o outro.

A garota com medo, saiu correndo. Mas paredes de fogo emergiram do chão e cercaram a ponte, queimando o corpo da jovem.

"Ninguém sai" – falou o cavaleiro.

O rapaz não sabendo o que fazer, ajoelhou-se e implorou.

O cavaleiro aproximou-se dele e fincou a lança em seu peito.

"O mundo é cruel" – a voz saiu abafada atrás da ferragem. "Eu não quero que você se machuque" – tirou a lança.

O fogo da ponte sumiu, assim como o cavaleiro... que desapareceu.

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