A mão direita pegou o buquê de flores sobre a mesa. A porta abriu-se. A boca soltou o ar quente dos pulmões que rolou-se diante a face gelada. As margaridas e a espessa barba, sentiram a brisa fria de Sanin naquela manhã. O homem arrumou o gorro e levantou a gola do sobretudo negro.
A rua de pedra sentiu as botas caminharem sem pressa. Não havia expressão em seu rosto já desgastado pelo tempo. O senhor passou por algumas casas. Virou à direita, esquerda... depois a direita de novo. Pessoas abriam seus comércios, outras colocavam seus produtos em carrinhos, e outras arrumavam-se para encarar o mar. Virou para esquerda, depois para a direita... e depois a esquerda de novo. Mais alguns passos à frente e uma larga rua o recebeu. A rua levava para uma grande área central de Sanin. E assim ela fez. Por sobre essa rua de pedras, os olhos do homem não desviavam-se do objetivo que destacava-se logo a frente.
Então, segundos depois, quando chegou ao centro da ilha, parou seus pés... um ao lado do outro.
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Aos arredores da praça central, uma casa exibia o olhar curioso de uma criança em sua janela, observando um senhor com flores brancas nas mãos diante um grande sino. Sua cor era semelhante a fuligem. A criança estava acompanhando sua mãe que era comerciante, pois não tinha ninguém para ficar com ela, devido ao trabalho do pai que estava em alto-mar. O barquinho de madeira em suas mãos, reforçava isso.
Depois de receber o pagamento pelo produto vendido, a mãe chamou pelo filho e foram para fora, despedindo-se daquela casa. Mas ao colocarem os pés para caminharem, um som ecoou por todo o lugar, chamando a atenção da criança, que rapidamente olhou na direção que o som estava vindo.
O som espalhou-se três vezes por sobre os telhados das casas, nas ruas... por todo o ar úmido e frio daquela manhã... mas reverberou principalmente dentro do garoto, mexendo em cada estrutura do seu corpo, feito pelo homem no sino.
"O que ele está fazendo?" – questionou o menino para a mãe. Era a primeira vez que ele via o Sino e ouvia o som dele, já que morava afastado do centro da ilha.
"É o Sino dos Calados" – disse sua mãe ao lado do carrinho de madeira. "Ele está dando voz para alguém que ele não ouve mais. Não escuta mais. Então, bate-se três vezes no sino, para que a pessoa calada, volte a falar novamente e você possa ouvi-la de novo"
É claro que a mãe explicou para o filho, da melhor maneira possível, sem dizer que aquilo era sobre a morte, a perda de alguém. Mas, para a infelicidade dele, ele teve que entender isso cedo demais.
Sete dias depois, seu pai não retornou do mar para casa.
O menino chorou até não ter mais lágrimas para chorar. Ele acompanhou a mãe até a praça. Até o Sino dos Calados... e viu e ouviu a mãe toca-lo por três vezes. Ela mostrava-se firme, mas estava destruída por dentro. As badaladas doíam, mas ao mesmo tempo... confortavam seu coração. Ao final da ultima badalada, ele deixou seu barquinho de madeira ao lado do Sino e saíram de lá em silêncio.
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Quarenta e nove dias passaram-se. O coração do menino tinha cicatrizado. Exibia a marcar, mas já não doía mais. Contudo, numa manhã fria, sua mãe não levantou-se da cama. Mais uma ferida no seu jovem coraçãozinho, abriu-se. Chorou. Mais uma vez chorou lágrimas salgadas sobre suas bochechas até seus olhos ficarem secos e seu espirito no chão, com o seu coração vazio.
Depois daquele dia, ele nunca mais falou.
Muitos o veem tocando o Sino, mas não sabem se está dando voz para o pai, para sua mãe... ou se está fazendo isso para que sua voz não fique calada, mas seja ouvida por eles, onder que estejam.
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The Guardians
FantasyO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
