Téo agarrou num cipó. Lançou-se a outro. Mais outro e outro. Por fim, correu sobre um galho e jogou-se no ar. Segundos depois, caiu sobre as costas de Cartola, seu coelho. Sua altura era semelhante à de um cavalo.
O coelho aterrissou-se sobre o chão e seguiu pulando o terreno irregular. Ele já tinha melhorado de sua pata. Enquanto isso, Téo com seu arco atirava flechas nos alvos presos nas árvores, nas mais variadas alturas.
Tudo isso enquadrava como treino, longe dos grupos. Mas muito mais do que isso, era um meio de se divertir. Raros eram seus momentos de paz, sem as outras crianças para o baterem e sua mãe para lhe atormentar.
Depois de acertar os vários alvos, Téo e Cartola foram para o alto de uma colina, e ali descansaram. Téo deitou-se com as costas na grama, os pés cruzados e as mãos atrás da cabeça. Cartola deitou-se de barriga para baixo. Téo brincava de descobrir os desenhos que as nuvens faziam no céu azul. Numa dessas tentativas, Ligeirinho apareceu agarrando seu dedo, assustando-o juntamente com Cartola. Mas logo sorriu. Em seguida, Bolota surgiu emergindo da terra. E ali ficaram sobre a colina.
As horas seguiram. O sol já tinha inclinado, mas não era final de tarde ainda. Téo levantou-se para ir embora, porém, não estava mais sozinho. Cinco garotos apareceram na frente dele.
Téu assustou-se.
Os garotos rodearam-no. Bolota e Ligeirinho correram de medo.
Téo sabia da intenção do grupo. Montou sobre o Cartola e saltaram, mas rapidamente foram de encontro ao chão. O impacto fez seu coelho soltar um gemido de dor. Sua pata traseira estava amarrada.
Tiraram Téo do animal bruscamente e amarraram Cartola numa árvore. Cercaram Téo e começaram a empurra-lo e a bate-lo.
Téo tentava se proteger, mas não conseguia desviar dos socos, chutes, beliscões...tudo isso resumiu-se em poucos minutos, mas que pareceram horas. Horas eternas.
Sob o chão, todo dolorido, Téo tentou levantar-se, mas não conseguiu. Fez mais uma tentativa, mas nada. Na terceira, conseguiu ficar de pé. Não havia mais ninguém ali. Cambaleou até o Cartola. Desamarrou-o. Subiu em suas costas e foram embora.
Na sua casa, os vagalumes em recipientes de vidro, não deixavam a noite entrar. Sua mãe viu-o passando por ela.
"O que houve com o seu rosto? "
Téo abaixou a cabeça e seguiu.
"Tem certeza disso? " – questionou ela mais uma vez depois de tragar seu cigarro.
Então, Téo parou e voltou até ela. Sua mãe pegou em seu rosto de maneira nada gentil e encarou os hematomas.
"Fraco" – disse ela depois de soltar suas bochechas de forma violenta.
Ela bateu a porta e foi para a vigilância. Téo entrou no quarto e deitou em sua cama de modo fetal. Cristal, sua Borboleta-esmeralda pousou em sua cabeça. Téo chorou. Um choro silencioso, mas ensurdecedor dentro do seu coração.
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The Guardians
FantasyO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
