O Confronto III

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Em uma pequena cascata no interior da floresta, a água escorria pelas pedras. Um espelho fluido sobre uma escadaria rochosa, no qual, pequenos cristais dissolviam-se em uma cortina branca ao final de cada degrau, mas que logo reencontravam-se num espelho de água cristalina, mostrando assim, sem timidez, o dançar da areia sob o fundo.

Gallyty colocou seu mascote ao lado desse pequeno riacho. O felino ficou deitado de lado com a cabeça inclinada para a água na beirada da margem.

A jovem envolveu sua mão em um formato de concha, mergulhando-a na água. Os alevinos dispersaram-se. Retirou sua mão e a levou até a boca do seu mascote, o mesmo a bebeu em singelas lambidas.

Ela colheu próximo dali algumas plantas, na qual, encontravam-se pequenas bolinhas rosadas em suas pontas. Espremeu-as sobre os arranhões do seu animal e espalhou com suas mãos.

A respiração de Sky estava fraca, mas logo voltou a sua normalidade.

"Tudo bem, meu amigo?" – disse ela passando a mão por baixo do queixo dele.

O animal levantou-se um pouco, estava ainda com dificuldades, mas nada que viesse a atrapalha-lo. Logo em seguida ele ficou por sobre suas patas traseiras e bateu suas asas, duas, três vezes, fazendo um forte vento ao seu redor.

"Bom menino." – ela comentou levantando-se. "Ainda não acabou." – acrescentou logo em seguida.

Colocou suas flechas nas costas, pegou seu arco e voltaram para o interior da floresta.

Depois de certo período de tempo, piscou seus olhos e conseguiu ver um pouco mais a frente seu alvo por de trás de várias árvores, arbustos, moitas, a temível fera ao lado da outra que ainda estava ao chão.

Acelerou mais seus passos por sobre as copas das árvores.

Chegando a uma pequena distancia, Gallyty tirou algumas folhas dos seus olhos e lá estavam os dois ursos sobre a areia a beira da água. Levando sua mão para trás, pegou uma de suas flechas e armou seu arco, mas algo aconteceu.

A areia em volta do urso que estava de pé começou a circula-lo em forma de espiral, em movimentos lentos, mas constantes. Foi acelerando, acelerando, acelerando, até que de repente dissipou-se em arco. Os pequenos grãos foram caiando lentamente até acomodarem-se sobre o chão branco.

Ela não estava acreditando no que seus olhos viram e agora estavam vendo.

"É apenas um garoto." – disse ela em sussurros observando aquela criança ao lado do urso estirado ao chão.

Seus pensamentos começaram a envolver sua mente.

A história de Claus... O braço dele... A cicatriz no olho do urso... A luta... A frase... "Encontramo-nos de novo, velho amigo."... É isso... Vingança.

De repente seus pensamentos começaram a ficar dispersos, longe, embaçados... Seu corpo estava desfalecendo...

"O que está acontecendo?" – questionou ela com a voz fraca.

Tinha algo em seu pescoço. Seu corpo formigava por inteiro. Era um objeto pontiagudo com algumas penas no final.

"Sky..." – ela sussurrou.

Apagou e caiu.

Alguns minutos depois, seus ouvidos começaram a sinalizar passos sendo almofadados, água corrente e seu corpo lhe trazia a sensação de um chão macio.

Aos poucos a pálpebras dos seus olhos foram ganhando força e abrindo-se, até abrirem-se totalmente.

Ela encontrou-se deitada sobre a areia, esboçou-se movimentar-se, mas em vão. Seus punhos e tornozelos estavam amarrados. Seu parceiro estava ao seu lado com suas asas amarradas ao corpo, assim como suas quatro patas dentro de um só nó.

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