A Tormenta de Kaar

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O vento gélido corria entre os pinheiros. O céu semelhante a fuligem dobrava-se sobre as terras pálidas de Hurander como um grande rolo.

Sobre um balcão, várias lâminas. Um homem pegou uma. Era maior que uma faca, mas menor do que uma espada. Avaliou-a e passou o dedo duas vezes em seu corte. Ainda não estava bom.

Próximo a ele, uma estrutura de madeira. Uma pedra circular em cima e um pedal embaixo. Colocou a lâmina na pedra e o pé sobre o pedal. A pedra circular girou e tirou faíscas da lâmina. E assim, o homem fez. Manuseou a lâmina duas... três vezes por sobre a pedra. Avaliou-a novamente. Passou o dedo no corte. Soltou um sorriso.

"O menino já está limpo" – informou outro homem que estava no local.

"Muito bem" – disse este com o facão na mão.

O homem aproximou-se da mesa. Olhou a jovem de cabelos semelhantes ao sol. As tranças como correntes. Sua pele branca igual ao pico das montanhas e os seus olhos da cor dos pinheiros no verão.

"Que desperdício" – disse o homem.

Ele levantou o facão, mas num súbito, foi jogado para trás com grande brutalidade, juntamente com os outros três que ali estavam. Minum elevou-se da cama. Raios saiam dos seus olhos e envolviam o seu corpo. Seus cabelos balançavam com o vento ao seu redor. E seus dois martelos voaram até suas mãos.

Os homens olharam para ela depois da forte pancada que tinham sofrido, pasmados. Não conseguiam entender.

Um levantou-se e foi em sua direção, mas Minum martelou-o no queixo, e o jogou contra a parede. O outro tentou sair correndo, mas foi impedido pelo raio atirado do martelo da mão esquerda, fazendo-o cair.

O céu estralava e a terra abalava toda a sua estrutura.

Outro veio em sua direção. Minum investiu contra ele num piscar de olhos e golpeou-o com a cabeça.

~~

Hezmund estava sobre sua cadeira revestida de pelos, quando a porta que lhe dava acesso abriu-se. O homem que tinha o facão na mão relatou o que estava acontecendo.

"Temos um problema, senhor" – assustado.

Hezmund possuiu dos seus machados e com mais alguns homens, foi verificar a situação. Quando chegou ao Barracão-da-Limpeza, onde os corpos eram pendurados e limpos, viu o lugar destruído. Homens caídos. Minum ao chão. Os guerreiros estavam todos machucados. Mas nela não havia nenhum arranhão.

"Olha o que ela fez, senhor"

Hezmund aproximou-se de Minum. Ajoelhou-se e colocou seus dedos ao pescoço dela. Estava viva.

"Não temos um problema" – falou. "Temos uma solução"

~~

Minum patrulhava. Ajudava nas caçadas. Defendia a tribo dos invasores. Elogios vinham de todos os lados. Assim, ela, ficou conhecida no meio deles como a Tormenta de kaar. 

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