Os pés não paravam. Os pequenos pés não paravam. Contornavam árvores, pulavam riachos, passavam sobre pedras... tudo isso para ficar longe, cada vez mais longe de Baradel, sua cidade no interior do Bosque-de-Ferro, Sul da Montanha-do-Asas-da-Morte, ao Norte de Ahnatnom e a Oeste da cidade de Kaphia.
O garoto olhava para trás, esforçando-se para distanciar-se ainda mais da sua casa, mas principalmente do seu perseguidor.
"Acha que pode fugir de mim?" – gritou a voz de um homem entre as árvores.
O garoto de pouca idade firmou seus pés no chão, tomando cuidado para não machucar ainda mais suas mãos, que visivelmente estavam péssimas.
A prata da lua a sua frente parecia mostrar o caminho, mas o seu perseguidor também seguia em seu encalço.
Desceu dois terrenos irregulares e contornou três curvas de um riacho. Então, seus olhos elevaram-se diante duas torres negras como carvão. Vestidas com panos vermelhos escorridos. Um desenho de muro com machado em diagonal a frente, estampava-se para todos os olhos. Na parte superior, quatro homens; dois em cada torre, de armaduras de mesma cor. E na base dois homens com espadas em suas cinturas e armaduras como a noite.
Os guardas armaram-se com seus arcos e espadas, mas no mesmo instante, recuaram-se, pois, o menino que mostrava-se diante deles, não apresentava ameaça.
A criança rapidamente aproximou-se do guarda da esquerda, e escondeu-se atrás dele.
"O quê? O que foi?" – questionou o guarda.
O menino de pele clara e cabelos negros, escondeu ainda mais o seu rosto e suas mãos inchadas atrás do guarda.
Logo em seguida, um homem ofegante e com um pedaço de madeira na mão, apareceu para eles.
Os arqueiros no alto da torre, ficaram de olhos bem abertos.
"Você é bem espertinho" – disse o homem. "Mas chega de brincadeira. Vamos logo"
"O senhor é pai dele?" – indagou o guarda da direita.
"Sim" – respondeu o homem. "Filho, o pai está chamando"
O guarda da esquerda percebeu algo estranho naquele que estava em sua frente.
"Senhor, acho melhor nós conversamos um pouco, está bem?"
"Desculpa, mas não tenho tempo" – falou com agitação. "Filho, estou mandando. Vem aqui agora" – apontou com o dedo.
"Senhor, por favor..." – pediu o guarda da esquerda com a mão a frente, depois de observar o pedaço de madeira na posse daquele homem. O guarda da direita moveu seu rosto para os arqueiros, dando-lhes um sinal com os olhos.
"O quê? Eu estou chamando o meu filho!"
"É melhor o senhor se afastar" – pediu o guarda da direita.
"Afastar? Vocês estão me impedindo de pegar o meu filho? – travou os dedos no pedaço de madeira.
"Melhor não, senhor" – disse o guarda que estava com a criança atrás dele.
"Ele é meu filho e vou leva-lo pra casa"
"Desculpa" – falou o guarda protegendo a criança. "Mas não"
O homem avançou, mas foi interrompido por um flecha. Avançou mais um passo, e seu peito tornou-se semelhante a um alvo, recebendo duas flechas sobre ele. Então, caiu diante daqueles homens.
A criança viu tudo.
O guarda virou-se até o garoto e perguntou-lhe se estava tudo bem. O menino fez um sinal de positivo com a cabeça. O guarda então, questionou-o por seu nome.
"Sallazar" – respondeu o menino.
"Não precisa ter mais medo, Sallazar. Aqui você estará seguro" – disse o guarda depois de ajoelhar-se e ficar da altura do garoto. "Ninguém mais o machucará, está bem?"
O menino fez que sim com a cabeça.
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Guardians
FantasíaO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
