Correu mais um pouco com um sorriso no rosto. Contornou duas, três árvores no interior do Bosque-rubro. Suas folhas pareciam um tapete vermelho sobre as copas das árvores. E sobre o chão, sobre o verde das gramíneas, eram semelhantes a pingos de tinta.
Keyla sabia. Estava ali. Não dava para negar o som que vinha até seus ouvidos.
A ponte semicircular sobre o curso d'água recebeu sua euforia. Mas quando olhou em volta, somente árvores. Decepcionou-se um pouco, porém, não por muito tempo. Bryan saiu debaixo da ponte. Aquele por quem ela procurava. E foi prontamente capturada pela mão esquerda.
Beijou seus lábios e saiu em disparada levada por ele. Pararam sob a copa de uma grande árvore. Bryan pressionou seu corpo contra o dela e o dela contra o tronco. Deslizou sua mão em seus cabelos negros. Fecharam os olhos e deixaram apenas os lábios verem, sentirem, acariciarem um ao outro. Segundos depois, Keyla sorriu para ele. Afastou-se e foi para a margem próxima a água. Despiu-se e pulou. Nadou até a cachoeira daquela bacia d'água. Sua queda era semelhante a uma cortina. Banhou-se.
Bryan, então, despiu-se também. E foi ter com ela. Ambos passaram da cortina d'água e adentraram a cachoeira. Paredes rochosas. Tudo bem úmido. A luz ambiente transpassava a água cristalina.
Deitaram-se. As mãos caminharam sobre a pele. Os lábios falaram a mesma língua. A respiração ficou ofegante. Em certos momentos, Bryan ditava o ritmo, em outros, Keyla orquestrava.
A queda d'água cumpriu muito bem o seu papel: manteve-se fechada e tocou uma sonoridade linda e suavemente sem cessar.
Todo o ambiente ficou mais úmido do que de costume, devido ao calor emanado de Keyla, que repousava sobre o peito de Bryan. Este, por sua vez, brincava com a ponta dos seus dedos.
"Eu gosto de você" – falou Bryan rompendo o silêncio que tinha ficado entre eles.
Keyla deu risada.
"Que?" - virou-se e ficou sobre seus cotovelos.
"Eu gosto de você" - Bryan repetiu.
Ela olhou para ele por alguns segundos e beijou seu rosto.
"Você não gosta de mim" – disse.
"Claro que..." – ele tentou falar, mas foi calado pelos dedos dela.
"Você gosta do que fazemos quando estamos juntos" – depois tocou levemente o seu nariz e sorriu. "Bobo"
Bryan ficou parado diante dela.
"Agora temos que ir" – ela levantou-se.
"Mas eu..." – Bryan tentou mais uma vez falar.
"Vamos" – ela o interrompeu e saiu.
Bryan ficou olhando ela sumir sob a queda cristalina das águas.
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The Guardians
FantasiaO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
