As Buscas

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Abilan estava com as costas e o pé direito apoiados à parede no corredor, esperando. Levou a garrafa da mão esquerda a boca e deu um gole.

A porta abriu-se alguns metros ao lado dele. Sua irmã, Layla Malika, a Miragem do Deserto, saiu. Um pouco de areia começou a circular em volta dos seus pés.

"Onde dessa vez?" – questionou o Tornado do Deserto, seu irmão.

"Trouxe roupas de pelos?" – indagou a Miragem do Deserto. A areia começou a circular os dois enquanto andavam.

"Ah, não. De novo?"

"É isso aí" – afirmou Layla.

"Então vamos!" – limpou os lábios de bebida com a mão esquerda. A areia girou mais rápido em volta deles.

"Bora" – disse Malika e sumiram. A areia que os circulava, caiu no meio do corredor.

~~

O vento era gélido, mas não congelava a enorme fogueira no meio da aldeia de Elfgar, nas terras pálidas de Hurander.

"Não gosto daqui" – comentou Abilan atrás de um pinheiro.

"Relaxa" – disse Layla de olhos atentos. "Vai ser rápido"

"Você disse isso da última vez" – lembrou seu irmão.

"E não foi?" – ela questionou. "Olha lá" – apontou. "Presta atenção"

Alguns homens atiçavam a fogueira da altura de três pessoas adultas.

"Vou pegar mais lenha" – falou um homem de braços fortes para os outros.

"Está bem" – responderam.

~~

"Vamos" – chamou Layla.

O homem entrou na floresta, mas quando foi executar o serviço, hesitou. Foi surpreendido por outro homem: lâmina na mão direita. Uma garrafa na mão esquerda... que logo em seguida levou a boca. E suas vestes mostravam claramente que ele não era daquela região.

"Quem é você?" – questionou o guerreiro.

"Sempre as mesmas perguntas" – disse Abilan. "Quem é você?" – deu mais um gole de sua bebida. "O que você quer?" – finalizou.

O homem foi investir com o seu machado sobre Saluh, mas sem sucesso. Seu pescoço foi envolvido a ossos. Era o Chicote de Ossos de Layla Malika, enforcando-o. A única mecha branca direita do volumoso cabelo negro dela e o cílios também branco do olho esquerdo, camuflavam-se com a neve.

O homem tentou reagir, mas foi em vão. Caiu imóvel no chão frio.

"Eu disse que seria rápido" – lembrou Malika.

"Por que eu tenho a impressão de que temos mais lugares pra ir?" – indagou o irmão quando amarrou o Guerreiro desacordado.

"Porque você está certo"

"Eu disse que não seria rápido"

"Vai sim"

"Eu tenho que te lembrar da última vez?" – perguntou Abilan.

"Relaxa" – disse sua irmã. "Você tá nervoso" – sumiram na areia.

~~

O beco era estreito, mas não dificultava o livre acesso do som do mar.

"Sanin?" – perguntou Abilan. "De boa. Mais um bêbado pra conta"

"Dessa vez não" – falou sua irmã.

"Não? Quem a gente vai levar?"

Layla Malika soltou um sorriso com os olhos para a porta aos fundos de uma taverna.

"Ah, não. Ela não"

"Desde quando isso foi um problema pra você?" – indagou sua irmã.

"É que..."

"E todo mundo gosta de uma mulher em perigo" – comentou Layla.

"Tá, mas..."

"Vamos!" – chamou a Miragem do Deserto.

Capturaram a taverneira e amarraram ela.

"Desculpa" – pediu Abilan sobre a mulher de cabelos loiros e seios fartos. "Mas não é nada pessoal"

~~

A caixa de frutas foi colocada sob a barraca na praça de Sieer, a cidade ao Norte de Dunsan.

"Você escondeu bem os corpo, né?" – questionou seu irmão.

"Você sabe que eu escondo bem" – respondeu Layla.

Os dois irmãos estavam observando seu próximo alvo de longe.

"Você sabe que foi aqui que deu problema, né?"

"Se você ficar falando, ai sim vai dar problema" – ela disse diante olhos dele.

"Só estou avisando" – alertou Abilan Saluh.

~~

"Filho, você olha as coisas pra mamãe? Vou pegar mais algumas frutas" – mexeu nos cabelos dele.

"Sim, mamãe"

"Eu já volto, está bem?" – deu alguns passos para trás.

"Tudo bem" – sorriu.

A mãe afastou-se para repor a barraca, mas não conseguiu. Foi capturada por Abilan, que puxou-a para o corredor atrás dele. Ela debateu-se. Abilan apertou seu pescoço ainda mais. Mas na tentativa desesperadora de fugir, ela conseguiu morder o seu braço.

"AAAAA!!!" – gritou Abilan.

"Merda" – xingou Layla Malika um pouco mais atrás.

A mãe correu. Mas poucos foram seu passos. Ela caiu depois de um dos seu pés ficar preso na Armadilha de Ossos que Layla jogara para prende-la.

A mãe gritou ainda mais.

Abilan bateu com raiva sua garrafa na cabeça dela, apagando-a.

"Você tinha que abrir a boca" – lembrou a irmã.

"A culpa foi dela de me morder" – retrucou o irmão.

O menino viu eles, e atrás dele tinha soldados de armaduras brancas e mantos azuis.

"MAMÃE!!!" – apontou a criança com os olhos cheios d'água.

Os soldados avançaram, mas somente areia encontraram no final do corredor.

~~

DIAS DEPOIS...

Um guerreiro, uma taverneira, uma comerciante... todos atrás das grades. Todos confusos tentando entender o que estava acontecendo. Então, as grades abriram-se. E gritos eufóricos invadiram as celas.

A Arena... estava esperando por eles.

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