Duas Crianças

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Minum acordou e percebeu que o ambiente não estava pálido e nem gélido. Era marrom pelas madeiras que o cercavam e quente pelas cobertas de pelos por sobre seu corpo. Roupas de couro estavam do lado da cama.

Minum trocou-se e saiu do local. Seus olhos mostraram inúmeras casas de madeiras espalhadas pelo terreno branco. Em alguns lugares altos, e em outros, baixos. Várias pessoas. Homens, mulheres e crianças de pelagem de couro em seus corpos andavam de um lado para o outro. Uma fogueira mostrava-se mais ao fundo e algumas pessoas ao seu redor.

"Acordou" – disse um homem ao seu lado. "Pensamos que tivesse morrido"

"Meu irmão" – disse Minum tentando entender tudo aquilo. "Cadê meu irmão?"

"Ele está..." – nem deu tempo de responder.

"Minum!" – gritou o jovem. "Minum!" – aproximou-se dela correndo. "Olha! Comida" – mostrou um pedaço farto de carne. "Vem" – chamou-a. "Tem muito mais"

Quando chegaram na fogueira o irmão mais novo fez ela sentar-se e apresentou-a logo em seguida.

"Como que..." – começou Minum.

"Eu acordei e estávamos aqui. Deram-me roupas e comida" – mordeu um pedaço de coxa.

"Onde estamos?"

"Kaar" – falou seu irmão. "É uma tribo. Legal, né?"

"Mas quem...?"

"Hezmund" – disse o menino com um pedaço de carne na boca. "Ele é o líder"

Minum e seu irmão são apresentados a toda tribo oficialmente por Hezmund. E assim, tornaram-se membros de Kaar.

Com o passar do tempo, são inseridos ainda mais no dia-a-dia das pessoas. Nos treinamentos, nas coletas de madeira, na caça, na patrulha... tudo isso passou a fazer parte da vida deles. O que eles eram, já não existia mais. Esse era o presente.

Porém, não foi fácil essa nova vida.

"Temos que nos adaptar" – disse Minum para o irmão.

O irmão ouviu calado e de cabeça baixa.

"É muito difícil"

"Está difícil pra mim também. Tenta um pouco mais." – incentivou. "Olha pra mim" – ela pediu. "Eu estou aqui"

"Tudo bem" – disse o menino envolvendo os braços a irmã e ela ao irmão.

~~

Os dias passaram-se, mas os resultados continuavam os mesmos. Principalmente para o irmão mais novo.

"Ele não consegue" – falou o guerreiro.

"De mais tempo a ele" – pediu a irmã.

"Se ele não aprender" – gesticulou com a mão. "Não pode ser um de nós"

Minum ouviu um barulho que saiu de trás da árvore. Seu irmão tinha fugido.

~~

"Eu não sou bom" – disse o menino sobre a cama.

"O quanto você ouviu?" – questionou Minum quando chegou.

"Tudo" – respondeu o irmão mexendo os dedos nos pelos da coberta.

"Claro que é bom" – sentou-se ao lado dele.

"Você sabe que eu não sou" – olhou para ela.

"Tem razão" – Minum confirmou. "Você é melhor" – passou a mão em seu cabelos.

Ele fixou seus olhos aos olhos dela.

"Acha que eu consigo?" – questionou.

"Vamos mostrar pra eles o melhor guerreiro que essa tribo já viu" – deu a ele uma imitação de uma espada feita de madeira. Ele respondeu com um sorriso.

Treinaram. Brincaram. Sorriram... juntos.

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