A Navegadora De Ahnatnom

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As tochas de fogo penduradas nas colunas, afastavam a escuridão. Homens de braços fortes giravam uma roda de pedra através dos seus pedais. O suor escorria de suas testas, enquanto que a embarcação movia-se para frente, puxadas pelas grossas cordas.

As velas do Cruzador que estavam outrora encolhidas, abriam-se como as asas de um pássaro, nascendo das entranhas do deserto, à frente dos altos e largos muros. Suas cores brancas eram semelhantes a nuvens. O desenho das dunas, a arte do meio-sol em diagonal atrás delas... tudo em dourado estampava-se para todos os olhos.

A enorme tampa para dentro da terra fechou-se e o Cruzador, navegou sobre as areias.

Os Cruzadores eram guiados por mulheres; conhecidas como as Navegadoras de Ahanatnom. Os soldados protegiam a embarcação, mas eram elas que ditavam o curso. Porém, ser uma Navegadora não era para qualquer uma. Teria que passar por um desafio, um único desafio: pegar a Flor-sol que nasce entre dois desfiladeiros, que marca o final de Ahantnom e o início de Mar-verde. Seu caule é verde como as copas das árvores. E sua flor é semelhante ao sol. Quando o rei do azul celeste deita-se atrás das montanhas, no Ocidente, essa flor, a Flor-sol, brilha, ilumina o interior do desfiladeiro, quando o manto da noite o cobre no Oriente, como se o poder da majestosa estrela estivesse ali dentro.

Dentre as poucas mulheres que arriscaram suas vidas e sobreviveram, estava Colléth, que fez por muitos anos esse trabalho; tirar as pessoas do deserto, de suas vilas, e leva-las até o reino para protege-las. Por ter vivenciado tudo isso, proibiu sua filha, Lupíta, de seguir seus caminhos.

O Cruzador sentiu os fortes ventos castigarem suas velas e a balançarem o barco quando contornou a Mesa dos Deuses. Um enorme rochedo e extremamente largo, que tocava as nuvens do céu, ocultando o seu topo, por isso ganhara esse nome.

Foram duas dunas até a chegada de Bassi. O vilarejo já o tinha recebido em outro momento, mas eles retornavam de tempos em tempos, até não restar nenhum morador.

O Cruzador parou na frente das casas. Os moradores viram as escadas sendo estendidas. Uma parcela da população alegrou-se com a chegada deles, pois sabiam que suas vidas mudariam para sempre atrás daquele muros, mas a outra parte do povo, não demostrou nenhum interesse.

"Vamos!" – gritou um soldado de armadura dourada a frente do Cruzador. O sol sobre a armadura deixava o soldado com um aspecto divino. "Venham! O seu Rei é bom e ele só quer o melhor para vocês!" – andou para o lado direito. "Lá!" – apontou para o Ocidente. "Nós, o muro, o seu Rei... os protegerão, mas..." – foi para o outro lado, no meio do vilarejo. "Se ficarem, não poderemos fazer nada" – olhou em volta. "Certamente morrerão"

Muitas pessoas subiram as escadas, mas outras, claro, deram-lhe as costas.

Tudo isso foi observado pelos olhos de Layla Malika, a Miragem do Deserto, ao lado do seu irmão Abilan Saluh, o Tornado do Deserto, sobre o Cruzador. Os Irmãos-do-Deserto. Layla podia ter pegado essas pessoas com sua habilidade de teletransporte, mas ela não conseguiria levar todo mundo ao mesmo tempo, diferente do Cruzador.

~~

"Atento, homens!" – alertou a Navegadora. "Estamos em areias mortais"

Tudo no deserto era mortal, mas o que ela queria dizer... é que não precisava explicar mais nada para os soldados, eles sabiam a região que estavam passando: o Vale-dos-Esquecidos.

O Vale era um planalto. Algumas rochas eram semelhantes a paredes, e outras como pontas de lanças erguidas do chão.

Os olhos avistaram a tudo, mas não conseguiram conter o dano de uma das velas.

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