A neve caía sobre a fortaleza da tribo, enquanto seus membros tentavam se erguer depois do que haviam passado. Alguns homens mantinham-se de olhos abertos diante do horizonte pálido.
Um pouco mais para dentro de Kaar, a filha de Hezmund estava sentada num canto. Estava triste... brava. Ela até que foi chamada para ficar com as outras crianças, mas preferiu ficar sozinha em sua casa, atirando adagas num pilar próximo da sua cama.
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Os homens sobre as torres andavam de um lado para o outro, e numa dessas andanças, o horizonte gélido chamou atenção.
"Se preparem homens! " – alertou.
Sob os flocos brancos, figuras humanas caminhavam. Machados, martelos, escudos, espadas, arcos e flechas ficaram em punho atrás da fortaleza.
Aquele que deu o alerta esticou bem seu arco ao lado do seu rosto.
Esperou, esperou, esperou...
Quando ficou pronto para fazer sua flecha rasgar a neve que caía sobre eles, hesitou. Seus olhos não estavam acreditando. Sob a neve e sobre a palidez daquelas terras brancas... uma figura estava montada.
"Abram os portões! " – gritou recolhendo a flecha.
Hezmund chegou a sua tribo. Os guerreiros foram ter com ele sem acreditarem. Ele vinha puxando um Encouraçado. O animal de pelagem semelhante a um escudo, tinha patas curtas e arredondadas. Três chifres protegiam o seu rosto; um pequeno, o outro médio, e por fim, um chifre semelhante a uma lança sobre suas narinas.
"Senhor, precisamos conversar" – disse um guerreiro ao lado de Hezmund e o levando para outro lugar.
Hezmund não gostou nada do que foi relatado a ele.
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Quando Hezmund entrou em sua casa, quase foi atingido por uma adaga ao lado da porta. Mas ainda assim, ele foi atingido. Sua filha o atingiu depois de vê-lo entrar com lágrimas nos olhos. Jogou-se em seu colo. Hezmund abraçou-a fortemente e ficaram assim por alguns minutos.
"Você" – disse ela.
"Sim" – comentou ele.
Abraçaram-se novamente.
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Ela virou-se para o lado sob sua cama depois de despertar do sono ao barulho que escutara. Levantou-se para ver o que era.
Hezmund estava terminando de colocar seu segundo machado nas costas.
"Por que? " – questionou ela.
"Porque isso não pode ficar assim" – respondeu ele.
"Mas você acabou de chegar"
"Tenho que manter a tribo segura. Você segura" – virou-se para ela.
"Então fica" – pediu.
"Olha o que ele fez" – gesticulou com os braços.
"Ele trouxe comida para nós"
"E a destruição também" – afirmou seu pai.
"Mas você não estava aqui" – ela virou o rosto.
"Agora eu estou" – aproximou-se dela. "Agora eu estou, minha pequena" – ajoelhou-se.
"Fica" – pediu novamente.
"Não posso permitir que isso aconteça novamente. A tribo precisa de mim" - levantou-se.
"Eu preciso de você" – disse a filha.
Hezmund olhou-a por alguns segundos sem dizer nenhuma palavra. Depois, ajoelhou-se e beijou suas mãos. Logo em seguida levantou-se, virando de costas.
"Pai" – chamou. "Pai! " – chamou-o de novo com um tom alterado de sua voz.
Hezmund foi até a porta e fechou com ela dentro de casa.
"Não deixe ela sair" – ordenou para dois homens.
A menina bateu na porta várias vezes, chamando pelo pai, mas ele juntamente com alguns homens, mergulhou no horizonte gélido daquelas terras pálidas.
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The Guardians
FantasíaO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
