A mandado de sua mãe, Téo saiu para trazer o jantar. Balançou cipós e pulou alguns galhos. Foi relativamente rápido chegar ao objetivo. Usou as táticas ensinadas nos treinamentos: ficou em silêncio e separou a caça do bando. Finalizou-a com uma flecha certeira. Era relativamente mais alta que ele, mas conseguiu coloca-la por sobre os ombros.
Retornou para casa, mas sem muita pressa. O animal semelhante a uma ave por suas asas, era um pouco pesado. Conhecido entre eles como Passo-longo.
Não era dia de treino, era como se fosse uma folga. Isso era bem melhor. Não precisaria ver as outras crianças, mesmo assim, elas ainda conseguiam encontra-lo. Mas Téo, sempre que possível, dava um jeito de esconder-se.
Chegou em casa pela porta da sala. Depenou o animal, cortou os pedaços e armou uma pequena fogueira. Preparou tudo para a chegada de sua mãe. Ela disse que voltaria para o jantar. Essa noite não era sua vez de fazer a vigília. Mesmo sabendo como sua mãe o tratava, ainda assim, não mudaria o fato de que ela era a sua mãe. Sempre será sua mãe.
Téo foi para o seu quarto e sentou-se na janela e olhou todo aquele lugar. Todo aquele mundo verde. Todas aquelas colunas de árvores a perder-se de vista. As casas suspensas ligadas umas às outras por pontes. Algumas de luzes já apagadas, enquanto que outras mantinham a luminosidade alaranjada das tochas de fogo.
A pequena luminária ao seu redor, exaltou a coloração Verde-esmeralda de Cristal, sua borboleta, batendo seus 30cm de asas ao seu redor, esboçando um leve sorriso do seu rosto. Girou ao seu redor uma, duas... mas ao terceiro giro, teve que conter-se. Téo desceu rapidamente da janela e escondeu-se. Observou alguns garotos nas pontes abaixo. Segundos depois, verificou se já tinham ido embora, então, retornou ao seu lugar e ficou na companhia de sua borboleta.
A noite seguiu agradável. Pessoas indo e pessoas vindo por sobre as passarelas. Mesmo as estrelas ocultas pelas copas das árvores, ali embaixo, tudo estava cheio de luz.
Mesmo parado, encostado na janela, os olhos de Téo passavam em casa folha, em cada galho... até o momento que não passou mais. Ficou parado. Cristal, que batia suas asas, já não era mais tão interessante assim. Sua respiração ficou acelerada. Seus dedos começaram a tremer. Ele começou a sentir as batidas inquietantes do seu coração.
Saiu da janela. Colocou os pés sobre o piso de madeira. Seus olhos ficaram turvos. Caminhou lentamente e foi em direção a cama. Deitou-se. Procurou o ar, mas estava difícil de respirar. Abraçou o travesseiro e ali ficou de modo fetal. Cristal pousou ao pé da cama. Téo abraçou ainda mais forte o travesseiro. Então, seus dedos acalmaram-se. Sua respiração tranquilizou-se e seu coração serenou.
Téo dormiu.
Sua mãe não retornou naquela noite.
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The Guardians
FantasyO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
