Seguindo

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As nuvens cavalgavam no céu ocultando os luminares celestes. Não havia pressa em seu galopar. Extensos eram os seus corpos, mas seus segredos não ocultavam-se para sempre. A lua revelou-se, contudo, fez muito mais do que isso, contornou duas silhuetas sobre a torre de teto abobadado e de oito janelas ao seu entorno.

Anny Samoy com sua foice nas costas estava de pé, e sua irmã, Momo Samoy, brincava com suas adagas girando-as, ajoelhada ao lado dela.

Ambas olharam para baixo. Para alguém.

"Vamos" – disse a Ceifadora das Sombras. O corte que sofrera ao lado direito de sua boca, já havia cicatrizado, fazendo-a voltar a falar com mais clareza.

As irmãs foram pulando telhados, correndo sobre muros e descendo as ruas largas, depois as estreitas até chegarem as vielas da Cidade-baixa.

"Vamos pega-lo" – incentivou a Dançarina das Lâminas, a irmã mais nova, depois de recuperar o fôlego. Seu nariz havia melhorado, mas o corte que sofrera sobre ele ficou bem evidente.

"Calma" – falou Anny. "Não somos tão ruins assim" – continuou. "Deixa-o se divertir um pouco" – parou juntamente com sua irmã sobre uma estrutura próxima.

"Mas esse é o filho do homem que matou nossos pais" – lembrou Momo.

"Sim, eu sei" – argumentou Anny. "Mesmo que alguém tenha nos tirado a vingança..." – continuou. "Dessa vez, ela será nossa"

Momo girou sua adaga na mão direita.

"Não precisamos de pressa" – falou a Ceifadora das Sombras. "Agora sabemos quem é" – olhou para o alvo selecionado. "Depois do prazer, há de vir o sofrimento"

Poucos foram os passos daquele homem alto de armadura negra. Emom girou seu corpo para a direita e colocou-se diante a viela; o Distrito dos Suspiros.

A sexta casa foi escolhida. Emom subiu alguns degraus. A mulher da sacada o aguardava. Sua pele era clara. Seus cabelos castanhos escorriam sobre os fartos seios. Vestia-se de um rosa claro. Sua alça escorregava pelo braço revelando a nudez do seu ombro direito.

Emom tirou o capacete e a malha sombria que cobria o seu rosto, revelando sua pele negra e cabelo curto da cor do carvão. Ela o ajudou a remover o restante de sua armadura.

Os lábios tocaram-se e já não havia mais espaço entre os seus corpos.

~~

"Vai" – disse Anny.

Momo finalizou o giro de sua adaga na mão direita e mergulhou na escuridão. Seu corpo desapareceu. Anny pegou sua arma e fez um corte a sua frente. Como se um véu houvesse rasgado, ela passou pela fenda e assim como aconteceu com sua irmã mais nova, sumiu sem deixar vestígio.

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