Momo foi por sobre os telhados, enquanto que sua irmã foi por baixo, entre as vielas. O pés ligeiros da mais nova passavam por sobre os muros e em volta de algumas chaminés. Seus olhos não perdiam o alvo de vista.
"Mudou de direção" – ela sussurrou. "Por que mudou de direção?" – questionou consigo mesma.
Mais dois, três telhados... duas ruas para a direita, um momento seguindo em frente, três ruas para a esquerda...
"Onde está indo?" – indagou a Dançarina das Lâminas.
Saiu do véu das sombras que ocultava a sua imagem, e escondeu-se deitada sobre um telhado, e observou seu alvo.
Emom olhou para um lado, depois para o outro, sorriu lentamente com o canto de sua boca. Colocou a malhara metálica preta sobre o rosto e logo em seguida o elmo que cobria totalmente sua face, e entrou.
A grande construção em ruinas, cedeu sua passagem através de um dos seus amplos arcos. Em suas laterais, vidrais. Alguns vestiam-se com plantas, outros mostravam-se inteiros. Mas a grande maioria estava quebrado. O teto de um outro tempo exibia um céu cristalino. Entretanto, tal céu, fino como o cristal, não mostrava-se mais sobre aquele lugar. Boa parte do teto não estava mais ali. Só colunas solitárias e a natureza como companhia.
Emom colocou-se no meio de toda aquela ruina. Levou sua mão esquerda às costas e pegou o estandarte do reino; um tecido vermelho com um muro e um machado em sua diagonal nas cores pretas. E fincou-o no chão.
O brilho da lua que passava pelas partes do teto aberto, realçava suas cores.
"Só os covardes escondem-se" – as palavras de Emom espalharam-se por todo o lugar sem causar eco.
Não precisou de muito tempo para ser correspondido.
"Pelo meu conhecimento..." – disse Anny saindo de trás de uma das paredes. "Só os covardes matam os inocentes"
Emom inclinou a cabeça para o lado, sem entender muito bem o que ela queria dizer com aquilo.
"Sim. Sabemos do seu pai" – argumentou a Ceifadora das Sombras, assim que sua irmã apareceu do lado oposto a ela. "E do que ele fez"
"Ele foi um homem bom e justo" – Emom afirmou. "Cumpriu com o seu dever"
"Ele tirou tudo de nós" – exclamou Anny.
Emom girou sobre seus calcanhares para observar melhor a irmã dela.
"Ele só queria o melhor para o reino" – movimentou-se com sua lança na mão direita.
"O melhor? Tirando um pai e uma mãe das filhas, isso é o melhor?" – indagou Momo depois de circula-lo.
"Cumpre a lei" – lembrou Emom, a Torre Indestrutível. "E nada lhe acontecerá" – continuou. "Pise na margem, e sofrerá as consequências"
"NÃO!" – gritou Anny. "Tiraram-nos a chance de fazê-lo pagar pelo que fez. Você não sairá ileso"
"Eu discordo" – disse Emom depois de travar seus dedos na lança.
As Irmãs Samoy avançaram por sobre ele. Momo entrou na escuridão. Escondeu sua imagem e silenciou seus passos. Anny rasgou o ar em sua frente, abrindo uma fenda. Entrou por ela e saiu do outro lado, a poucos metros à frente. Próximo do seu inimigo.
Assim, confrontaram-no igualmente.
Adagas nasceram da escuridão e a foice desceu sem piedade.
Emom, num rápido movimento, bloqueou as adagas de Momo com o escudo retangular em suas costas e defendeu-se da foice de Anny com sua lança deitada a frente.
Rapidamente, logo depois disso, foi para trás ganhando terreno.
Momo atacou duas, três vezes, mas Emom defendeu-se. Contra-atacou em seguida com sua lança, mas a Dançarina das Lâminas, esquivou-se. Momo chutou-o, no entanto, Emom bloqueou seu ataque com o escudo a frente, indo para trás devido ao impacto que sofrera.
Anny usou das sombras para aumentar o alcance de sua lança e atacou duas vezes. Contudo, Emom conseguiu defender-se mais uma vez.
A Torre Indestrutível mudou de direção para não ficar longe do seu estandarte.
Dessa vez, Anny adiantou-se e golpeou-o com sua foice decima para baixo, na diagonal. Emom defendeu-se. Debaixo para cima. O escudo bloqueou. No terceiro ataque, a foice veio decima para baixo com mais vontade na diagonal. Mesmo com o escudo impedindo o ataque, Emom foi jogado para trás.
Sem perder tempo, Momo investiu por sobre ele. Atacou com um golpe giratório. Depois avançou com a adaga direita, logo a esquerda, e o quarto ataque foi uma investida.
Emom manteve-se firme e avançou por sobre ela com sua lança. Momo recuou alguns passos. Mais uma investida, outra, e mais outra... a Dançarina das Lâminas esquivou-se. Porém, outro ataque veio por trás, mas Emom não surpreendeu-se, bloqueou Anny jogando-a para longe com o seu escudo e logo em seguida atirando sua lança contra Momo, que girou seu corpo para desviar do ataque, mas acabou sendo atingida no ombro esquerdo.
Entretanto, Emom não esperava que a outra irmã viesse logo em seguida. Anny, a Ceifadora das Sombras, saltou por sobre ele, e desceu sua foice na Torre Indestrutível, jogando-o para longe. Para as paredes em ruinas. Emom bateu suas costas e caiu.
Anny, toda ofegante, foi até sua irmã. Momo ao chão, encostada na parede, gemeu de dor. Anny colocou-a sobre o ombro direito.
"Mas e ele?" – Momo questionou.
"Ele está onde deveria estar" – disse Anny com os passos para fora. "No chão" – deixaram aquelas ruinas.
A lua não estava mais no céu. Nuvens a escondiam, mas revelavam a chuva.
O estandarte estava rasgado. O escudo de um lado e a lança do outro. A Torre estava no chão, assim como todo o local... em ruinas. Porém, mesmo sob a chuva, movimentos sutis dos dedos mostravam que ainda não havia acabado.
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The Guardians
FantasyO universo de "The Guardians" é repleto de fantasia, no qual, encontra-se bondade, maldade, companheirismo, individualismo. Por ironia, sorte ou azar, eles foram selecionados minuciosamente com habilidades distintas pelo destino. Explore esse unive...
