Ratos

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O capuz afastava os pingos e ocultava aquele rosto, assim como aquela parede semelhante à noite, escondia a sua imagem.

Logo depois de observar a pessoa entrar naquela casa. A figura encapuzada saiu daquele local. Seus passos eram lentos devido à má formação do seu corpo; carregava uma massa de proporções significativas sobre as costas. Subiu três ruas. Virou duas para a direita e uma para a esquerda. A chuva fina não existia mais, tinha aumentado o seu volume. Os raios rasgavam o céu e os trovões abalavam a terra.

A Cidade-baixa deu início para a passagem Entre-cidades. A figura encapuzada passou pelos guardas. As ruas não eram mais vielas, passaram a ser mais largar, porém, ainda continuavam com seus vários corredores.

Seguiu reto por alguns minutos. Virou uma esquina para a esquerda. Seguiu reto. Duas curvas para a direita. Foi em frente por mais três minutos. Entre-cidades ficou para trás e a Cidade-alta mostrou-se diante dos seus olhos.

Tudo era diferente; as ruas eram largas. Casas grandes. Construções colossais. Panos vermelhos por sobre algumas ruas, semelhantes a uma cobertura, impondo de forma simbólica o poder do reino. Poucos foram os metros à frente até o local desejado.

Não havia mais a chuva, apenas uma garoa fina. A taverna com duas luminárias presenciou a entrada da figura encapuzada depois de subir os quatro degraus.

As botas colocaram-se lá dentro e os olhos observaram a tudo: mesas, cadeira, pratos e copos transbordantes de vinho. No meio daquele caos, os olhos avistaram a pessoa desejada. O estandarte não negava quem era.

Emom, a Torre Indestrutível estava num ambiente mais elevado. Uma plataforma. A figura encapuzada foi até ele depois de subir mais uma leva de degraus. Passou duas mesas redondas e parou na terceira. O escudo retangular e a lança, escoravam-se ao lado dele.

"Aproxima-se" – pediu Emom depois de beber do seu vinho.

A figura encapuzada aproximou-se bem devagar. Seus passos refletiam o medo em seu rosto.

"O que você tem pra mim?" – indagou a Torre Indestrutível.

Então, as palavras, trêmulas, saíram daquela boca, e ela falou tudo o que os olhos viram; a pessoa. O que ela fez e onde morava.

Emom, depois de tomar mais um gole de vinho, e limpar a boca com sua mão esquerda, jogou um pequeno saco de moedas por sobre a mesa.

"Obrigado" – agradeceu. "Fez um bom trabalho, rato. Já pode ir"

A figura encapuzada pegou o pacote de moedas. Inclinou-se em agradecimento e foi embora.

Emom levantou a mão direita e mais um copo veio até ele. E então, desfrutou de sua bebida.

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⏰ Última atualização: 9 hours ago ⏰

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