Consequências

1 0 0
                                        


O grupo estava perto da fronteira Entre-cidades, quando Emom mandou parar.

"Podem subir com as crianças"

Uma parcela dos Coletores subiram nos cavalos que já estavam preparados para eles e avançaram com as crianças que tinham acabado de coletar.

"O restante, comigo" – continuou Emom.

"O que houve?" – questionou um Coletor.

"Alguém pisou na margem" – respondeu a Torre Indestrutível.

"Gosto quando pisam na margem" – falou o Coletor que questionou.

"Eles nunca aprendem" – comentou outro.

O sol já estava a caminho de sua morada. Assim como também os Coletores que estavam a caminho, mas não do horizonte, mas sim, de uma morada, uma morada muito específica.

Saíram da fronteira Entre-cidades, numa praça, e partiram rumo ao leste. As ruas passaram sob os pés, assim como as tochas de fogo que começaram a ser acesas diante dos olhos.

Uma esquina para a esquerda, outra para a direita e esquerda de novo.

Uma viela abriu-se diante deles e atravessaram um pequeno túnel, onde casas erguiam-se sobre sua estrutura. Mais cinco casas adiante, até chegar na sexta. A casa desejada. Claro que não teve palmas ou batidas na porta, simplesmente entraram.

O casal sentado, prontos para o jantar, assustou-se com a invasão. Foram falar alguma coisa, mas foram-lhe negados.

Emom passou pelo casal. Deslizou seus dedos na mesa de madeira. Olhou em volta e observou o outro cômodo que abria-se ao lado, um pouco mais abaixo do terreno. Não disse uma palavra. Desceu três degraus e colocou-se no meio da sala, de frente para a lareira que aquecia a casa, e olhou-a por alguns segundos.

Logo depois, tirou seu elmo e o colocou de baixo do braço esquerdo. Em seguida, retirou a malha que cobria o seu rosto, de costas para todos.

"O meu pai foi um homem justo" – começou. "E ensinou os seus estatutos para mim" – levou sua mão ao calor do fogo. "E como um bom menino, eu aprendi" – recuou sua mão direita. "Diferente de vocês"

"O que?" – indagou o marido abraçado a esposa atrás da mesa.

"Pisaram na margem" – lembrou Emom ainda de costas para eles.

"Não fizemos nada!" – reclamou a mulher depois de inclinar o corpo a frente.

"Não minta pra mim" – disse Emom calmamente depois de colocar-se de frente para eles.

"VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!" – gritou o homem.

"Podem levar" – ordenou Emom.

"NÃO! ESPEREM! - pediu a mulher.

"NÃO!" – clamou o homem.

O casal foi arrastado para fora de casa.

"Por que estava fazendo isso?" – o homem tentou desvencilhar-se dos soldados, mas em vão.

"Por que ela fez" – lembrou Emom. "E você permitiu" – finalizou com um soco na barriga do homem.

~~

6 DIAS DEPOIS...

Rebeldes foram capturados por Hyesoo, os Olhos Afiados, Ariela, a Revoltada e Connor, o Rastreador. Mas os Cárceres não suportariam mais uma leva de pessoas. Então, Velfhus ordenou para os soldados tirarem os prisioneiros da prisão, e leva-los para o Muro. E foi justamente o Cárcere que encontravam-se o casal que Emom tinha trazido.

Assim, o Líder dos Escarlate chamou o seu animal para ficar diante os prisioneiros, e em seguida, deu a ordem.

"Soberano!"

O fogo consumiu todos no Muro negro. 

The GuardiansOnde histórias criam vida. Descubra agora