A Brutal X O Cruel

6 0 0
                                        


"Está tudo certo?" – ouviu uma voz grossa.

"Sim, senhor" – respondeu outra voz.

"Pai?" – questionou em sussurro.

"Ótimo" – afirmou.

"É o meu pai" – disse atrás de algumas caixas.

"Ele desconfia de alguma coisa?" – questionou aquele que estava de costas.

"Não"

"Rápido e sem sofrimento, ok?"

"Pode deixar senhor" – respondeu aquele que estava de frente para o Barracão.

"Muito bem" – falou. "Então já sabe o que fazer" – finalizou.

Seline ouviu e viu tudo e não estava acreditando.

Depois que o guerreiro foi embora, levantou-se. Hezmund girou sobre seus calcanhares, sua filha estava de pé ao final do Barracão, vindo em sua direção.

"O que está fazendo aqui?" – indagou seu pai.

"Eu ouvi tudo e vi tudo" – ela disse séria.

"O que? Não! Espera" – ele disse. "Eu posso explicar"

"Explicar?" – Seline caminhou para o lado. "Você mata pessoas!"

"Não" – comentou. "Você não entende"

"Não entendo? O que eu não entendo?"

"Olha em volta" – seu pai gesticulou com os braços. "Os recursos são finitos"

"Você não sabe disso!" – Seline exclamou.

Hezmund revirou os olhos desapontado pela falta de entendimento da filha.

"Eu sou o único que sabe disso" – argumentou. "No mínimo, sou o único disposto a fazer algo"

"Você é Cruel" – lágrimas escorreram dos seus olhos.

"Eu sou um sobrevivente"

"Você não pensa naquelas pessoas?" – caminhou para o outro lado depois de apontar para fora.

"Claro que penso. Eu estou salvando elas." – continuou. "Mas principalmente... estou salvando você, Seline"

"NÃO!" – gritou. "Esse nome não é meu. Não me pertence" – comentou de cabeça baixa. "Eu me chamo Calypso" – olhou fixo para ele.

"Você é minha filha"

"Eu não sou sua filha" – lembrou Calypso. "E você não é meu pai" – jogou uma de suas adagas nele depois de pronunciar essas palavras.

Hezmund conseguiu afastar a adaga com um movimento preciso, depois de ter tirado um dos seus machados das costas.

"Eu não quero fazer isso" – ele falou.

"Mas eu quero" – ela disse.

Mais duas adagas foram atiradas. Hezmund rolou-se para os lados.

Eles não sabiam, mas estavam sendo observados.

Um guerreiro foi barrado por um martelo a sua frente.

"Não" – disse Minum.

"Mas é o nosso Líder!" – alertou o guerreiro.

"Eu sei" – afirmou a Tormenta de Kaar.

"E não vamos fazer nada?" – questionou outro guerreiro.

"Não" – reafirmou. "Ninguém fará nada" – com o seu outro martelo bloqueou outro guerreiro que tentou avançar. "Ele não deu a ordem"

Duas adagas foram atiradas. Hezmund desviou e avançou. Três adagas voaram em sua direção, uma após a outra. Hezmund ziguezagueou na frente delas, chegando até Calypso, golpeando-a.

"De todos, eu achei que você entenderia" – forçou o ataque.

"NUNCA!" – ela gritou segurando o machado dele com suas adagas. Segundos depois, conseguiu afastar-se.

Mais duas adagas foram lançadas, mas sem sucesso. Hezmund saltou por sobre ela com um grito. Calypso segurou o ataque à sua frente, mas foi empurrada para trás, na direção dos corpos pendurados.

Hezmund golpeou duas vezes com seus machados-gêmeos, mas só cortou os corpos de um homem e uma mulher pendurados. Mais dois golpes de machados. Mais dois corpos ao chão, assim como algumas tochas de fogo que caíram no local, queimando parte do ambiente.

"Tem razão" – Hezmund disse golpeando Calypso. "Você não é minha filha" – outro ataque. "Assim você morrerá" – outro ataque. "Os deuses decidiram!" – pesou seu machado direito em Calypso, ferindo seu olho esquerdo. E finalizou com um chute em seu peito.

Calypso bateu as costas ao fundo do Barracão e caiu. Hezmund girou sobre seus calcanhares com seus machados nas costas e assobiou. Em fração de segundos, seu carneiro entrou no local, passou por ele, e foi em direção a jovem. Porém, ele não ouviu o sussurrar que ela soltou entre os lábios. E num súbito, a parede de madeira rompeu-se por sobre ela, e seu Encouraçado entrou furioso no Barracão, e avançou sobre o Carneiro.

Foi inevitável.

Os chifres de Brutus semelhantes a uma lança, bateu entre os chifres como ferro, circulares da cabeça do imponente Carneiro. O som ecoou por todo o lugar. Os poderosos animais mediram forças.

Brutus empurrou o Carneiro, mas ele resistiu e forçou de volta. Brutus avançou sobre ele mais uma vez. No entanto, o Carneiro firmou suas patas semelhantes ao cobre no chão e empurrou o Encouraçado com toda a sua força. O grande animal foi por sobre Calypso. Os dois rolaram para fora do Barracão e desapareceram no interior da floresta.

The GuardiansHistórias para pegar e não largar. Descubra agora