Desconfiança

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Seline acordou com um pouco de dor na cabeça. Se trocou e saiu. O grupo já estava esperando na entrada do portão. Dessa vez, seu pai ficou.

Contornaram a tribo em pares, como de costume.

Seline, com o seu parceiro, procurou saber mais sobre a tribo e sobre Hezmund, seu pai. O parceiro falou mais sobre as pessoas e comentou a respeito do Líder. Porém, muito mais do que isso, ela queria saber sobre as mortes de alguns homens e mulheres, quando saiam para patrulhar. Diziam que eram pegos de surpresa por alguma tribo vizinha, aliada do Norte. Porque o perigo vinha do Norte. Era muito estranho, porque... a pessoa que estava com quem morria, nunca sabia informar o que realmente havia acontecido.

Seline até que tentou pressionar mais o parceiro, mas ele não soltava muita coisa. Só dizia que o Norte era um problema. Ele estava se espalhando rápido demais, e que deveríam ficar espertos.

Seline, por sua vez, não continuou, pois percebeu que estava atravessando uma linha de segurança.

Num outro dia, questionou o seu pai sobre o Barracão-da-Limpeza, ela não tinha ido lá ainda. Hezmund negou seu pedido, dizendo que não havia muito o que ver lá. Era um local onde se abatia os animais e um cheiro muito desagradável. Por isso era um lugar muito desinteressante.

Muitos guerreiros queixavam-se dela para Hezmundo por causa de sua curiosidade descontrolada. O Líder pedia paciência a eles, devido ao que tinha acontecido com ela, mas até ele não estava suportando mais a teimosia daquela menina.

Quando foi certa manhã, Seline levantou-se bem cedo, antes mesmo do sol nascer e antes da primeira Patrulha sair da tribo. Sua cabeça doía um pouco, mas mesmo assim, não a impediu de sair de sua morada, passar por algumas casas, atravessar terrenos desnivelados e chegar ao Barracão-da-Limpeza. Dois guerreiro olhavam o local.

"Por que um local tão desinteressante, estaria tão bem vigiado?" – sussurrou.

Seline aproveitou a troca da vigília, deu a volta, e entrou por uma fenda, aos fundos.

Luminares de fogo penduravam-se pelas paredes. Deu alguns passos. O cheiro era mesmo insuportável. Olhou em volta e realmente... animais mortos e limpos para alimentar a tribo. Seu pai tinha razão, não havia nada de interessante ali. No entanto, o questionamento ainda pairava sobre ela.

Seline girou sobre seus calcanhares e percebeu que em um outro ponto do Barracão a luminosidade não existia, estava muito escuro. Então, retornou e pegou uma tocha de fogo que estava pendurada, claro, com muito cuidado para não fazer barulho.

Seguiu adiante com a tocha em punho, e levantou-a por sobre a cabeça. O fogo iluminou o ambiente a sua frente e revelou o que estava oculto dos seus olhos: corpos. Vários corpos. Homens, mulheres... todos pendurados e nus. Alguns inteiros, outros rasgados.

Foi uma visão aterrorizante, fazendo-a cair de joelhos. Seus batimentos aceleraram. Sua respiração ficou mais ofegante. Sua cabeça ficou com uma dor insuportável. Mas então... passos. E vozes. Pessoas estavam chegando. Seline escondeu-se atrás de algumas caixas de madeira que estavam espalhadas naquele lugar.

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