CÓPIA E PLÁGIO É CRIME!!!
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS!
Uma garota com tendências suicidas
cruza o caminho de um
Assassino em série.
Oque pode dar errado?
TUDO.
Rafael foi diágnosticado com psicopatia aos treze anos de idade,
e entendeu o motiv...
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A fogueira crepitava, lançando faíscas que subiam contra o céu nublado de Cape May. O grupo ao nosso redor ria, a música R U MINE ? do Arctic Monkeys ecoava pelo alto-falante portátil, misturada ao som das ondas e das conversas descontraídas. Claire estava encolhida no cobertor, os cabelos loiros ainda úmidos do mergulho, os olhos fixos nas chamas com um brilho que oscilava entre leveza e um vazio que eu sabia que ainda a assombrava. Minha mão repousava na dela, os dedos entrelaçados, e eu sentia o calor tímido da pele dela contra a minha. Por um momento, parecia que estávamos conseguindo, que ela estava, mesmo que aos poucos, voltando a ser a Claire que eu conhecia. Ou era ao menos oque parecia... Pensei, enquanto me perdia ao som da música e das ondas, focando também na companhia dela ali, ao lado. Mas então, uma voz cortou o ar, doce, mas com um toque de surpresa, vinda de algum lugar atrás de nós. - Uau, que legal te encontrar aqui, Claire... Fico feliz em ver que, de algum modo, você ouviu meus conselhos... Vejo que está muito bem e feliz. O corpo de Claire enrijeceu instantaneamente sob o cobertor, os dedos apertando os meus com uma força que quase doeu, unindo susto e ao que se podia ver, uma certa raiva. Levantei os olhos, confuso, e vi uma mulher se aproximando. Aparentava ser mais velha que nós, tanto quanto eu e ela ou quanto o restante da nossa turma, já era uma mulher, na verdade. Ela tinha cabelos ruivos vibrantes, caindo em ondas soltas até os ombros, e usava um short jeans desfiado e um biquíni verde - escuro, as tiras visíveis sob uma camiseta leve que balançava com o vento da praia. Seus olhos em tom de esmeralda, grandes e expressivos, estavam fixos em Claire, carregados de uma mistura de alívio e hesitação. E eu, óbvio, não a conhecia, mas pelo jeito que Claire reagiu, ficou claro que havia história ali. Claire virou a cabeça devagar, os olhos escuros faiscando com algo que eu só podia descrever como raiva pura. Ela soltou minha mão, o cobertor escorregando dos ombros enquanto se levantava quase em um pulo pronta pra dizer algo, a voz saindo afiada como uma lâmina. - O que você quer, Acerá? Me deixe em paz, sai daqui! O grupo ao redor da fogueira ficou em silêncio por um segundo, as risadas morrendo no ar. Matthew, que estava virando espetos na grelha, olhou na nossa direção, franzindo a testa. Sarah, sentada no cobertor ao lado, arregalou os olhos, claramente sem entender o que estava acontecendo. Eu me levantei rápido, colocando uma mão no ombro de Claire, tentando acalmá-la. - Calma, meu anjo, ela só... está tentando ser gentil. falei, a voz baixa, mas firme, ainda sem entender quem era aquela garota ou por que Claire estava tão alterada. Mas ela virou o rosto para mim, os olhos ardendo com uma fúria que eu não via há horas, desde que havíamos deixado aquele pesadelo para trás. - Cala a boca, Ethan! Você nem sabe quem ela é! Ela disparou, a voz tremendo de raiva, mas com um toque de dor que me fez recuar. Suas palavras foram como um tapa, e eu senti um aperto no peito, mas engoli a resposta, sabendo que agora não era o momento de discutir. Acera deu um passo para trás, as mãos levantadas em um gesto de rendição, os olhos brilhando com algo que parecia medo e preocupação. - Ei, eu... eu não vim aqui pra te incomodar, é sério... disse ela, a voz suave, mas carregada de emoção. - Eu só... vi você aqui e pensei... pensei que talvez fosse bom te ver sorrindo, depois daquela nossa última conversa, você... Sabe... - Sorrindo? Claire riu, um som amargo que não combinava com ela. - Você não sabe de nada, Acerá. Nada! Você não tem ideia do que... Do que aconteceu comigo... Ela disse gaguejando um pouco, enquanto lágrimas caiam de seus olhos e eu percebi suas mãos ficando trêmulas. A mulher, Acerá, mordeu o lábio, os olhos marejando, quase chorando também, mas ela manteve o tom calmo, e cuidadosamente se aproximou de Claire. - Tem razão, Claire. Eu não sei, eu não tive a oportunidade de conversar com você corretamente pra saber ou tentar te conhecer, mas eu sei que você me odiou quando eu disse pra você deixar o Rafael. Eu sei que você gritou comigo, que me mandou sumir... mas eu só queria te ajudar. Eu só queria proteger você, desde o início... Isso era tudo oque eu queria. Ela pausou, engolindo em seco, a voz falhando. - Eu me preocupava com você. Ainda me preocupo, e mais do que tudo, eu sei muito bem como é estar no seu lugar. Claire cerrou os punhos, o corpo tremendo, e por um momento, achei que ela ia avançar. Coloquei uma mão no braço dela, não com força, mas o suficiente para lembrá-la que eu estava ali. - Ei, respira... murmurei, tentando trazê-la de volta, mas os olhos dela estavam fixos em Acera, como se ela fosse a personificação de tudo o que Claire queria esquecer. - Sai daqui... Porfavor. Eu não quero saber de você, não quero saber do Dylan, e não quero saber dele. Ela disse enquanto chorava, o tom de ódio e repulsa queimando como fogo. Dylan? Que merda... Está acontecendo? Quem são essas pessoas? O peso das palavras dela caiu sobre todos nós. O grupo estava quieto agora, alguns olhando para o chão, outros trocando olhares desconfortáveis. Matthew deu um passo à frente, hesitante, como se quisesse intervir, mas parou, percebendo que isso era maior do que ele podia entender. Mas então Acerá abaixou a cabeça, os cabelos ruivos caindo sobre o rosto, e vi uma lágrima escorrer pela bochecha dela antes que ela a enxugasse rapidamente. - Eu só quero que saiba que eu nunca quis ser sua inimiga... disse ela, a voz tão baixa que quase se perdeu no vento. - Ao te ver naquele dia, eu apenas... vi você tão manipulada, tão perdida, e quis te ajudar. Quando eu te disse pra fugir dele, eu só queria que você ficasse segura. Afinal, isso era oque eu queria que uma mulher fizesse por mim no passado... Ela ergueu os olhos, encontrando os de Claire, e havia uma sinceridade crua ali, algo profundo, algo que apenas elas sabiam, e que eu não conseguia entender. - Enfim, fico feliz em te ver aqui, com seus amigos, com... Ela olhou para mim com um sorriso de alívio, hesitando, antes de continuar. - Com alguém que parece cuidar de você de verdade. Isso é tudo o que eu sempre quis pra você. Desde que te vi pela primeira vez. Claire abriu a boca, como se fosse responder com mais veneno, mas nenhuma palavra saiu. Seus olhos brilhavam, não só de raiva, mas de algo mais profundo. culpa, talvez, ou o peso de lembrar aquele momento em que Acera tentou avisá-la e ela não ouviu. Eu sentia o coração dela batendo rápido sob minha mão, o corpo ainda tenso, mas agora com uma hesitação que não estava ali antes. - Ei... falei, me virando para Acerá, mantendo a voz calma, mas firme. - Eu... acho melhor você ir embora, não é um bom momento... Acerá assentiu lentamente, os olhos ainda fixos em Claire por um segundo, como se quisesse dizer mais, mas soubesse que não adiantaria. - Tudo bem, entendo. Eu não quero incomodar, então... bem, estou indo. disse ela, forçando um sorriso triste que não escondia a mágoa. - Mas fico feliz em te ver feliz, Claire. De verdade. E se precisar de algo, porfavor, fale comigo. Olha... Ela pegou um papel amassado do bolso de seu short jeans, e esticou sua mão para Claire. - Assim que te vi eu anotei meu número pra você, então... Se precisar, venha falar comigo. Claire então não pegou o papel, mas acerá se abaixou e deixou ao lado dela na areia, com um sorriso triste e deu meia-volta, os ombros caídos, começando a caminhar pela areia, o vulto do short jeans e do biquíni azul sumindo na direção das dunas. O silêncio que ficou era pesado, quebrado apenas pelo crepitar da fogueira e pelo som distante das ondas. Claire ainda tremia, os punhos cerrados, mas agora os olhos dela estavam marejados, e eu sabia que não era só raiva. Era tudo, o passado, Rafael, as coisas que ela carregava e que eu só podia imaginar, mas nunca sabia cem por cento oque era. Então, eu a guiei para um canto mais afastado, perto das dunas, onde o som da fogueira e das risadas ficava mais distante. - Senta aqui comigo... falei, a puxando para a areia, ainda segurando sua mão. - Vamos respirar um pouco, só nós dois. Ela se sentou, os joelhos dobrados contra o peito, o olhar perdido no horizonte escuro. O vento soprava os cabelos dela, e eu podia ver o esforço que ela fazia para não desmoronar. Depois de um longo silêncio, ela finalmente falou, a voz baixa e rouca. - Eu... fui horrível com você, Ethan. disse ela, sem me olhar, os dedos brincando com a ponta do cobertor. - Não devia ter falado daquele jeito, te mandado calar a boca. Você não merecia isso. Me desculpa... Eu pisquei, surpreso, mas um sorriso suave escapou dos meus lábios. Estendi a mão, tocando o rosto dela com cuidado, virando-o para mim. - Ei, meu anjo, tá tudo bem. Falei, a voz suave, mas firme. - Você estava nervosa, eu entendo. Não precisa se desculpar. Ela balançou a cabeça, os olhos brilhando com lágrimas que ela tentava segurar. - Não, eu preciso sim.... Você está aqui, fazendo tudo por mim, e eu... eu estou te tratando mal. Não é justo. Ela engoliu em seco, a voz tremendo. - É só que... você não sabe quem ela é, e eu não expliquei. Só... explodi. Eu acariciei a bochecha dela, sentindo a pele fria sob meus dedos, e sorri. - Claire, eu sei que você tá carregando muita coisa. E eu não vou a lugar nenhum, mesmo que você exploda de vez em quando. Pisquei, tentando aliviar o clima. - Só me avisa antes, pra eu me preparar. Ela riu, um som fraco, mas ainda triste, e se inclinou contra mim, a cabeça descansando no meu ombro. - Você é bobo... murmurou, a voz mais leve agora. - M-Mas obrigada por não desistir de mim... Obrigada por ficar... - Eu sempre vou ficar. respondi, beijando o topo da cabeça dela. - Agora, respira fundo. Vamos voltar pra fogueira, curtir um pouco mais. Ou, se quiser, a gente pode ir embora. Você decide. Ela levantou os olhos, o brilho neles um pouco mais suave, menos carregado. - Acho que... quero ficar mais um pouco... disse ela, hesitante, mas com um toque de determinação. - Não quero deixar ela... ou ele... estragarem isso. Eu assenti, orgulhoso dela, e peguei sua mão, entrelaçando nossos dedos. - muito bem, garota. Vamos ficar aqui então. Sorri enquanto a olhava, e ela abaixou a cabeça, ainda parecendo pensativa, e com uma confusão interna enorme que parecia engoli-la. - Ethan, eu... Preciso te contar algumas coisas... Mas você... Promete que não vai fugir de mim? Ou que... Não vai... Me entregar pra polícia? Ela disse agora em um tom baixo e pensativo, ainda sem me olhar, e eu estremeci. Não por medo, é claro, mas ao imaginar oque viria pela frente, ou oque ela diria... - Ei... Porque acha que eu faria algo assim? Eu prometi estar com você, Claire. De todas as maneiras, e eu vi tudo aquilo lá na casa dele... Todos aqueles... Corpos... E não te julguei, você sabe disso. Porquê é que eu te julgaria ou te condenaria agora? Se eu até fiz parte? De certo modo. Falei a verdade, e realmente era, em um tom mais baixo pra que apenas ela ouvisse. Eu ajudei Claire a literalmente, enterrar seu passado, então não faria sentido entregá-la. Ela então assentiu, e me olhou, ainda com aquele olhar pensativo que me preocupava. - Eu sei, é só que... Oque vai vir agora é diferente de tudo que você viu ou ouviu de mim. Só porfavor, não me... Deixe. Ela disse e eu neguei, passando meu braço pela sua cintura, a abraçando. - Jamais, meu anjo. Eu sei que tudo oque aconteceu tem um porque, e eu apoio você. Porque eu sei de tudo que você teve que enfrentar até aqui. Fique tranquila. Eu disse enquanto me inclinava pra beijar sua testa, e ela assentiu, enquanto se virava pra me olhar. - Você se lembra... Daquele dia em que fomos pra CreamDonuts? que fomos de bicicleta e estava chovendo... Ela começou, agora desviando o olhar de mim e focando na areia que cobria seus pés. Ah... Como esquecer aquela noite incrível... - Sim, eu lembro. Foi uma das melhores noites da minha vida. Oque tem? Eu disse enquanto a olhava, e ela assentiu. - Também devo dizer que foi a melhor... Ou talvez, a pior... Porque foi ali, naquela sorveteria, que conheci ele. Ele? Ela quer dizer que... Conheceu Rafael naquela noite? Como? Como, sendo que... Ela estava comigo? E porquê é que eu não vi? - Oque? Você quer dizer... Naquela mesma noite? Perguntei, assustado e sem entender. - Sim... Ele estava lá, em um canto ao lado da janela assim como nós, mas do outro lado da sorveteria... Droga... Eu estava ao lado dela, como não vi? Pensei, enquanto a ouvia. - Bem... Se lembra de quando fui ao banheiro e você ficou me esperando? Apenas assenti, enquanto a olhava, esperando que ela continuasse. - Na verdade fui atender uma ligação da minha madrasta... E como você já deve imaginar, ela me ligou pra me humilhar e me controlar como sempre fez... E óbvio, ao ouvir aquelas... C-coisas todas eu comecei a chorar, e sai do banheiro... Ela disse enquanto, suspirava fundo, as lágrimas já começando a se formar em seus olhos. - E eu estava cega, cega de tristeza, de nervosismo, as mãos trêmulas sabendo que logo eu teria que voltar pra casa e sofrer novamente, mas... Como eu nem estava olhando pra frente, acabei me esbarrando... Nele... Acabei derrubando o milkshake que ele tinha comprado, sujando a roupa dele, mas... Ele foi tão... Cordial... Tão doce... Ele me segurou pra que eu não caísse, e disse que eu não deveria me preocupar com o sorvete. Oque...? Então... Ela o conheceu assim? No mesmo lugar que eu? Na mesma noite em que estávamos juntos? Ah... Merda. Mas eu sei porque não vi aquilo tudo... Eu estava fazendo um novo pedido no balcão, droga... Agora sei porquê não o vi com ela... Mas... Ela não me disse nada sobre Rafael, nem naquela noite, nem no dia seguinte... - Foi tão cordial com você... Mostrando algo que não era é claro. Eu ri, um sorriso triste e preocupado, me lembrando do dia em que ele abusou dela na minha frente, e tentando associar com oque ela havia acabado de me contar, vendo que nem parecia ser a mesma pessoa. Ela então me olhou e assentiu. - Pois é... Enfim, pra mim aquele momento foi só algo cotidiano e idiota, simplesmente um estranho que eu esbarrei por descuido, mas... Enquanto estávamos na mesa conversando, eu senti que ele não parava de... Me olhar. Era como se... ele já soubesse do que aconteceria apartir daquele momento em diante... - Eu vi que você estava estranha e aérea depois que voltou, mas achei que fosse só pelos seus pais ou... Sei lá... Eu disse enquanto a ouvia, e ela deu de ombros. - Quem me dera fosse... Enfim, o pior ainda vai vir. Ela disse enquanto colocava seus longos cabelos loiros pra trás, os deixando atrás da orelha, e eu dei risada, uma risada triste e incrédula. - Oque pode ser pior do que saber que você conheceu ele bem diante dos meus olhos e eu não vi? Eu coloquei as mãos nos joelhos enquanto olhava para a fria e escura água do mar, e ela negou com a cabeça. - Sabe quando... Minha madrasta me ligou de novo, me mandando ir embora e eu decidi ir sozinha? E pedi pra que você não me levasse? Assenti, já imaginando oque viria. - Eu fui de apé e não de táxi, pra aliviar um pouco a mente, pois eu estava muito triste e com medo do que eles fossem fazer comigo assim que eu chegasse, eu estava cansada, Ethan. Eu não queria mais cicatrizes, não queria mais do meu cabelo sendo arrancado por eles, não queria... Sofrer mais... E então, um velho maldito começou a me seguir no meio da chuva, naquela rua escura dizendo coisas horríveis, dizendo que... Iria... Me pegar e fazer coisas que me deixaram com ainda mais medo naquela hora. Que droga... Se eu tivesse a levado pra casa... Eu devia ter insistido em levá-la naquela dia, que droga eu estava pensando? - Eu imagino, meu anjo. Se você soubesse o quão preocupado eu fiquei com você naquela rua escura... me arrependo por não ter insistido em levar você, enfim, infelizmente já passou, espero que me perdoe por isso. Falei enquanto ela rapidamente se aproximava mais de mim, segurando minha mão, oque enviou um choque maravilhoso pro meu corpo. - Não, Ethan, Você não tem que pedir perdão, você fez tanta coisa por mim... E eu precisava pensar naquele dia. Ela disse enquanto tirava os olhos de mim, os focando na água fria, escura e gelada do mar. - Eu sei, mas... Me diga, meu anjo. Esse tal velho fez algo com você? Ele te machucou? Perguntei, preocupado, o peito apertado pensando no pior. Mas ela então negou com a cabeça, e me olhou. - Ele não fez nada, mas meu medo era que isso acontecesse... E-Então entrei em Pânico, estava tremendo muito e tentando achar algum lugar ou alguém que pudesse me ajudar, a chuva estava aumentando dificultando minha visão e ele... Conseguiu me alcançar, naquele momento eu estava em um Pânico terrível, eu... Fui jogada por aquele velho maldito no chão, e ele estava... Começando oque queria, mas... Ela pausou por um segundo que pareceu uma eternidade, e a ansiedade começou a matar meu coração. - Merda, que merda, eu... Deveria ter te levado em casa... Soquei a areia enquanto suspirava fundo, mas ela, como um anjo puro e doce que desceu do céu, me abraçou forte e me olhou nos olhos. - Você já fez muito por mim, Ethan. Oque aquele maldito tentou fazer não é culpa sua, mas não se preocupe... Ele não fez nada, eu juro. Ele... Nem está mais entre nós. Morto? Me virei rapidamente e a olhei, e então ela continuou. - Sabe... Os fogos de artificio no ano novo? Ou quando há uma grande festa? Ela começou, enquanto olhava para o céu, tirando os olhos de mim por poucos segundos. - Sim, eu sei. Mas oque isso... Tem haver? Perguntei, e ela abaixou a cabeça e quanto continuava. - Ele estava lá, Ethan. Rafael estava me seguindo, e viu oque estava prestes a acontecer, ele estava com uma arma grande que provavelmente tinha um silenciador e atirou na cabeça... Dele... O sangue... Os miolos... Tudo voou, por todos os lados... Como... Fogos de artificio vermelhos, e quando ele caiu... Ele nem parecia mais humano. Que... Droga... Bom, ele tinha razão. Se ele não tivesse matado o velho, provavelmente algo pior teria acontecido com Claire, eu nem quero imaginar, droga... - Então ele já é familiarizado com armas... Já imaginava. Mas bem, nesse caso e no do seus pais, eles mereceram, não gosto de concordar com aquele desgraçado, mas... Até o momento ele fez o certo. Claire então assentiu, e me olhou rapido, logo desviando o olhar novamente, com medo de que alguém mais estivesse ouvindo nossa conversa. - Não imagino oque teria acontecido comigo se ele não tivesse matado aquele mendigo nojento... Ela negou com a cabeça, enquanto voltava os olhos para o mar. - nem eu. Levei minha mão até a dela e a olhei, e então ela suspirou fundo e me olhou de canto também. - Sabe... Naquele momento, a minha madrasta me ligou de novo, e eu vi várias mensagens dela me humilhando novamente, prometendo mais dor e sofrimento pra mim, e então eu... Comecei a sentir inveja de como o velho estava... Morto, em paz, apagado pra todo sempre, e comecei a ver em Rafael uma oportunidade de fugir do mundo... De uma vez por todas. O que? Ela... Não pediu pra ele matá-la, não é? - Claire... Porfavor, você não... - EU IRIA SER ESPANCADA DE NOVO NAQUELA NOITE, ETHAN, EU ESTAVA DESESPERADA, ESTAVA CANSADA!! Ela disse em um tom mais alto, enquanto seus olhos pareciam querer chorar, mas os arregalou assustada, achando que alguém tinha a ouvido, mas sua voz foi abafada por mais uma música do Artic Monkeys " No 1 party anthem" que tocava ao fundo, enquanto os outros ouviam e conversavam alegremente, dispersos a nós. Droga... Que droga... Claire estava... Em um estado de tristeza pior do que eu imaginava. - Você não deveria fazer isso, meu anjo... Olha, estamos juntos nessa, você deveria... Ter me avisado, eu daria um jeito, eu te levaria pra minha casa ou sei lá, mas não deixaria você ser machucada de novo! Ela então me olhou, e negou com a cabeça. - Meus pais eram loucos, e eles odiavam você, não é tão fácil quanto parece, Ethan... E sim, eu pedi pra ele me matar, implorei, me ajoelhei, mas ele se negou e até riu de mim, me perguntando o porquê eu não me cortei, ou não me joguei de um prédio alto... Que eu poderia muito bem fazer aquilo sozinha, ai me irritei e disse que se ele me deixasse viva, eu iria denunciá-lo. Levei as mãos a cabeça, e suspirei fundo, enquanto ouvia aquilo. Eu deveria ter levado ela pra minha casa naquela noite, que merda. Que merda! - Eu deveria ter insistido em estar com você naquela noite, meu anjo, me perdoe, porfavor... Eu disse enquanto sentia meu peito doer, como se fosse explodir. E ela negou, me abraçando mais forte, seu corpo molhado contra o meu ali, naquela praia escura e fria, distante de todos, alheios ao restante das pessoas, vivendo apenas dentro dos nossos próprios problemas. - Porfavor, pare Ethan. Nada do que aconteceu foi culpa sua... Minha vida literalmente só existe pra ser de dor e sofrimento, e outra coisa, tudo isso... J-Já passou. A abracei de volta, enquanto a ouvia. Sim, já passou, mas... Muitas coisas poderiam ser evitadas. Droga - Eu sei, pequena, mas é difícil pra mim ouvir tudo isso e perceber que eu não fiz nada pra mudar oque aconteceu. Ela então negou e segurou minha mão, seus dedos fofos e macios entre os meus. - Você fez tudo que podia, eu sei disso... Ela falou enquanto acariciava minha mão, olhando para o horizonte. - Ei... Naquele momento, Rafael ficou extremamente incrédulo com oque eu falei, já que eu disse que iria denunciá-lo, sendo que ele literalmente havia acabado de me salvar, ele disse que eu era ingrata, que eu não merecia a piedade dele, ele me segurou pelo pescoço tirando meu ar, e disse que iria me encontrar novamente e iria me fazer ser grata da pior forma possível, e foi embora, me deixado ali na chuva, sozinha, quebrada, e com apenas um único lugar pra ir: minha casa, e eu sabia que pelo horário, eu iria sofrer de novo, eu iria apanhar de novo, e eu não queria... Voltar... Então eu gritei no meio da chuva, naquela rua escura, de dor e medo, e mesmo tremendo e sabendo do que iria acontecer, eu fui pra casa. Ela disse enquanto suspirava fundo e naquele momento, após ouvir tudo aquilo, eu só negava com a cabeça, com raiva de mim mesmo por não ter sido homem o suficiente pra protegê-la como ela precisava. - Eles te machucaram de novo então... Não é? Perguntei, com os olhos marejados e uma expressão de raiva visível a metros de distância. - Muito. Eu cheguei em casa, tremendo, tentando não fazer barulho, mas eles me espancaram, minha madrasta e meu pai, eu gritava, mas ninguém aparecia, eles me agrediram no estômago e meu ciclo parou por semanas... A dor me fez vomitar horas depois... Tanto é que naquela noite, molhada da chuva, eu nem sequer me troquei, eu apenas me deitei na cama, ainda molhada e apaguei. - Seus pais mereceram oque aquele desgraçado do Rafael fez com eles, Claire. Eu espero que eles estejam queimando na porra do inferno agora por tudo que fizeram com você. A cortei antes que ela continuasse, uma lágrima caindo dos olhos, a ansiedade me atingindo como um tapa. - Ele dizia a mesma coisa... p-pelo menos nisso ele estava certo. Assenti enquanto, olhava, e ela então continuou. - No outro dia... Aquele em que eu cheguei as nove da manhã... Foi por isso, Ethan. Eu estava cansada, quebrada, morta por dentro. E acabei perdendo a hora. Ela disse enquanto suspirava fundo, olhando pro mar adiante. - Eu vi que você estava distante, parecia ainda mais triste, mas eu não sabia ao certo porque. Aquilo me deixou louco aquele dia. Ela então me olhou, e abaixou a cabeça olhando pra areia. - me desculpe se te preocupei, mas naquele dia eu estava fora de mim, tanto é que eu cheguei as nove e ainda assim nem entrei na escola... Eu estava lá na frente, sentada no banco, olhando pro nada, me preparando pra enfrentar a escola mais uma vez, as risadas, o bullying, e agora um assassino atrás de mim, porquê pra minha surpresa, eu vi ele na frente da escola naquele dia, e assim que ele me viu, ele veio até mim. Parecia até mais humano, na verdade, nós conversamos e ele se sentou do meu lado, ele queria saber meu nome... E depois se despediu de mim e foi embora. Me deixando ali mais uma vez, sem entender nada, extremamente confusa, e com a certeza de que eu o encontraria novamente. Ele foi na nossa escola? Que desgraçado... Não acredito... E eu sequer o vi... Assim como quando ela o conheceu. - Ele foi te ver na escola? Naquele dia de manhã? Eu... Nem sequer o vi em nenhuma dessas duas vezes, como pode isso ter acontecido diante de mim... Ela então deu de ombros e assentiu. - Sim... Até eu me surpreendo, já que você sempre está por perto... Enfim, sabe quando jogamos basquete naquele mesmo dia e fomos embora? E então você só achou minha mochila jogada no chão? Sim, eu me lembro... Aquele dia me despertou um medo terrível de que algo tivesse acontecido com ela, e então eu deixei sua mochila em sua casa, e mandei mensagem pra ela. - Eu lembro, meu anjo. Fiquei com medo de algo ruim ter acontecido com você, já que sua mochila estava no chão, e você não estava por perto. Ela então assentiu, confirmando oque eu já suspeitava. - Eu fui sequestrada, por ele... Rafael me sequestrou, e me levou pra casa dele... Eu só descobri que havia sido ele quando acordei e o vi. Eu estava em um quarto vermelho... Cheio de ferramentas e um cheiro terrível e forte de sangue, amarrada em uma cadeira, lá ele disse que iria me dar uma lição sobre gratidão, bem como um acordo que fizemos horas depois também, já que ele me torturou e me machucou, mas eu não me importei, e então ele ameaçou minha família... Ameaçou você... E viu que minha fraqueza eram as pessoas próximas a mim, e logo ele disse que não machucaria ninguém se eu o obedecesse daquele dia pra frente, e fizesse tudo oque ele queria, e eu prontamente aceitei, e ficamos presos a esse acordo. Filho da puta maldito... Ele a machucou, que merda... Que... Droga... Mas já era de se imaginar, considerando o quanto ele era doente. - Que droga, Claire... E até quando esse acordo durou? Perguntei, a olhando, e ela encarou o chão, os olhos escuros agora cheios de lágrimas. - Até... Virar amor... Ela disse enquanto chorava, e eu me segurava pra não ficar com ainda mais raiva de mim mesmo. Amor... - Você se apaixonou por ele com o tempo, não é? Mesmo aquele desgraçado te ferindo e testando seus limites? Perguntei, sentindo meus olhos lacrimejarem também. Merda.. tantos caras... Tudo bem, não ligo que ela não me ame, mas poderia ser qualquer um... Qualquer um, droga! - Infelizmente... Sim... Ethan, eu... Fui tratada de maneiras que eu sequer consigo expressar corretamente por agora, ele... Me machucava, mas... Era doce comigo também, as vezes... Nós saíamos, ele me presenteava... Ele dizia que eu era a garota dele, ele já matou por mim tantas vezes, e Arielle... Ele a matou. Naquele mesmo dia na enfermaria e me levou pra casa, me fez sentir a garota mais preciosa do mundo... Fora as vezes em que ele me fez sentir desejada, me fez sentir coisas que eu achei que nunca sentiria em vida... Rafael por mais agressivo e doente que fosse, me fez viver, mesmo entre a dor, entre assassinatos que eu não consigo nem contar, ele me fez viver de verdade. Ela disse enquanto chorava e se encolhia ali, olhando para o mar. Senti as lágrimas caírem dos meus olhos, ao ouvir novamente o quanto ela o amava, mesmo ele sendo um maníaco totalmente doente, e agora, eu havia descoberto que ele era mais que isso. Era um assassino. - Você poderia ter se apaixonado por qualquer um, Claire. Eu comecei, sentindo minha voz embarganhada pelo choro, que estava ainda mais intenso, enquanto a brisa fria tentava secar minhas lágrimas. - Mas porque ele? Perguntei, mesmo sabendo que não havia uma justificativa exata. - Ele era louco. Assim como eu. Eu não sou uma garota comum, Ethan, nunca fui. Desde que minha mãe morreu na minha frente, toda e qualquer perspectiva de vida que eu tinha, acabou. Ela disse enquanto eu assenti, ouvindo aquelas palavras cortarem mais que uma faca recém afiada. - Era notável o quanto você o amava, mesmo sofrendo muito. Falei em tom baixo, levando aos mãos ao rosto pra secar minhas lágrimas. - Sim, eu fiz tudo, Ethan, tudo oque você pode imaginar, eu fiz por ele. Rafael era completamente doente... Ele... Tinha uma doença... Eu não me lembro o nome, mas era uma compulsão doentia por sexo... Em qualquer lugar, em qualquer momento, em qualquer... Situação. Perdi minha virgindade em um hotel com ele da forma mais bruta e dolorosa já existente, fora as outras vezes em que ele fazia aquilo, óbvio que acabava comigo, mas eu... Aprendi a gostar... Por ele... Merda. Ouvir aquilo era pior do que ser esfaqueado mil vezes, e eu, que nunca pensei em morrer, senti vontade de me jogar no mar e nunca mais voltar de lá. Droga. Mil vezes droga. E o pior de tudo... É que infelizmente a cena de quando ele transou com ela na minha frente voltou pra me assombrar. - Eu sei, até vi, pra minha infelicidade. Você sabe. Falei baixo enquanto senti meus olhos arderem de tanto chorar. - Sim, eu me lembro... Ela disse baixo, enquanto se encolhia com os braços sob os joelhos, tremendo um pouco com o vento frio da noite. - E ainda, com tudo isso, ele te traiu. Dei uma risada, mas não era de alegria, tampouco zombaria. Eu só... Estava incrédulo. Claire era perfeita... E ouvir da boca dela um pouco de tudo oque ela fez por aquele doente só me deixou ainda mais confuso. Ela fez tudo isso... se quebrou, se entregou por completo ainda virgem... E ele ainda a traiu. Como alguém pode fazer isso? Ainda mais com ela? Ela era incrível em todos os sentidos. - A-Antes de morrer... Ele me disse que havia feito aquilo pra me despertar a raiva pra matá-las de uma vez, mas... Eu não sei... Ela disse e eu ri, dessa vez com um pouco de sarcasmo. - Ah, claro. Ele queria te livrar do bullying transando com suas agressoras, em mundo nenhum isso faz sentido, Claire. Falei enquanto a olhava. - Ele só era um filho da puta mesmo. Se ele quisesse tanto assim que elas estivessem mortas, porquê não as matou com as próprias mãos igual fez com seus pais e com Arielle? Eu falei enquanto olhava para trás, pra ver se não tinha ninguém por perto. E não, não tinha. Todos ainda estavam dispersos, fora da nossa conversa, e aquilo me deu um alívio temporário. - M-Mas e se... For? E se ele queria que eu as matasse? Como... Vingança? Ela perguntou, e eu ri, a olhando enquanto negava com a cabeça. - Você acredita em papai noel também? Qual é, Claire? Isso não faz sentido, de jeito nenhum! Eu disse enquanto suspirava fundo, e ela olhava para a areia, os grãos finos e minúsculos voando junto com o vento, nos fazendo arrepiar ali, e então ela assentiu. - Você... t-tem razão... Isso não faz sentido... Ela disse baixinho, e me olhou. - É que... Pra meu azar eu... Ainda o amo, eu não posso deixar de amá-lo da noite pro dia, então... Estou tentando achar algo que justifique isso, por mais que logicamente não tenha justificativa... Ela apertou os olhos, e enxugou as lágrimas dando um suspiro fundo, que unia tristeza e dor. - Você precisa esquecer ele, meu anjo. Precisa tirá-lo da sua mente. Falei enquanto levava minha mão até a dela, fofa e macia, com o resquício da areia entre os dedos. - Eu... Eu vou me esforçar, vou me esforçar pra esquecer ele, as mortes, tudo isso. Ela disse enquanto suspirava mais uma vez, buscando forças pra prosseguir. - Então vamos juntos meu anjo, talvez voltar pra galera, comer mais e conversar um pouco com eles alivie nossa mente. Ela assentiu, e nos levantamos, Caminhando de volta para a fogueira, o calor das chamas nos recebendo. Claire se aconchegou ao meu lado, o cobertor sobre os ombros, e eu senti que, mesmo com tudo o que aconteceu, estávamos dando um passo à frente. Pequeno, frágil, mas real. O calor da fogueira nos envolveu quando voltamos ao círculo, as chamas crepitando alto, lançando faíscas que subiam em espirais contra o céu nublado de Cape May, uma das praias mais visitadas de nova jersey. O grupo já havia retomado o ritmo descontraído, as risadas ecoando enquanto Matthew narrava, com gestos exagerados, a vez que tentou surfar e acabou engolindo meio oceano, a prancha virando de cabeça para baixo na espuma. Claire se aconchegou ao meu lado no cobertor áspero, os ombros envoltos no tecido, os dedos entrelaçados nos meus com uma pressão suave, mas firme. Ela estava mais quieta após a nossa conversa, e o encontro com aquela mulher, mas havia um brilho nos olhos dela, um esforço palpável para se permitir aproveitar, como se estivesse lutando contra o peso do passado para encontrar um momento de leveza. E eu tentei me esforçar também pra esquecer tudo aquilo, ou eu iria enlouquecer... - Ei, Claire, pega um espeto. Sarah gritou, entregando um espeto de carne suculenta pra ela com um sorriso gentil. - Ah, obrigada... Ela agradeceu, e Sarah se abaixou, próximo dela. - Ei, você tá arrasando nesse biquíni. Sério, onde comprou isso? Parece coisa de capa de revista! Eu amo uma cor básica e simples, mas só acho alguns biquinis estampados e sem graça nas lojas daqui. Claire corou, o rubor subindo pelas bochechas pálidas enquanto puxava o cobertor mais para cima, como se quisesse se esconder. Ela parecia nunca saber absorver elogios... - Na verdade é... só um biquíni velho que não uso há um tempo, estava no fundo do meu closet... Ela murmurou, mas o tom dela era mais leve, quase brincalhão, e vi um sorriso tímido surgir nos lábios dela. Lucas, que tentava, sem sucesso, assar um marshmallow na fogueira, o palito tremendo enquanto o doce pegava fogo, olhou para nós, o rosto iluminado pelo brilho alaranjado. - Velho? Claire, esse biquíni tá causando mais que o churrasco do Matt! Ele riu, e Matthew jogou uma lata vazia de refrigerante na direção dele, que desviou por pouco, quase caindo na areia. - Ai sim em! Matthew gritou da grelha, apontando a espátula com um sorriso brincalhão. - Mas Claire, sério, experimenta a carne e me diz se não tá perfeita. Fiz com todo o carinho pra essa galera ingrata. Claire deu uma mordida hesitante no espeto, a carne brilhando com a gordura da mesma, e seus olhos se arregalaram, um gemido baixo de satisfação escapando dos lábios. - Tá... Muito bom. disse ela, quase surpresa, limpando um pouco do molho barbecue que escorreu no canto da boca. - Como você faz pra carne ficar assim tão suculenta? Matthew inchou o peito, claramente orgulhoso, enquanto virava outro espeto na grelha. - Segredo de família, Claire. Um toque de alho, um pouco de alecrim e muito charme. Mas, se você pedir com jeitinho, eu te ensino um dia. - Nem vem, ela não precisa dos seus segredos. retruquei, passando o braço pelos ombros dela e puxando-a contra mim, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. - Eu já faço sanduíches melhores que o seu churrasco. O grupo caiu na gargalhada, e Claire me olhou, revirando os olhos, mas com um sorriso brincando nos lábios. - V-Você é... convencido, sabia? disse ela, cutucando meu peito com o dedo, o toque leve enviando um arrepio pela minha espinha. - Só quando se trata de te impressionar, pequena respondi, piscando, e ela riu, um som leve e cristalino que fez meu coração acelerar como se fosse a primeira vez que a ouvia. A noite avançou com mais risadas e histórias. E a galera pegou um violão emprestado e começou a tocar uma versão meio atrapalhada de "Why'd You Only Call Me When You're High?", do Arctic Monkeys, as cordas desafinadas ecoando na praia. E quando a fogueira começou a morrer, deixando apenas brasas brilhando como pequenos rubis na areia, o grupo começou a se dispersar. Alguns pegaram suas coisas e foram embora, outros se enrolaram em cobertores para cochilar na praia. Claire bocejou, os olhos pesados, e se encostou em mim, a cabeça repousando no meu ombro, o cabelo úmido roçando minha pele. - Cansada, pequena? perguntei, acariciando os cabelos dela, os fios ainda úmidos do mar, macios sob meus dedos. - Um pouco... murmurou ela, a voz sonolenta, quase se perdendo no som das ondas. - Mas... foi bom. Não achei que ia conseguir me divertir hoje. Eu sorri, beijando o topo da cabeça dela, o cheiro de sal e shampoo invadindo meus sentidos, enquanto eu ainda tentava esquecer um pouco aquela nossa conversa, que ainda me assombrava. - Você merece se divertir, Clarinha. E eu vou te lembrar disso sempre que precisar. Ela levantou os olhos para mim, o brilho da fogueira refletindo nos olhos escuros, e sussurrou: - Como você faz isso, Ethan? Como você me faz sentir que... está tudo bem, mesmo quando não está? Eu ri baixo, apertando a mão dela, sentindo a suavidade da pele dela contra a minha. - Porque eu vejo você, meu anjo. E sei que você é mais forte do que pensa. Agora vem, vamos pra casa antes que você durma aqui na areia. Ela assentiu, rindo suavemente, e peguei a mão dela, ajudando-a a se levantar. Nos despedimos do pessoal, recolhendo nossas coisas, e logo chamamos um táxi. A viagem de volta foi silenciosa, mas confortável. Claire encostou a cabeça no meu ombro, os dedos entrelaçados nos meus, e eu senti o peso dela relaxando contra mim. O motorista, um cara quieto com um boné de beisebol, nos deixou na frente da casa dela sem dizer muito, e eu agradeci mentalmente por isso. Quando entramos na casa, o silêncio nos envolveu, mas agora era um silêncio quente, quase acolhedor. Claire subiu as escadas devagar, ainda de biquíni e short jeans, as tiras finas do biquíni visíveis sob a camiseta leve e molhada. - Ei... V-vou dormir no quarto, você pode vir se quiser... Ela disse e eu assenti. - É claro que quero, meu anjo. E então eu a segui até o quarto, e ela se jogou na cama, o corpo exausto caindo sobre os lençóis em tons de rosa e roxo, macios como nuvens. A luz fraca do abajur banhava o quarto em tons dourados, e o biquíni branco, ainda úmido do mar, colava-se à pele dela como uma segunda camada, destacando cada curva do corpo dela com uma precisão quase hipnótica. As tiras finas do biquíni abraçavam os ombros e a cintura, o tecido quase translúcido revelando a pele rosada por baixo, salpicada de gotas de água que brilhavam como pequenos diamantes. Meu olhar traçou a linha suave do pescoço dela, descendo até a curva cheia dos seios, o tecido esticando-se contra a pele, marcando cada contorno com uma delicadeza que fazia meu coração disparar. A barriga lisa subia e descia com a respiração lenta, e as coxas, parcialmente cobertas pelo short jeans, eram uma tentação que eu lutava para ignorar. Meu sangue aqueceu, o peito apertado com um desejo que misturava reverência e algo mais primal, algo que me fazia querer tocar cada centímetro daquela pele, mas me contive, sabendo que agora ela precisava de paz, não dos meus instintos. Então me deitei ao lado dela e a abracei, me concentrando em apenas dormir e descansar um pouco, mas era difícil pegar no sono ao lado da garota que eu tanto amava, já que eu só sabia admirá-la. Mas então, enquanto dormia, Claire se virou de lado, instintivamente se aproximando de mim, e seus braços envolveram minha cintura, puxando-me para mais perto. Seus seios, ainda contidos pelo biquíni, pressionaram-se contra meu peito, o tecido úmido e frio contrastando com o calor da pele dela, enviando um arrepio elétrico por todo o meu corpo. Senti a suavidade dela contra mim, o peso quente e macio dos seios, o ritmo lento da respiração dela roçando meu pescoço. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ela poderia senti-lo, mesmo dormindo. Meus dedos hesitaram, mas acabaram repousando levemente nas costas dela, traçando círculos suaves sobre o tecido da camiseta, tentando ancorar-me na realidade e não no calor que queimava dentro de mim. Ela era tão linda, tão frágil e ao mesmo tempo tão forte, ali, vulnerável, mas intocável, como uma chama que eu queria proteger, mas que também me consumia. De repente, um murmúrio baixo escapou dos lábios dela, quase inaudível, mas claro o suficiente para me fazer congelar. - Rafael... Sussurrou ela, a voz sonolenta, carregada de uma emoção que eu não consegui decifrar, quase um choro embarganhado. Meu coração parou por um segundo, o calor que sentia sendo substituído por um vazio frio e cortante. Rafael. O nome dele, saindo dos lábios dela, mesmo em sonho, era como uma facada. Ela ainda pensava nele? Ainda o amava, depois de tudo o que ele fez? A tristeza me atingiu como uma onda, misturada com uma pontada de ciúmes que eu não queria sentir, mas que não conseguia evitar. Meus dedos pararam nas costas dela, e eu olhei para o rosto dela, sereno, mas agora carregado com o peso daquele nome. Como ela podia ainda carregar ele no coração, depois de tudo? Eu queria sacudi-la, perguntar por que, mas ela estava tão vulnerável, tão perdida no sono, que eu só consegui ficar ali, o peito apertado, tentando entender o que aquele murmúrio significava. Até que ela, com um baque assustado, respirando fundo várias vezes, acordou e me viu a olhando, visivelmente triste. -E-Ethan? A voz dela, rouca e sonolenta, me tirou dos pensamentos, e eu quase pulei, sentindo o rosto esquentar. Ela estava de lado, os olhos semicerrados, me olhando com um misto de cansaço e curiosidade, os braços ainda ao redor da minha cintura, os seios ainda pressionados contra mim. - V-Você... está bem? Eu engoli em seco, forçando um sorriso para afastar a tristeza que ainda pesava no peito, e me inclinei um pouco, mantendo a voz baixa. - Tô ótimo, pequena. Só... te admirando. Falei , a voz mais grave, tentando esconder a turbulência dentro de mim. Ela corou, o rubor subindo pelas bochechas enquanto tentava puxar o cobertor sobre o corpo, mas os braços dela não se soltaram de mim, mantendo-nos próximos. - P-Para, você tá molhado e... parecendo um bobo. Ela murmurou, o tom dela era leve, quase brincalhão, e o sorriso tímido nos lábios dela era tudo o que eu precisava para tentar afastar o peso daquele nome. Por mais que parecesse que os pensamentos dela ainda estivessem no sonho que ela acabou de ter... - Um bobo que te ama. retruquei, ajustando-me na cama para ficar mais confortável, mas sem me afastar, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. - Dorme, meu anjo. Eu fico aqui até você pegar no sono. Ela assentiu, os olhos se fechando aos poucos, e não demorou muito para a respiração dela ficar lenta, o corpo relaxando completamente contra o meu, os seios ainda pressionados contra meu peito, o biquíni úmido deixando marcas sutis na minha camiseta. Fiquei ali, velando o sono dela, o cabelo loiro espalhado no travesseiro como um halo dourado, o rosto sereno, mas agora com a sombra daquele murmúrio pairando sobre mim. O amanhecer começou a clarear o céu lá fora, a luz cinzenta se infiltrando pelas cortinas, e eu sabia que precisava me mexer antes que o cansaço me levasse também. Com cuidado, desenrolei os braços dela de mim, sentindo a ausência do calor dela como um vazio físico, e desci para a cozinha, o chão frio sob os pés descalços. Fiz um café forte, o cheiro amargo e quente enchendo o ar, enquanto tentava afastar o aperto no peito. Rafael. O nome ecoava na minha cabeça, uma lembrança de que, mesmo estando tão perto dela, ainda havia partes do coração dela que eu não alcançava. Partes que ele já havia dominado, e que eu jamais dominaria. Mas, no fundo, eu sabia que ainda precisava conversar com ela sobre Rafael, sobre o que aquele murmúrio significava - não agora, mas em breve. Por enquanto, eu ia segurar a mão dela, estar ao lado dela, e lutar para que ela encontrasse a paz que merecia, mesmo que meu coração doesse com a realidade. A realidade dolorosa de que o coração dela, jamais pertenceria a mim.