Capítulo setenta e um : A Conversa.

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Eu dirigia pela estrada, com Dylan ao meu lado, eu não estava nem um pouco estável com aquela situação

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Eu dirigia pela estrada, com Dylan ao meu lado, eu não estava nem um pouco estável com aquela situação...
Estava confuso, como Dylan pode aparecer assim?
Espero que ele saiba que nem eu, nem acerá o perdoaremos fácil como pensa.
E falando nela,não vou aguentar essa porra de confusão sozinho.
Então virei numa curva sinuosa, que iria dar na casa de acerá, e continuei o caminho.
Dirigindo pela estrada neblinosa, até a pequena casa na floresta onde ela morava, era encantadora e aconchegante, mais parecia um chalé.
Morávamos um pouco escondidos do resto de nova Jersey, pois nada apagará nosso passado.
Ou presente, no meu caso.
Acerá como todos do clã Blacktide, foi uma criminosa, uma assassina de sangue frio.
E eu, continuo sendo.
- Rafael... pra onde nós e-estamos indo?
Perguntou Dylan, gaguejando um pouco, era perceptível em todos os pontos o quanto ele estava bêbado, ou drogado.
- Pra casa da única que restou junto comigo, a que guerreou até o último rival cair morto naquela neve, mesmo depois de todos os nossos terem morrido de forma cruel.
Falei, me lembrando do quanto aquele dia me foi maldito, de como senti a dor mais terrível do mundo ao ver meu melhor amigo agonizando em meus braços, vomitando sangue com uma bala no crânio.
Seus olhos verdes congelados, paralisados pra sempre.
Meu Sádismo meses depois, minha sanidade mental abaixando de vez enquanto eu colocava o corpo de Caio em um congelador pra mantê-lo comigo.
Eu não queria deixá-lo partir.
Eu sei que é errado e a porra toda, mas aquilo estava me fodendo todo.
O fato de ele não acordar mais, de eu não poder ouvir mais sua voz gentil e adorável...
Aquilo me deixava louco e puto pra um Caralho, então eu descontava em minhas vítimas, a cada redroom que eu fazia.
Assim eu ficava cada vez mais sádico.
E cheio de grana.
- Olha cara... mais uma vez, eu não sei oque deu em mim, eu só sei que queria viver....
Disse ele, enquanto levava uma mão ao bolso, pegando um cigarro e um isqueiro.
Viver?
Senti a raiva me dominar, e dei um soco no rosto de Dylan, o carro ficou desgovernado, e derrapava pelo asfalto.
- VIVER??? E VOCÊ ACHA QUE NOSSOS AMIGOS NÃO QUERIAM ESTAR VIVOS CACETE???
Gritei com minha voz grave e ameaçadora, soando com um pouco desprezo e ressentimento.
Logo levei as duas mãos ao volante e coloquei o carro no lugar, respirando fundo.
Dylan levou uma mão até onde o soquei, ele não tentou se defender nem nada, apenas vi seus olhos se encherem de lágrimas, e ele dar um sorriso leve e triste.
- Eu sei que eles queriam, Voltaire e Tânia iam se casar, Caio tinha muito pela frente com aquele olhar doce, eu poderia ter ajudado, eu sei, sei disso...
Lágrimas correram como um rio feroz de seus olhos, e ele as enxugou com a mão.
- peço apenas perdão e uma nova chance, à você e a acerá...
Pedia ele, enquanto respirava fundo pra se tranquilizar, e acendia o cigarro que estava em seu bolso, dando uma tragada enquanto continha as lágrimas.
Virei à direita, entrando numa pequena trilha, o asfalto havia acabado ali, onde há apenas mais um km, já chegaríamos na casa de acerá.
Olhei de canto para Dylan, não... Eu não o perdoaria com tanta facilidade assim.
Nem fodendo.
Avistei uma pequena e aconchegante casa, havíamos chegado.
E então parei o carro ali mesmo, perto das árvores.
- Desce do carro, e vem comigo.
Falei sério, ainda lidando com o fato de ter encontrado novamente esse filho da puta covarde, e desci do carro, fechando a porta, e logo em seguida ele desceu também.
Andamos pela floresta em direção à casa dela, porra, acerá não deve estar querendo papo comigo, já a ignorei várias vezes...
Como disse, mantinhamos sexo casual e quase sempre transávamos, mas assim que encontrei Claire...
A única garota que quero foder é ela.
Acerá já não me atrai tanto.
Sei que é muito rápido pensar nisso, mas é oque quero.
Andei até a porta da casa da frente, e toquei a campainha.
Esperei por alguns minutos, nada.
Olhei pelo vidro da janela grande e extensa, que estava fechada, e vi predador andando pela casa, parecendo confuso.
Dei leves batidas na janela, e ele rapidamente me viu e veio até mim, ficando de pé na janela.
- Oi bebê, cadê a acerá? Diz que o papai tá aqui.
Falei, e ele desceu da janela, voltando a andar pela casa novamente como se estivesse a procurando.
-Esse é o predador? Ele tá gigante.
Disse Dylan, enquanto tragava seu cigarro, soltando a fumaça que se misturava com a neblina fria.
- Oi Gatinho! Desculpe a demora, estava andando por aí.
Ouvi uma voz familiar me chamar e pelo apelido que havia me chamado, eu já sabia quem era.
Acerá veio até mim, e logo seu olhar se fez confuso, quando viu Dylan ao meu lado.
- Não acredito! E-esse é....
Antes que ela pudesse terminar, ele apagou e amassou o cigarro nas mãos, e o colocou em seu bolso.
- Sim sou eu, Dylan. Escuta acerá, eu...
Antes que ele terminasse, os olhei e cruzei os braços.
- Podemos conversar mais privadamente?
Falei, sério. Enquanto via o olhar de acerá ficar cada vez mais confuso com o fato de que o traidor, que tinha fugido naquele dia na guerra, havia voltado tão repentinamente.
- Podemos sim... Vamos lá pra dentro.
Ela disse e se virou de costas, seguindo até a porta de sua casa.
Fui até ela enquanto Dylan nos seguia mais atrás, e ela me olhou sem entender.
- Rafael, pode me explicar que merda tá acontecendo?
Perguntou ela enquanto abria a porta da casa.
- Logo você vai entender tudo.
Falei um pouco sem expressão, pois logo Dylan iria falar com ela sobre sua volta mesmo, então eu não precisava me preocupar.
Entrei na casa, e antes mesmo que eu percebesse fui empurrado fortemente contra o chão, olhei pra cima, enquanto sentia algo quente em cima de mim, e quando me dei conta predador estava me lambendo e abanando seu rabinho peludo e fofo.
Sorri de felicidade, e o apertei em um abraço.
- Que saudades papai estava de você...
Falei, me sentindo dominado por alegria enquanto sentia sua língua molhada em meu rosto, aquele momento em que eu me encontrava com meu cachorrinho, era só ali, que eu sorria inocentemente sem malícia alguma, era ali que eu sentia a verdadeira paz.
Então eu o Abraçava forte como sempre, me desligando dali e de todos,
Mas, agora eu tinha que ouvir oque aquele filho da puta do Dylan tinha pra falar.
- Sai de cima do papai, vai...
O puxei para o meu lado devagar, e quando olhei pra cima vi que acerá me olhava com um sorriso doce.
Era normal que todos achassem fofo o modo como predador me recebia.
Me levantei, passando a mão sob minha roupa pra tirar o excesso de pelo.
Predador era um husky gigante e peludo, então sempre soltava muito.
Dylan e acerá estavam sentados no sofá, e fui até eles.
- Diga oque queria nos dizer, Dylan.
Falei com minha voz grave, um tanto curioso, e cruzei os braços.
Predador veio até mim e se sentou no tapete que estava ao chão.
Acerá apenas o olhava, e Dylan então respirou fundo e olhou pra cima.
- Bom... eu queria muito pedir o perdão de vocês dois, que foram os únicos que restaram, são meus únicos  amigos, minha família, e...
O interrompi com sarcasmo.
- Agora somos sua família, é? E naquela porra de guerra quando você fugiu nos deixando em perigo, éramos oque???
Já estava puto com aquilo, e como disse, não iria perdoar ele, isso não estava nos meus planos de modo algum.
Sempre vou pensar que se esse desgraçado tivesse lutando junto com todo o clã, Caio e os outros não estariam mortos agora.

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