Capítulo cento e oitenta e nove: Salvá-la.

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Me aproximei da minha doce princesa, que estava encostada na parede, seu lindo rosto antes alegre e animado, agora estava tomado por oque parecia uma maré de sentimentos ruins

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Me aproximei da minha doce princesa, que estava encostada na parede, seu lindo rosto antes alegre e animado, agora estava tomado por oque parecia uma maré de sentimentos ruins.
Quando me aproximei e estava ao seu lado, toquei levemente seu ombro, tentando não assustá-la e a chamei falando em um tom mais baixo.
- Ei... você está bem?
Perguntei, visivelmente preocupado e ela rapidamente enxugou algumas lágrimas que estavam caindo de seus lindos olhos escuros, e me deu um sorriso aparentemente de fachada.
- E-Estou. eu só...
Sua voz ficou rouca, e ela parecia se segurar para não chorar naquele momento.
- porfavor m-me ignore, estou ótima...
Ela então se virou, prestes a se sentar em sua mesa, mas eu segurei sua mão vagarosamente, e entrelacei seus dedos aos meus, oque fez ela parar e se virar novamente pra mim.
- Clarinha... lembra do que você me disse hoje mais cedo?
Eu falei, levando uma mão até seu rosto, enxugando as lágrimas salgadas que caiam de seus olhos.
Ela então me olhou um pouco confusa, e negou.
- do que?
Ela perguntou, tentando entender oque era exatamente, mas antes de responder, eu sorri e acariciei seus cabelos macios e dourados, colocando uma mecha que estava cobrindo seu olho direito, pra trás de sua orelha.
- você me disse que nós somos amigos, e que devemos compartilhar nossos fardos... e bom, sobre isso, eu cumpri com a minha parte.
Me sentei na mesa à frente dela, e segurei suas duas mãos, olhando diretamente em seus olhos.
Aqueles olhos lindos, escuros, se pareciam como um abismo.
Um sumidouro no meio de um mar profundo e frio.
Eram os olhos mais lindos que já vi.
- Agora, meu anjo... porfavor, não deixe de cumprir a sua... e eu também quero que saiba que eu sempre estarei com você.
Acariciei sua mão macia e delicada, ainda me afogando no profundo vazio daquele olhar, sem saída.
Ela parecia estar triste com algo, desapontada, ou decepcionada... não consigo saber exatamente.
E tudo isso, depois de um número privado ligar para o celular dela...
Fico pensando se era sua madrasta ou seu pai.
Mas eles não iriam ligar de um número privado, eu tenho certeza que não...
- M-Me desculpe... eu... errei também, não era minha intenção fazer isso. é só que... isso dói muito.
Ela segurou o choro, mas eu a puxei para um abraço, a apertando com ternura e dando conforto à ela.
Droga... odeio vê-la assim...
Será que são mesmo os pais dela?
Oque ela quis dizer com " isso dói muito"?
- Pode ficar aqui e desabafar até que se sinta melhor, ok? Eu estou aqui. Sempre estarei...
Encostei sua cabeça em meu ombro, e dei um beijo em sua testa.
- Oque houve?
Perguntei, preocupado.
Se não eram os pais dela... Quem seria então?
Seria Lizzie ou Laurie passando algum tipo de trote?
- São as garotas? Ou são seus pais...?
Perguntei, acariciando seus cabelos, tentando acalmá-la.
Mas então, ela negou com a cabeça.
- N-Nenhum deles... é... a-alguém pior...
Naquela hora, meus olhos cerraram para a janela à minha frente, minha mente tentava de forma natural se acalmar, mas meu coração batia ainda mais rápido.
É claro...
Eu sabia muito bem quem era.
-...é o Rafael, não é? oque mais de ruim ele fez pra você?
Minha voz saiu preocupada, porém com uma certa raiva no tom.
Aquele cara era o próprio diabo.
Porquê é que ele a maltrata?
Eu me pergunto todos os dias... depois de ver aquela maldita cena dos dois... na minha frente.
Aquilo pra mim foi um abuso.
Mas, o pior é...
Porquê ela aceita isso?
A olhei, esperando por sua resposta, e ela assentiu, ainda chorando amargamente.
O tremor de seu corpo e sua voz triste me surravam, tudo que eu mais odiava era vê-la assim e não poder arrancar dela todo o sofrimento de seu peito.
Ah, como eu queria ter um poder assim...
Eu me tão sentiria realizado vendo ela sorrir...
Me sentiria leve, vendo meu anjo feliz, sem dor, sem preocupação...
Apenas alegria...
- Clarinha... olha, não sei oque ele te fez, mas tenho certeza que coisa boa não foi... escuta, ele abusou de você na minha frente! Me drogou e quase me matou com um tiro! Porquê você não denuncia ele?
Segurei levemente em seus ombros, e a olhei nos olhos ansiando sua resposta, já que era algo que eu sempre me perguntava.
Oque uma garota tão doce e amável faz com um homem assim?
- V-Você não entende, Ethan... nunca vai entender o quanto é difícil amar mesmo sofrendo tanto...
Ela levou as mãos ao rosto tentando conter suas lágrimas, mas acabou chorando ainda mais.
E então por um um momento, minha mente parou para absorver oque ela havia acabado de dizer.
Nunca vou entender oque é amar recebendo apenas sofrimento em troca... é?
Levei minhas mãos até as dela, frias e trêmulas, seus olhos estavam inchados de tanto chorar e ela abaixou o rosto, evitando me olhar.
Então eu levantei seu rosto para que nossos olhares se encontrassem, e sussurrei baixo perto de seu ouvido.
- Na verdade... Eu entendo sim.
Olhei em seus olhos, me afundando no obscuro profundo de suas íris que eram como um abismo mortal, sem saída.
E então, depois de alguns poucos segundos, ela pareceu ter entendido o que eu quis dizer e abaixou a cabeça, seus cabelos lindos e longos caindo sob os olhos.
- Bom... Mas no meu caso, ela apenas não consegue sentir o mesmo por mim, e tudo bem. Eu entendo. Ninguém é obrigado a amar ninguém, e assim cada um segue seu caminho. Dói um pouco... Mas eu preciso me acostumar e é isso, porém agora no seu caso... é totalmente diferente, Claire.
Falei em tom sério, querendo que ela tivesse ao menos uma gota de consciência naquele momento.
- Ele machuca você, abusa do seu corpo, brinca com seus sentimentos e explora seus limites, tem porte de armas e é um maníaco doente! Seja sincera, olhe nos meus olhos e diga... isso é amor pra você?
Levantei seu queixo, e a olhei no fundo dos olhos novamente.
E logo, sua íris escura e sem brilho foi tomada por um mar de lágrimas, e ela negou várias vezes.
- N-não... não é e nunca será amor eu sei, mas não consigo sair disso... não consigo deixar de amá-lo mesmo ele sendo um completo maluco!
Ela levou as mãos ao rosto, e chorou baixinho, suas mãos tremiam e ela parecia realmente perdida naquela confusão.
Droga... eu sei, Claire. Sei como é isso.
Eu também não consigo deixar de amar você, nunca vou deixar.
Fui até ela e a puxei para um abraço forte, com meus braços em volta do corpo dela, sua cabeça estava encostada em meu peito, e eu acariciei seus cabelos macios e dourados com meus dedos, até seu choro cessar aos poucos e ela se acalmar.
- Eu entendo o quanto isso dói, de verdade... Mas eu prometo que vamos dar um jeito nisso. Nós podemos denunciá-lo, assim você pode ter paz e não precisará mais sofrer tanto... eu te amo, meu anjo. e sempre estarei aqui por você.
Beijei sua testa, e então, ela me abraçou de volta, colando seu corpo ao meu.
Oque me fazia sentir seus...
Ah, não...
Naquele momento meu rosto esquentou, e eu tinha certeza que parecia um pimentão.
Ela era tão macia... ah droga.
Era perfeita em todos os sentidos.
- Eu... preciso pensar sobre isso, Ethan. m-mas obrigada por se preocupar tanto comigo... v-você parece até um irmãozão mais velho fofinho.
Ela sorriu, um sorriso ainda triste e frio, me abraçando ainda mais forte.
Irmão... é assim que ela me vê e sempre me verá...
- A-ah... eu pareço é?...
Falei em tom triste, mas me esforcei ao máximo para que ela não notasse.
- uhum...
Ela assentiu, se inclinando pra me abraçar mais, com sua cabeça deitada sob meu peito.
- Q-Que bom... e ah... Oque acha de lermos algo juntos? Você sabe, distrair a mente. Faz muito tempo desde que lemos pela última vez...
Uma das coisas que eu amava fazer com ela: ler.
Geralmente no intervalo, nós sempre comíamos juntos e depois procurávamos algum canto pra uma leitura agradável.
Riámos juntos dos personagens e acontecimentos, enquanto dividíamos os fones de ouvido, ouvindo nossas músicas favoritas.
Eu amava tanto aquilo...
Na verdade, qualquer momento com ela era tudo pra mim.
eu nem mesmo gostava de ler, e ela me fez gostar...
- É uma ótima idéia...
Ela então suspirou fundo, secando suas lágrimas e se soltou do nosso abraço.
Meu corpo sentiu falta do dela imediatamente, e eu só queria abraçá-la novamente.
Mas apenas sai de cima da mesa e me sentei na cadeira.
- Que ótimo, e então, que livro vamos ler? Podemos até ouvir uma música juntos.
Falei, a olhando.
- Sim, Eu.. Uhm... não lembro qual foi o último que eu trouxe em minha mochila... acho que foi o drácula de Bram Stocker...
Ela então pegou sua mochila em um rosa tom pastel com alguns chaveirinhos fofos e colocou em cima de sua mesa, a abrindo.
- Me dê só um minuto para procurar, deve estar aqui em algum bolso...
Ela tirou alguns cadernos, estojo, até conseguir encontrar o livro.
Em tons de preto e vermelho, com um morcego e letras distorcidas na capa.
Parecia interessante.
- Encontrei.
Ela colocou o livro na mesa, e guardou seus outros materiais.
- uau, o livro é tão bonito. Gostei do morcego na capa.
Passei meus dedos na mesma, abrindo a primeira página.
As páginas eram todas pretas com as letras brancas.
Que excêntrico.
- Vai gostar ainda mais da história, tenho certeza.
Ela se sentou corretamente em sua cadeira, se aproximando mais de mim, e segurou o livro de forma que nós dois pudéssemos ler juntos tranquilamente.
- Quando estiver pronto para ir para a próxima página, me avise e viramos a folha.
Ela disse com um sorriso doce. claro, ainda triste. mas eu espero que ela melhore ao menos um pouco após lermos juntos.
- Claro, podemos começar agora se você quiser.
Falei, a olhando de escanteio.
- Certo, então vamos para o primeiro capítulo.
Ela virou a página, e começamos a ler juntos.
Eu queria de verdade me concentrar na história, parecia realmente boa e tiraria minha mente de toda preocupação que eu estava sentindo por um tempo...
Mas eu não conseguia parar de pensar naquela ligação que ela recebeu, de um número privado.
Claire disse que era Rafael que havia ligado, e ela estava tão triste depois daquela ligação...
Que droga ele falou pra ela?
Eu queria saber, mas não vou incomodá-la mais com isso.
Ela já está muito mal, Claire precisa descansar sua mente ao menos um pouco agora.
Bom, mas sobre oque ele talvez tenha dito, tenho certeza que não foi coisa boa.
É impossível imaginar algo bom vindo dele.
- Que frieza, não? Empalar seus adversários e beber o sangue deles...
Claire disse baixinho, me olhando rapidamente, e eu saí um pouco de meus pensamentos.
- A-Ah... é, é mesmo.
Respondi assentindo, tentando esconder o quanto eu havia ficado distante naquele momento, deixando meus pensamentos me possuírem.
Ela então apenas sorriu, e continuou sua leitura atentamente.
Eu também tentava me concentrar, mas era quase impossível.
Droga, tudo que eu queria era vê-la feliz e em paz...
E o que mais me dói é que ela pode, mas não consegue sair de onde está.
- ...Claire?
Chamei seu nome em um tom baixo, e a olhei.
- S-Sim?
Nossos olhares agora haviam se encontrado mais uma vez.
- Quando quiser sair dessa situação, eu estarei aqui. Ok? Sempre estarei.
Coloquei seus longos cabelos atrás de sua orelha carinhosamente, e acariciei suas bochechas fofas e macias.
- Você não merece passar por isso, nenhuma garota merece.
Tirei minha mão de seu rosto e a apoiei sob a mesa, ainda sem parar de olhá-la.
- E-eu vou ficar bem. n-não se preocupe comigo, apenas... v-vamos continuar lendo...
Ela sorriu de forma seca e triste, forçada e dolorosa, uma lágrima ameaçando cair de seus olhos...
Naquele momento vi que fui idiota em tocar nesse assunto de novo,  e que só fiz ela sofrer ainda mais.
Droga...
Certo, oque eu realmente devo fazer é apenas ficar de olho nela e ver se aquele maníaco vai fazer mais alguma coisa.
E então eu vou denunciá-lo e fazer ele apodrecer atrás das grades.
Quem sabe assim ele não aprenda como se trata uma garota.
Não se preocupe, minha doce princesa.  Eu vou cuidar de você.
- Sim, Como quiser... vamos continuar.

 vamos continuar

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