Capítulo duzentos e quatro - deixando o passado pra trás.

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Os lençóis estavam retorcidos ao redor das minhas pernas, o tecido frio e úmido grudando na minha pele, como se quisesse me prender naquele pesadelo

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Os lençóis estavam retorcidos ao redor das minhas pernas, o tecido frio e úmido grudando na minha pele, como se quisesse me prender naquele pesadelo. Acordei com um soluço rasgando a garganta, o rosto encharcado de lágrimas quentes que escorriam sem controle, pingando no biquíni branco que ainda usava, seco agora, mas carregando o cheiro salgado do mar da noite passada, quando Ethan e eu caminhamos pela praia, sua mão quente na minha. Minha respiração era curta, o peito tão apertado que parecia que ia colapsar sob uma dor que não explicava. O quarto estava envolto na penumbra da manhã, a luz cinzenta vazando pelas cortinas, mas minha mente ainda estava presa no sonho que eu havia acabado de ter, junto a um lugar escuro onde o ar era pesado demais.

-

No sonho, pétalas de rosas vermelhas cobriam o chão, brilhando sob uma luz fraca. O perfume doce delas era sufocante, misturado a um cheiro metálico que arrepiava minha pele. E então, eu o vi. Rafael. Ele estava a poucos passos, os olhos azuis devoradores me prendendo como correntes que eu não conseguia quebrar. A camisa social preta abraçava seus ombros largos, o cabelo penteado para trás, daquele jeito que fazia meu coração disparar, mesmo depois de tudo. Ele era lindo, cruelmente lindo, com aquele sorriso torto que escondia segredos. Mas naquele sonho, ele não era o Rafael que eu conhecia, o assassino, o manipulador, o homem que me traiu com Laurie e Lizzie, naquela sala, a mesma sala onde dançamos juntos pela primeira vez, Não...
naquele sonho, ele era outro. Algo que eu queria desesperadamente acreditar que ainda existia.
- Meu bem...
murmurou ele, a voz rouca e grave que me fazia estremecer da cabeça aos pés, carregada de uma ternura perigosa, como veneno doce. Aquele apelido cortava como uma faca. Ele se aproximou, os sapatos pretos esmagando as pétalas com um som seco que ecoava no meu peito.
- Minha garota...
disse ele, os olhos brilhando com adoração e controle.
- Toda minha...
Eu tremi, não de frio, mas porque as PALAVRAS dele eram um feitiço, puxando-me para os dias em que eu fazia tudo por ele. Dias em que sujava as mãos de sangue em seu nome, cometendo atos que me assombravam, mas que ele recompensava com aquele olhar, aquele “Boa garota” que só ele sabia dizer e que de certa forma, me fazia sentir preciosa, mesmo sabendo que era errado. Ele estendeu a mão, os dedos ásperos roçando minha bochecha, e fechei os olhos, o calor do toque tão real que doía. Ele se inclinou, os lábios encontrando os meus, e o beijo foi uma chama que consumia tudo. Era intenso, quase violento, a língua dele explorando a minha com uma fome que me fazia querer me dissolver nele. Suas mãos deslizaram para minha cintura, os dedos apertando, como se quisessem me marcar. O calor do corpo dele engolia o frio, parecia que ele iria me foder ali mesmo, como sempre fez.
Sem hora, sem lugar. Apenas se deixando levar, e me levando também, para seus desejos doentes e loucos.
- Você é minha, Claire. Sabe disso, não sabe?
sussurrou ele contra meus lábios, a voz vibrando dentro de mim.
- Mesmo depois de tudo, você ainda é minha. Você nasceu pra mim, pra me servir, pra me satisfazer... Diga, alto.
Quis gritar que não, que ele não podia mais me ter, que me traiu com Laurie e Lizzie, que me usou, me manipulou, me arrastou para seus crimes. Mas minha voz estava presa, sufocada pelo desejo que ainda queimava, mesmo sabendo quem ele era, porque ele era cruel o suficiente pra me machucar e cuidar de mim, me deixando louca e confusa, mas... no sonho, ele não era o Rafael que ria com aquelas garotas enquanto eu chorava. Ele não era o assassino que me fazia carregar seus segredos. Era apenas o Rafael que me segurava como se eu fosse tudo.
Pois eu era um brinquedo em suas mãos...
Mas não qualquer brinquedo, era seu brinquedo.

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