capítulo oito: Oculto.

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Acordei devagar, meus olhos, escuros como a noite, se abriram lentamente. O quarto estava mergulhado em uma escuridão densa; já era noite. O silêncio era quase palpável.
Me virei na cama, ainda sonolenta, e com os olhos inchados de tanto chorar.
olhei ao lado. Ethan não estava mais lá. Os edredons que ele usou estavam dobrados e cuidadosamente guardados no meu guarda-roupa, como se ele tivesse saído às pressas. Onde teria ido?
Olhei pela janela e me deparei com uma noite fria e linda. As estrelas discretamente brilhavam, como se estivessem competindo umas com as outras, e a lua Nova pairava no céu, em um tom sutil que iluminava o mundo lá fora. Abri as cortinas com um movimento suave, permitindo que a luz da lua entrasse e enchesse o quarto de uma suavidade doce e calma. Aliviando minimamente a tristeza e o vazio dos meus olhos.
Levantei, sentindo a brisa fresca que entrava pela janela, e acendi a luz do quarto. Foi então que notei algo vermelho sob a penteadeira branca. Aproximando-me com curiosidade, descobri uma rosa vermelha perfeita. Um sorriso involuntário brotou em meu rosto. Isso tinha o toque inconfundível de Ethan.
Peguei meu celular na penteadeira e abri o WhatsApp. Mensagens dele me aguardavam.

"Clarinha, tive que voltar pra casa porque não tinha nenhuma roupa. E eu quero me arrumar pra sair com você."

"Nem banho eu tomei."

"Olha em cima da sua penteadeira, linda rosa, não é? A vizinha ligou pra polícia porque eu peguei do quintal dela. Espero que tenha gostado."

Um calor subiu pelas minhas bochechas. Ethan era realmente adorável, o garoto mais doce que já conheci. Ele se importava tanto comigo, e é por isso que eu ainda lutava para ficar aqui. Uma onda de felicidade me envolveu, trazendo uma sensação reconfortante. Eu estava feliz, pelo menos por um momento.
Com as mãos tremendo um pouco, digitei.

"Você é fofo..."

Ele visualizou rapidamente, como se estivesse esperando.

"Logo estarei aí, vamos ter a melhor noite de todas, loirinha,"

respondeu, enviando um emoji festivo logo depois.
Enviei uma carinha sorridente.

"Estou te esperando."

Bloqueei a tela do celular e o deixei na penteadeira. Quando me olhei no espelho, a realidade me atingiu: eu estava horrível. Meus olhos, ainda com marcas de cansaço e agressão num tom roxo e amarronzado, me deixaram envergonhada. Como eu poderia sair assim? Mas não havia muito o que fazer. Dei de ombros pra mim mesma, e peguei meu roupão branco, indo pro banheiro.
Diante do armário, peguei todos os produtos que consegui encontrar, na esperança de disfarçar as marcas de agressão no meu rosto. Fiquei em frente ao espelho, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e apliquei os produtos com toques suaves, como se estivesse fazendo uma massagem. O aroma dos cremes eram doces e frescos. E então depois de alguns minutos, tirei minha roupa, ficando completamente nua.
Meu corpo era um misto de magreza e muitas curvas, e eu não me importava muito com a aparência. Me arrumava mais por obrigação do que por gostar.
Dito isso, liguei a torneira e deixei a água morna encher a banheira, um convite ao relaxamento. Entrei e a água quente envolveu meu corpo, fazendo com que toda a tensão do dia se dissipasse. Lavei meu cabelo, deixando a água escorregar entre os fios enquanto seguia com meu banho normalmente, aproveitando um dos poucos momentos de tranquilidade que eu tinha.
E depois que terminei, vesti meu roupão e saí da suíte. Sequei meu cabelo com uma toalha e depois com o secador, transformando-o naquele liso escorrido que eu tanto gostava. Prendi a franja atrás das orelhas e passei um sérum no rosto, seguido de blush, rímel e um pouco de brilho labial. Embora o rímel tivesse irritado meus olhos, mas eu tentei ignorar.
Fui até meu guarda-roupa. O que eu ia usar? Normalmente, pegava a primeira roupa que via, mas hoje pensei em algo diferente. Peguei um vestido branco rendado, levemente rodado e bem bonito. A última vez que o usei foi em uma reunião de negócios do meu pai, o vesti e ele se ajustou perfeitamente ao meu corpo. Coloquei um tênis all star branco e fiz um laço nos cadarços, sentindo que a combinação estava perfeita.
De pé em frente ao espelho, percebi que a maquiagem escondia apenas um pouco das marcas. Mas tudo bem; Ethan já tinha visto, então não era um grande problema.
Voltei ao guarda-roupa e peguei uma blusa de frio branca com bolinhas pretas. Vesti porque estava frio e, mais importante, para esconder os cortes que fiz esta manhã antes da aula. Evitar brigas com Ethan se tornou uma prioridade.
Puxei as mangas da blusa, tentando cobrir as marcas, e caminhei pelos corredores vazios da minha casa. O eco dos meus passos se misturava ao som do vento lá fora, que soprava suavemente, trazendo um ar de expectativa. Assim, me dirigi ao frio da noite neblinosa, aguardando meu amigo.

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