Capítulo trinta e oito: Diga que é minha.

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O quarto estava imerso em uma penumbra densa, a luz amarelada de uma única lâmpada pendurada no teto lançando sombras irregulares nas paredes de concreto

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O quarto estava imerso em uma penumbra densa, a luz amarelada de uma única lâmpada pendurada no teto lançando sombras irregulares nas paredes de concreto. O ar era pesado, carregado com o cheiro de umidade, sangue seco e o leve toque do meu whisky, que ainda pairava no copo vazio ao lado da cama. Claire estava ali, deitada na minha cama grande e macia, os lençóis amarrotados sob seu corpo frágil. Ela parecia pequena, quase engolida pelo tecido escuro, o cabelo loiro e lindo espalhado pelos travesseiros... Seus pulsos estavam livres agora, mas ela não se movia, como se o peso de tudo a mantivesse pregada ali. Seus olhos, opacos e vidrados, quase sem vida e de um cadáver, me encaravam por inteiro.
Ela era delicada, feita de vidro fino, e eu podia ver cada rachadura na sua alma enquanto meu nome, Rafael Wil, ecoava em sua mente.
- Mas agora que você sabe, Claire, é melhor começar a falar.
rosnei, minha voz cortante, rasgando o silêncio do quarto. Meus olhos estavam fixos nos dela, devorando cada traço de vulnerabilidade. Eu estava de pé a frente dela na cama, tão perto que podia sentir o calor fraco do corpo dela, o tremor sutil que a percorria. O cheiro metálico do sangue dela ainda pairava, misturado ao perfume doce e quase apagado que se agarrava à sua pele, puta merda, que garota cheirosa.
Mas enfim, indo ao que interessa, eu continuei a intimidando, mesmo sem ela sequer levantar da cama.
- Eu te falei a porra do meu nome, e agora, meu bem, tudo o que eu quiser saber sobre você, seja sobre sua família, seus amigos, lugares que você frequenta, cada pedaço da sua vida, você vai contar, e não me faça arrancar isso de você à força, porquê você não vai gostar do jeito que vou fazer isso.
Ela engoliu em seco, o som audível no silêncio. Seus lábios tremiam, e as lágrimas já começavam a se formar, brilhando nos cantos dos olhos. Claire era um espetáculo de fragilidade, e eu podia sentir o poder que isso me dava, como uma corrente elétrica correndo pelas minhas veias.
- P-por favor, Não ... Eles não...
ela sussurrou, a voz tão fraca que parecia se desfazer no ar, trêmula como se pudesse se estilhaçar a qualquer momento.
-Não f-faça isso...
Inclinei a cabeça, a estudando. O rosto pálido, manchado de lágrimas, era uma tela de desespero. Meus olhos, que já tinham visto tanto sangue, tanta dor, tantas vidas se esvaindo, a dissecavam sem piedade. Sorri, um sorriso lento e cruel que fez o corpo dela se encolher ainda mais contra o colchão.
Uh... Então essa é a fraqueza dela.
A família, os amigos, qualquer outra pessoa que não seja ela...
Porra, isso. Era isso que eu queria saber.
Cacete...
- Não fazer o quê, Claire?
perguntei, minha voz baixa, carregada de veneno. Me proximei dela e deslizei a mão pelo lençol, os dedos roçando de leve o braço dela, sentindo a pele macia e quente sob meu toque. O pulso dela disparou, e eu podia sentir cada batida frenética.
- Acha que implorar vai tirar eles disso? Acha que suas lágrimas vão me convencer?
Minha mão subiu até o pescoço dela, os dedos traçando a linha delicada do mesmo.
- Quero descobrir tudo sobre você, putinha, e se você não me contar tudo ou mentir em algo, você já sabe. vou atrás deles. Um por um. e vou fazer com que eles desejem nunca ter te conhecido.
Os olhos dela se arregalaram, agora, o medo que antes era inexistente, brilhando como uma chama. As lágrimas escorreram, traçando linhas brilhantes pelo rosto, e ela tentou se encolher ainda mais, como se pudesse desaparecer no colchão. Mas agora ela estava fodida.

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