Capítulo cento e oitenta e dois: Uma conversa normal

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EU ME ODEIO!Como pude? Como pude deixar ele me tocar depois de tudo que ele me fez ontem?Eu agora já sei que ele não me ama, e só quer me ferir

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EU ME ODEIO!
Como pude? Como pude deixar ele me tocar depois de tudo que ele me fez ontem?
Eu agora já sei que ele não me ama, e só quer me ferir.
Sei que não consigo deixá-lo porque infelizmente o amo, mas eu não queria as mãos dele em mim, não hoje.
As mesmas mãos que me enforcam, me machucam e me incentivam a me cortar.
PORQUÊ ISSO É TÃO DIFÍCIL?
Sinto que estou enlouquecendo! Fiz tantas coisas horríveis, tantas coisas nojentas e desprezíveis... tudo em nome dele.
Eu queria fugir disso, queria simplesmente nunca mais vê-lo, mas por mais que eu deseje, eu não consigo.
Meu coração ainda bate por ele, minha mente implora o calor de seu corpo, e minha alma grita seu nome.
O único homem que consegui desenvolver sentimentos, por quem me apaixonei.
Rafael Blacktide, eu te amo e te odeio tanto...
Eu não deveria ter deixado ele me tocar naquela hora, já que ele havia me machucado terrivelmente na noite anterior.
Ele acabou comigo!
Droga, droga!
Mas é impossível fugir de suas mãos, quando ele me tocou... Eu senti tanto prazer que não me segurei e gozei em sua língua, e a mesma me adentrou como se eu fosse um pote cheio de mel e tão doce quanto.
Como vou escapar disso??
Uma lágrima caiu de meus olhos enquanto eu os fechava por alguns minutos, tentando excluir todos esses pensamentos de minha mente, tentando não olhá-lo, tentando evitá-lo.
E se eu não tivesse saído na rua  naquela noite em que nos conhecemos? Seria tudo diferente?
E se eu me arriscasse a entregá-lo pra polícia naquela mesma noite?
Eu ainda teria paz?
Às vezes minha mente cogita em fazer isso quando ele me machuca, mas também me lembro que não sou diferente dele.
Também sou uma assassina.
Porém confirmo que ficar em um presídio é bem melhor que estar nas mãos dele.
Com toda certeza, melhor.
- Não sei bem oque você gosta de comer no café da manhã, mas aqui tem tudo, garanto. É um café de frente pro mar, venho aqui sempre.
Disse ele, sua voz grave e cada vez mais próxima me tirando do turbilhão de pensamentos no qual eu estava imergida.
Droga, eu não queria olhá-lo.
Eu só queria que ele desaparecesse...
Evitei chorar novamente, e abri devagar os olhos, acordando pra realidade.
Olhei ao meu redor. O carro estava vazio.
Rafael já estava fora dele, e abriu a porta ao meu lado, pra que eu pudesse descer.
Ele esticou sua mão pra mim, pra que eu segurasse a mesma.
Mas eu o ignorei e levantei sozinha, passando por ele, que claro, logo veio atrás de mim.
- Parece que alguém aqui está estressadinha hoje.
Pude ouví -lo rir de forma sarcástica, se aproximando de mim e levando uma mão para segurar a minha.
Seus dedos grandes entrelaçaram os meus, me impedindo de soltá-lo.
E naquele momento, sua fala cheia de sarcasmo me deixou com ainda mais repulsa dele.
- Você é horrível, Rafael. Você pode ser lindo por fora, mas é podre por dentro. Eu odeio seu sarcasmo, odeio suas mentiras, odeio... odeio v-você...
Sussurrei baixo, com o coração em pedaços, sentindo meu globo ocular esquentar pronto pra soltar mais um rio de lágrimas.
- Uhm... Você espera que eu acredite nisso? Eu sei que você é louca por mim, docinho.
Ele disse dando uma risada baixa e grave, me puxando devagar para uma mesa mais afastada no andar de baixo, ao ar livre, ao lado do pequeno  cercado de madeira sofisticada que dava vista para o mar.
O olhei com ainda mais repulsa, junto à ódio e mágoa, louca... por ele.
Infelizmente eu sou, mas eu queria não ser.
Eu estraguei minha sanidade por um homem que nem mesmo vale a pena.
Um homem que me machuca e me tortura, em vários sentidos.
Seja sexual, físico ou psicológico.
Ele sempre está acabando comigo.
- Sim, eu sou. Mas eu queria não ser...
Falei firmemente olhando de relance pra ele, sua expressão sarcástica agora era autoritária e seu olhar era penetrante e doloroso.
Ele então puxou a cadeira pra que eu pudesse me sentar, e quando o fiz ele se encostou atrás de mim, colocando suas duas mãos sobre a mesa e sussurrou em tom de ameaça em meu ouvido.
- Você sabe oque esse mau comportamento vai te causar mais tarde... não é?
Então, dei uma risada fria e isenta de quaisquer emoções naquele momento, e o respondi.
- Vá em frente, faça oque quiser. Estou tão farta que já nem sinto mais medo de você.
Sim, era verdade.
Ele me fez matar, torturar, e pior...
Me forçou a comer carne humana! Oque pode ser pior que isso?
Naquele momento pude ouvir sua respiração pesada e irritada em meu ouvido, e ele saiu de trás de mim, se sentando na cadeira à minha frente.
Ele me olhou com um olhar matador que me arrepiou por inteira, por mais que eu estivesse tentando não demonstrar medo.
Então ele pegou seu celular, e começou a digitar algo nele.
O olhei sem entender, e então ele colocou seu celular de volta no bolso de seu sobretudo, e me olhou com um sorriso sarcástico e diabólico.
Então, me assustei quando ouvi meu celular vibrar.
Será que ele havia...
Não, isso não é possível, ele não tem meu número, ele nem sequer sabe a senha do meu celular...
Engoli em seco e peguei o mesmo do bolso fino de minha saia branca, e o desbloqueei.
Havia uma nova mensagem no Whatsapp.
Minhas mãos tremiam enquanto eu entrava no aplicativo, e eu suava frio.
Não, não pode ser...

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