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As botas estavam imóveis. Alguns estavam agachados, outros em pé. Mas todos estavam em silêncio por sobre a copa da árvore. Gallyty e Coldy a frente do grupo. Hantter estava mais afastado e do seu lado, a novata, Ariela, nervosa, com medo.

"Ei" – disse Hantter. "Está tudo bem" – tranquilizou-a. "É só fazer igual aos treinos"

"Certo" – disse Ariela com os olhos para baixo.

Barulhos ecoaram no horizonte por baixo das árvores atrás deles.

"Prontos?" – questionou Coldy.

O grupo fez que sim com a cabeça.

"Já sabem o que fazer" – concluiu o Rebelde.

O barulho aproximou-se ainda mais.

"Qual a primeira regra da caça?" – indagou Gallyty em um galho acima.

"Separar a presa do bando!" – falaram todos em uma só voz.

As folhagens balançaram abaixo deles, e seguiram adiante em grande velocidade. Uma manada de Passo-longo.

"CAÇAR, CAPTURAR..." – falou Gallyty num tom motivacional.

"REPETIR!" – gritaram todos.

"CAÇAR, CAPTURAR..." – exclamou Coldy novamente a frase.

"REPETIR!" – gritaram mais uma vez.

"A PRESA!" – falou Gallyty.

"É MINHA!" – gritaram.

"A PRESA!" – o Rebelde repetiu.

"É MINHA!" – gritaram outra vez.

"CAÇADORES!" – Gallyty e Coldy falaram juntos.

"MORTE LIMPA!" – todos gritaram em uma só voz. E voaram pelos cipós atrás da manada de Passo-longo.

Cipós para frente. Cipós para trás. Corpos subindo e descendo. Pulavam de um cipó para o outro entre as árvores.

Laie, a Sombra, apareceu para ver.

"Acham que conseguem?" – ela questionou.

"Claro que conseguem" – respondeu Coldy. "Eu os treinei"

"Com os meus ensinamentos" – completou Gallyty.

Laie olhou para Coldy. Ele olhou para a Gallyty e a Caçadora sorriu.

~~

Eles voavam sobre os Passo-longo e já começavam a focar nos seus escolhidos. Saltavam e caiam por sobre as aves, diretamente na cabeça; travando o bico e torcendo o pescoço.

Ariela saltou de um cipó e foi para o outro, depois outro, e outro.

"Não deve ser tão difícil" – sussurrou. "Morte limpa. Sem sofrimento"

Saltou. Abriu os braços para capturar sua presa. Mas quando aproximou-se para pega-lo, ele mudou abruptamente de direção, e ela foi inteira para o chão. Capotou cinco vezes sobre as folhas e raízes. Gemeu de dor. Levantou com dificuldades e continuou na perseguição. Mas conforme dava seus passos, mais longe eles ficavam. Então, não houve mais som, e nem uma presa para caçar.

Colocou as mãos nos joelhos. Estava cansada. Mais muito mais do que isso, estava decepcionada por não ter conseguido.

No caminho de volta para a Vila-Suspensa, Hantter aproximou-se dela por sobre os galhos.

"Está tudo bem?" – questionou com um Passo-longo por sobre os ombros, depois de ver os arranhões nos braços dela.

"Relaxa" – ela disse. "Está tudo bem" – tranquilizou.

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