Após ligar o carro e acionar os vidros, o policial se aproximou falando:
— Fazendo o que aqui uma hora dessas, cidadão?
O filho-da-puta sabia exatamente o que estávamos fazendo, eu quis jogar na sua cara, mas me contive. O domingo só tinha me dado dor de cabeça, então resolvi terminar o dia da maneira mais tranquila.
— Tava com a minha namorada aqui, policial — falei relanceando Bruna que estava tão branca quanto a farinha. Aquele pensamento me fez rir.
— Atentado ao pudor, rapaz — me repreendeu como meu pai faria. O policial tinha aquelas rugas nos olhos de quem sempre está sorrindo. Aquilo me trouxe uma boa sensação.
— Desculpa... a gente vai sair...
Foi então que algo chamou a atenção dele, fazendo ele se encurvar pra perto de mim.
— O que é isso na sua barba?
Rapidamente passei a mão em cima da boca e um resto de farinha se afixou nos meus dedos.
Caralho.
— Desce do carro — exclamou ele, irritado. As rugas de riso tinham morrido.
Suspirando, abri a porta e me afastei, parando perto do banquinho do lado de fora do campo.
— Os documentos do carro — outro policial exigiu.
— No quebra sol — respondi, levando minhas mãos as costas.
— E a habilitação?
Entreguei a ele minha carteira com tudo. O policial se afastou rumo a viatura, enquanto o outro abriu as portas traseiras. Bruna encostou ao meu lado, nervosa, mas não abriu a boca. Era melhor assim.
Como eu esperava, não demorou muito e ele achou o pino que eu deixei cair. Pensei também que ele perderia ainda mais tempo tentando revistar o resto do carro, mas ao achar o pino, cessou a revista vindo na minha direção com um sorrisinho safado, o que me esclareceu que tipo de vermes eram aqueles.
Menos mal, pensei comigo.
— A gente tem que conversar — ele falou pra mim, erguendo as sobrancelhas.
— Não quer meu RG? — perguntou Bruna inocentemente.
O policial crispou a testa, olhando pra ela como se fosse uma curiosa que se aproximou do nada.
— Vamo' lá então — falei.
— Documento do carro tá tudo certinho. Habilitação em dia — nos contou o outro PM que estava verificando meus documentos com uma expressão frustrada no rosto. — Nem passagem ele tem.
O da revista me olhou de cima a baixo, sem acreditar.
— Olhou isso aí direito?
— Quer ver? — disse o PM abrindo espaço. — Ele tem cara de tranqueira mesmo, mas esse carro... isso aí é demais pra bandido. A não ser que ele seja do Comando.
Eu ri alto com eles falando como se eu não estivesse ali.
— Você é do Comando? — perguntou o policial da revista.
— Não sei. A polícia é vocês, caralho.
Ainda me medindo de cima a baixo, o policial da revista ficou assentindo lentamente que nem um retardado, como se não soubesse o que dizer. E pra ser sincero, o cuzão realmente não sabia o que dizer. Ele quer que eu diga, então? Que seja...
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Declínio
Mystery / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
