Capítulo Onze

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Estou viciado em você

Me fazendo tomar decisões ruins

Two Door Cinema Club – Bad Decisions


O mais discretamente possível eu me afastei um pouco dele e rápidão, eu tirei a toalha dos ombros e a passei em volta da cintura, cobrindo o volume, sem saber que desculpa dar àquilo.

Caralho, mano, acho que a ficha não tinha caído.

Eu tava ali, no meio de um vestiário entupido de macho; a maioria deles praticamente sem roupa, de pau duro. É, porra. De pau duro.

E de pau duro — muito certamente — por causa do rabo daquele moleque. De outro cara. De novo, mano. De novo.

Eu deveria ficar irritado comigo mesmo, frustrado, sei lá... inconformado com aquela merda, mas não. Eu meio que achava graça naquilo tudo. Até rir baixinho, eu ri.

Desajeitado, Gabriel se sentou no banco, alisando os dedos com aquela careta de dor.

Isso. O esquema é se sentar.

Ao lado dele, eu me sentei, ajeitando disfarçadamente a rola sob a toalha.

— Deixa eu ver como ficou — tentando mudar o foco (mas mudar por que, porra? Ninguém nem reparou nisso. Eu nem tinha cheirado, mas já tava ficando meio noiado, segundo parecia), eu foquei no pé dele. Filho-da-puta, até o pé dele era bonitinho.

— Não. Nem machucou — ele disse, virando o pé. — Só doeu mesmo.

— Dá pra andar de boa?

— Dá sim.

Opa... e agora?

Se levantando, ele ensaiou dois passos e pareceu satisfeito.

— Tá passando já — comentou com um sorriso tímido. Ele me olhou e, por um momento, toda a tranquilidade que ele mostrou até ali escorreu pra algum lugar. Atrapalhado e evitando de me olhar (porque talvez eu estivesse meio zoado), ele falou: — eu posso ir com você lá... sabe, ir... ir ver se tem algum lugar que vende protetor solar. Se você quiser...

Que merda.

Eu sempre fui o filho-da-puta que se orgulhava de ter uma rola grande. Nem me incomodaria nada em fazer com que aquele bando de cuzão que tavam no vestiário com a gente notassem que o armamento aqui era pesado. Mas, porra, daquela vez não... eu sabia, tinha plena certeza, que se eu levantasse, o bagulho iria ficar evidente demais, mesmo com a toalha. A bermuda tinha um tecido muito leve e embora a cueca fosse apertada, quando o otário aqui resolveu se sentar, eu meio que "ajeitei" o pau pra que ele ficasse mais à vontade. Não ia dar certo... e era fora de questão ajeitar a rola de novo com ele ali em pé me olhando.

— Eu vou ver um bagulho ali e depois vejo essa fita do protetor — menti. — Vai lá aproveitar o parque.

Ele pareceu meio triste, mas apenas assentiu com a cabeça e se foi sem abrir a boca. Acho que era bom ele ser esse tipo de pessoa prática. Acho, né?

Sem ele ali, me senti plenamente a vontade pra me levantar com a pica estralando contra a bermuda, enfiar a mão lá dentro e ajeitá-la. Tinha aquele ligeiro volume, mas que era normal por causa do velcro da bermuda, então eu aguardei um pouco mais no vestiário pra não ter de trombar com ele de novo do lado de fora e saí.

Cara, o sol me pegou de surpresa. Devia já estar beirando os trinta graus e mal era dez horas da manhã, e estávamos em maio, com o inverno já batendo a porta. Parecia que todo mundo esperava por aquele calor, já que o bagulho estava lotado pra caralho.

DeclínioOnde histórias criam vida. Descubra agora