Capítulo Cento e Sessenta

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  Ele ficou me encarando, me analisando... mas não era com um olhar ruim, era um olhar leve, de certa forma.

  Até que ele decidiu falar:

  — Eu não vou dar pra você em cima de uma dessas mesas, Alexandre.

  Eu ri.

  Uma risada gostosa como há muito eu não tinha.

  — E o que eu não faria pra conseguir te comer mais uma vez, moleque — comentei. — Ah, você não faz nem ideia.

  Ele colocou as mãos na cintura, abaixou a cabeça e riu.

  — Ai, Alexandre, você não vai mudar nunca, viu.

  — Foi você que começou a brincadeira — o lembrei, erguendo as mãos.

  — É... — ele entoou, um sorriso distante no rosto. — Mas falando sério, eu acho que seria melhor mesmo que eu tratasse isso da demissão só com a Cláudia.

  Cocei a cabeça, sem graça.

  — É que ficaria feio, moleque, eu chamar ela de volta logo depois que eu falei pra ela que iria resolver esse assunto sozinho — expliquei.

  Ele riu como se quisesse dizer: "você não tem jeito, cara". E não tinha jeito mesmo, mano. Aquele moleque tinha aprendido a me ler como ninguém.

  — Não, tá certo... eu não vou meter o louco e dizer pra você que eu não tô me aproveitando da situação — confessei, sorrindo sem graça. — E da última vez que a gente conversou, eu até reconheci que não era certo nem justo que eu ficasse te botando nessas situações, te forçando a querer voltar comigo, mas... eu juro por Deus que não é isso o que eu tô fazendo aqui.

  — E o que é, então?

  — Eu sinto sua falta, Gabriel — falei. — E eu tô ligado que eu sempre vou sentir, mas eu realmente decidi que iria te respeitar, te dar tempo, te dar espaço e não ficar te parasitando por aí feito uma mosca... eu tenho noção que depois de tudo que aconteceu, é chato o que eu tava fazendo, mas... eu só queria ficar perto de você um pouco, e não foi como das outras vezes que eu fui atrás de você... a gente acabou se encontrando aqui e eu só queria ficar perto sem forçar a barra pro teu lado — beleza, havia sido meio hipócrita essa última parte, mas dentro de mim, eu não senti como se tivesse sujeitando o moleque a uma situação ruim; eu tava de boa, sem ficar buzinando no ouvido dele.

  — Tá... então, a dúvida que me bateu de que, talvez, mas só talvez mesmo você tenha armado esse encontro entre a gente com a Maira, foi só besteira da minha cabeça?

  Porra...

  — Quê isso, moleque. Eu...

  — Não, melhor a gente não ficar queimando a cabeça pensando nisso, que não vamos chegar a lugar nenhum — ele me interrompeu. — Eu não quero ficar brigando com você, Alexandre.

  Apenas assenti, sentindo uma vergonha da porra me queimar a garganta.

  — Então, você não vai me impedir de ir embora da Vargo?

  — Não. Mas eu não queria que você fosse também.

  — Mas eu nem trabalho aqui, Alexandre.

  — Então, o salário vai...

  — Eu tinha dito pra você que cancelaria as contas e eu já fiz isso. Não tem mais como você continuar depositando dinheiro pra mim. Ou... o banco ainda tá aceitando as transferências?

  Não, mas pra sua tia ainda tá, fiquei por dizer.

  — Você não precisava ser tão irredutível assim, moleque.

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⏰ Última atualização: Jan 25 ⏰

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