Capítulo Vinte e Dois

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Eu estou cego pelas luzes

The Weeknd – Blinding Lights


— Nossa, o que foi que aconteceu? Ele saiu tão desesperado, coitado — falou Paola, com aquela expressão que costumamos ter quando queremos muito ajudar alguém e não sabemos como. — Será que o pai dele tá bem?

— Não sei — disse Maira, ocupando a boca com refrigerante.

— Pra ele ter saído assim deve ter acontecido alguma coisa séria com o pai dele — Paola comentou.

— Se tratando do pai dele, nunca se sabe — Maira arqueou as sobrancelhas, meio tensa.

Eu...

Fiquei meio fora de órbita com aquilo.

Porra... eu não me sentia bem quando ficava sem reação.

— Pelo jeito, ele também não vai pra faculdade — prosseguiu Maira. — Acho que não vou também. Melhor ir pra casa...

Paola trocou um olhar rápido com ela.

Mas nem me liguei com aquilo.

Ainda estava processando.

— Mas eu não vou desperdiçar minha noite, meu amor — disse Maira para Paola, enquanto pegava o celular. — O Caique tá com o carro do pai dele. Vou pedir pra ele vir me buscar aqui.

— Você quer que eu espere ele chegar...?

Maira lançou um olhar rápido para ela e disse:

— Precisa não. Pode ir.

— Tá bom, então, amiga — disse Paola já se levantando. — Eu vou falando com você pelo What's.

— Espero mesmo, viu.

— Podemos ir, então, agora Alexandre? — ela chamou minha atenção, ajeitando o cabelo. — Ou você prefere ficar mais um pouco?

— Opa... — tentei refazer minha postura. Espero que tenha dado certo. — Vamo' lá que eu te levo na sua casa.

— Tchau, amiga — deu um beijo no rosto de Maira e foi rumando até a saída.

— Até amanhã, Maira — falei.

— Até.

Fui pego de surpresa.

Lá fora, nem sinal do Gabriel. Não sei por onde nem como ele saiu dali, mas simplesmente tinha evaporado.

Assim que entramos no carro, Paola me contou aonde morava e fez questão de ir me orientando sobre o caminho enquanto seguíamos. O que não era necessário, já que eu conhecia bem o lugar, mas acho que eu tava tão aéreo que nem me dei ao trabalho de questioná-la sobre isso e fui seguindo pelo caminho informado por ela... mesmo eu tendo percebido depressa que era um caminho mais longo.

Ela foi me contando sobre a faculdade, a família, mas passou a maior parte do tempo querendo saber sobre a minha vida. Por mais que eu tentasse, não consegui dar nenhuma resposta muito elaborada como tinha feito lá no bar e passei todo o tempo da viagem remoendo o que tinha acontecido pouco antes de sairmos.

Eu precisava mesmo refletir de verdade sobre aquilo.

Listar detalhe por detalhe...

Para que não sobrasse dúvidas.

Eu tinha dado em cima da Paola...

Tinha dado porque ela era gostosa pra caralho. Chamou minha atenção assim que bati o olho nela e nessa curta conversa, o jeito de falar e de agir dela me ganhou também.

DeclínioOnde histórias criam vida. Descubra agora