Quando você acordou essa manhã, tudo o que você tinha se foi
Alabama 3 – Woke Up This Morning
Que beijo da porra, mano...
Em condições normais, depois de tudo o que passamos, eu deveria ficar meio pá de tá com o pau ali estralando contra a bermuda, igual tinha sido no dia do parque aquático, mas eu acho que já nem queria saber disso, pô.
Assim que dei um tempo pra retomar o fôlego, o moleque ficou me olhando — eu não soube dizer se ele tava apenas surpreso ou assustado pelo jeito que me olhava — só sei que eu tava sorrindo.
Irmão, como eu quis tanto aquilo.
— Você me beijou? — ele perguntou, ainda meio deitado sobre o capô do Golf.
— Beijei, moleque — respondi, querendo rir. Que sensação boa da porra. — Beijei.
— E você quer... e você tem certeza que você tá... bem mesmo?
Ali eu ri alto.
E reparei que ele tava olhando pra minha bermuda.
Ao que parecia, minha cueca tinha perdido a força e ao invés de sentir vergonha da situação — que devia tá engraçada pra caralho: eu ali, de pé, o pau apontando feito uma bandeira —, eu me senti bem, mano. Bem demais. Acho que, pela primeira vez, desde que eu conheci aquele moleque e minha cabeça ficou nessa noia de querer; não querer; ir; voltar, ir; voltar de novo e por aí vai, eu me senti bem com a ideia de sentir tesão nele.
O Alexandre convencional teria jogado mais uma ideia no ouvido dele e convencido ele a, no mínimo, me dar uma mamada ali no carro.
Mas, porra...
E se o moleque me levasse a mal e saísse fora?
Eu não ia aguentar.
— Alexandre? — ele me chamou, descendo do capô. — Você tá bem mesmo?
— Caralho, moleque — exclamei, passando minhas mãos sobre a cabeça, quase derrubei meu boné. Dei risada de novo. — Eu te beijei, porra. Nem acredito nisso... eu te beijei mesmo.
— Me desculpa, Alexandre. Eu não quis...
— Você não quis? — me desesperei. — Mas eu... mas eu queria tanto isso. Me desculpa se eu forcei a barra, é que eu não tava aguentando, moleque. Eu precisava te beijar. Eu queria te... porra... eu sou meio loucão da cabeça, moleque, mas... não, de boa, de boa... nunca que eu iria te zoar. Você não, moleque. Mas nem fodendo. Você nem faz ideia do respeito que eu tenho por você.
Ele não sabia se assentia ou se apenas ficava parado.
Um carro passou pela curva e quase me fez me sentir sóbrio de novo.
Me virei porque, daquela vez, me bateu uma vergonha da porra e achei que pudesse falar mais merda se eu encarasse o moleque e tentei, em vão, botar minha atenção na quebrada que se estendia lá pra baixo.
São Paulo parecia não ter fim ali de cima.
O Pivete me pediu pra não zoar ele, me lembrei, sei lá por quê.
— Você não quer voltar pro funk? — o moleque me perguntou.
— Queria não, moleque — falei, mais pra mim mesmo do que pra ele. — Eu queria mesmo era ficar mais tempo com você. Mas eu já fiz merda demais pra uma noite, não é?
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Declínio
Mystery / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
