Capítulo Cinquenta e Um

2.1K 183 121
                                        

Apertando os olhos, meu irmão nos olhou como se tivesse diante de uma das suas tantas noias de droga.

O Gabriel, por outro lado, ficou sem cor, olhando apavorado pra ele.

Puta que pariu... parecia que sempre que me aparecia um problema, ele esgoelava chamando outros.

— Entra no carro — falei pro Gabriel.

— Tá... — ele assentiu, atrapalhado, e foi dando a volta.

Destravei as portas com a chave e fui indo na direção do meu irmão que abriu os braços, vindo até mim com um sorriso estranho.

— E aê, Alexandre...

— Sai fora — apontei o dedo pra frente, sem querer nem ouvir o que ele tinha pra me dizer.

— Calma, caralho — ele pediu, parando no meio do caminho. — Não vai me apresentar seu amigo não?

— Você não me escutou, caralho? Sai fora.

— Fica tranquilo, meu. Eu só quero conhecer o moleque aí...

— Rodrigo... eu falei pro pai que não ia mais resolver conversa com você na mão como eu sempre faço e eu quero cumprir essa promessa, então, por isso, você vai dar meia volta e sair fora, porra.

— Pra quê tudo isso, cara? — ele se aproximou mais um passo. — Eu não posso trocar uma ideia com ele não?

— Tá surdo, porra?! Você não acabou de me ouvir falar que eu não quero resolver meus problemas com você na mão?! Porque se você for falar merda pro moleque, por menor que seja, eu te arrebento aqui no meio da rua.

Um sorriso estranho tomou conta da boca dele e ele ficou consentindo com a cabeça, como se tentasse, em vão, conter a vontade que tinha de sorrir. Deu meia volta, olhou pra cima, olhou pra baixo e não se aguentou, com uma risada falha escapando da boca.

— Vai me arrebentar por causa dele... — ele entoou, sem olhar pra mim. Quando finalmente resolveu me encarar, o arrombado explodiu: — Você tá ficando louco, seu filho-da-puta?! Você é o meu irmão, caralho! Que desgraça é essa que você tá usando pra tá fazendo uma porra dessas no meio da rua... e que caralho de meio da rua, podia ser onde for. Você se esqueceu de quem você é, desgraçado?! — voltando a atenção pro Gabriel que eu percebi estar assistindo a toda a confusão do banco do passageiro com uma expressão de puro assombro, Rodrigo prosseguiu: — O que foi que esse viado do caralho te fez pra você se prestar...

Três passos rápidos e cheguei até ele, virando aquele murro bem dado na boca.

Caindo de costas no asfalto, ele passou a mão nos lábios que já brilhavam do sangue.

— Chama o moleque disso de novo pra você ver — instei, parando diante dele. Eu me sentia estranhamente centrado, embora que a raiva fervesse dentro de mim. — Abre a boca aí pra falar alguma merda de novo, pra você ver se eu não sento o pé na sua cara até você virar gente.

— Virar gente...? — ele falou, enquanto se levantava. — Eu te pego aqui na rua se agarrando com uma bicha e você tem a cara de pau de falar que eu preciso virar gente?! Depois dessa merda aqui, você não é mais nada, caralho! Depois dessa bicha aí, você...

E ali eu perdi as estribeiras.

Sentei o braço na cara dele e na primeira porrada, o desgraçado já foi ao chão. Me abaixei sobre ele de uma vez só e fui descendo minhas mãos contra a cara dele, enquanto ele tentava se defender, em vão. Sempre querendo pagar de bonzão, o noia, mas nunca soube brigar e ainda queria pôr em dúvida ali sobre quem era irmão de quem.

DeclínioOnde histórias criam vida. Descubra agora