Capítulo Cento e Trinta

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— Como é que você tá, meu amor? — perguntei, sorrindo.

Ele, no entanto, a cara fechada que só a porra.

— O que você tá fazendo aqui, Alexandre?

— Vim saber como você tá.

Ele riu, coçando embaixo do nariz, enquanto olhava pro outro lado da rua.

— Veio saber como eu tô... — debochou. — Fala logo o que você quer, Alexandre, mas sem enrolação, nem mentira, por favor.

— Não fala assim, meu amor, você...

— Para de me chamar assim — ele me cortou, o tom baixo, dando um passo na minha direção como se fosse me bater.

Me machucou?

Acho que eu nem precisava dizer.

— Eu me preocupo demais com você, moleque, você sabe disso. Eu não consigo pensar em mais nada que não em você... eu...

— O que? Aconteceu alguma coisa? — ele tornou a me interromper, impaciente. — Algum dos seus amigos tá tentando acabar com você e aí podem tentar se vingar através de mim? Não estamos mais juntos. Tenta usar isso pra ver se eles me esquecem.

Eu acho que não iria me acostumar com aquele Gabriel.

— Só me diz quem é que pode vir atrás de mim pra eu já ir me precavendo — ele prosseguiu, suspirando cansado. — Se eu não conheço, me mostra uma foto ou me diz, pelo menos, como é que ele é.

— Não tem ninguém atrás de você, meu amor...

— Eu já falei pra você parar de me chamar assim — ele sibilou.

— Me desculpa, eu... eu não consigo te ver... te chamar de outro jeito, eu... é mais forte que eu.

— Que tal me chamar pelo nome? Parece bem fácil. Ga-bri-el — ele recitou, dando mais um passo na minha direção. — Experimenta... um cara assim que nem você é esperto o bastante pra conseguir.

Suspirei, assentindo com a cabeça.

— Confia em mim. Não tem ninguém atrás de você... e mesmo se tivesse, pode ficar sossegado que eu jamais vou deixar alguém encostar a mão em você.

— Escuta aqui — ele exclamou. — Eu não quero nenhum dos seus amigos me seguindo por aí não, viu? O tempo de você me controlar feito uma marionete já acabou, bota isso na sua cabeça.

Eu queria tanto abraçar ele...

Queria tanto sentir a textura da pele dele sobre mim.

Poder apertá-lo e inspirar fundo o cheiro dele que eu tanto gostava.

Eu sentia dentro de mim, me atormentando, uma força maior que parecia que, a qualquer momento, passaria por cima de mim feito um trator e me faria ir pra cima dele, o agarrar bem forte, sem ligar pra mais nada.

Volta pra mim, minha vida, chegou na ponta da minha língua, mas me controlei.

— Tem mais alguma coisa pra me dizer, Alexandre? — ele instou, arqueando as sobrancelhas.

— Na verdade, eu... eu vim te trazer seu celular que você esqueceu — e o tirei do bolso, o estendendo pra ele.

— Eu não esqueci. Eu não quis trazer — ele corrigiu.

— Mas você não pode ficar sem seu celular, moleque.

— Esse celular não é meu.

— É claro que é.

DeclínioOnde histórias criam vida. Descubra agora