— Como é que você tá, meu amor? — perguntei, sorrindo.
Ele, no entanto, a cara fechada que só a porra.
— O que você tá fazendo aqui, Alexandre?
— Vim saber como você tá.
Ele riu, coçando embaixo do nariz, enquanto olhava pro outro lado da rua.
— Veio saber como eu tô... — debochou. — Fala logo o que você quer, Alexandre, mas sem enrolação, nem mentira, por favor.
— Não fala assim, meu amor, você...
— Para de me chamar assim — ele me cortou, o tom baixo, dando um passo na minha direção como se fosse me bater.
Me machucou?
Acho que eu nem precisava dizer.
— Eu me preocupo demais com você, moleque, você sabe disso. Eu não consigo pensar em mais nada que não em você... eu...
— O que? Aconteceu alguma coisa? — ele tornou a me interromper, impaciente. — Algum dos seus amigos tá tentando acabar com você e aí podem tentar se vingar através de mim? Não estamos mais juntos. Tenta usar isso pra ver se eles me esquecem.
Eu acho que não iria me acostumar com aquele Gabriel.
— Só me diz quem é que pode vir atrás de mim pra eu já ir me precavendo — ele prosseguiu, suspirando cansado. — Se eu não conheço, me mostra uma foto ou me diz, pelo menos, como é que ele é.
— Não tem ninguém atrás de você, meu amor...
— Eu já falei pra você parar de me chamar assim — ele sibilou.
— Me desculpa, eu... eu não consigo te ver... te chamar de outro jeito, eu... é mais forte que eu.
— Que tal me chamar pelo nome? Parece bem fácil. Ga-bri-el — ele recitou, dando mais um passo na minha direção. — Experimenta... um cara assim que nem você é esperto o bastante pra conseguir.
Suspirei, assentindo com a cabeça.
— Confia em mim. Não tem ninguém atrás de você... e mesmo se tivesse, pode ficar sossegado que eu jamais vou deixar alguém encostar a mão em você.
— Escuta aqui — ele exclamou. — Eu não quero nenhum dos seus amigos me seguindo por aí não, viu? O tempo de você me controlar feito uma marionete já acabou, bota isso na sua cabeça.
Eu queria tanto abraçar ele...
Queria tanto sentir a textura da pele dele sobre mim.
Poder apertá-lo e inspirar fundo o cheiro dele que eu tanto gostava.
Eu sentia dentro de mim, me atormentando, uma força maior que parecia que, a qualquer momento, passaria por cima de mim feito um trator e me faria ir pra cima dele, o agarrar bem forte, sem ligar pra mais nada.
Volta pra mim, minha vida, chegou na ponta da minha língua, mas me controlei.
— Tem mais alguma coisa pra me dizer, Alexandre? — ele instou, arqueando as sobrancelhas.
— Na verdade, eu... eu vim te trazer seu celular que você esqueceu — e o tirei do bolso, o estendendo pra ele.
— Eu não esqueci. Eu não quis trazer — ele corrigiu.
— Mas você não pode ficar sem seu celular, moleque.
— Esse celular não é meu.
— É claro que é.
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Declínio
Misteri / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
