— Você falou que ela ainda tá aí, mas pelo jeito, ela já deve ter ido embora porque a gente acabou de passar pela recepção e só tava a Rose lá — falei.
— Era isso que eu ia te perguntar... se você não tinha visto ela por lá — Maira comentou, colocando a ponta da caneta no queixo. — Então, eu só vou confirmar com a Rose, se essa senhora deixou algum recado ou falou que iria voltar depois.
— Tá.
Meio confuso, Gabriel se virou pra mim.
— Marilene não é a mãe do Robson? — ele questionou.
— Deve ser, porque a única pessoa que eu conheço com esse nome é ela mesmo.
— Mas ela não tava no hospital?
— Tava, mas já saiu. Parece que não era nada de grave.
— Ah, que bom, né?
— Então, Alexandre... — Maira entoou depois de desligar o telefone. — A Rose falou que ela ainda tá lá. Parece que ela foi no banheiro.
Não tive como conter a risada.
— Logo quando eu cheguei? — eu não conseguia acreditar. Pelo menos, não tinha ocorrido do Gabriel encontrá-la. Seria, no mínimo, complicado o Gabriel perguntando pra ela se ela estava bem depois de sair do hospital. — Mas fazer o que? Eu vou lá ver o que ela quer... e você, amor, fica aqui que a Maira vai te adiantando sobre como as coisas funcionam por aqui. Maira, eu vou botar ele pra trampar comigo e aí eu cuido de toda a parte burocrática, mas vai orientando ele sobre o básico.
— Tá bom.
— Já volto — apertando o passo, desci pelo elevador e encontrei a mãe do Robson sentada numa das cadeiras da recepção com uma expressão meio perdida no rosto.
Ela meio que despertou assim que me notou entrando.
— Dona Marilene, a senhora por aqui — tratei de botar meu melhor sorriso e abraçá-la. — Como é que a senhora tá?
— Estamos indo, meu menino, graças a Deus, e você, sua mãe, seu pai, tá tudo bem?
— Tudo sim, graças a Deus também. Eu acabei de chegar e fiquei sabendo que a senhora já tava aqui há um tempo, só que eu nem vi a senhora quando passei por aqui.
— Pois é, filho. Parece que foi coisa feita, viu. Eu só fui dar um pulinho no banheiro agora.
Pra manter o ritmo da conversa, me limitei a rir.
— Fiquei até preocupado de ver a senhora por aqui. Acho que a senhora nunca tinha vindo aqui antes, né? Aconteceu alguma coisa?
— Comigo tá tudo bem, filho. Minha preocupação agora é com o Robson.
— Por que? O que aconteceu?
— Ele sumiu — desabafou. — Claro que se tratando do Robson, até se pergunta porque eu tô preocupada, mas ele nunca sumiu desse jeito. Mesmo daquela vez que ele foi embora, ele me avisou que tava indo e tava sempre me ligando de lá, agora dessa vez, ele não falou nada. Simplesmente saiu cedo de manhã e não deu mais notícia desde então.
— Nossa, dona Marilene. E tem quanto tempo isso?
— Dois dias já.
— E a senhora não consegue falar com ele pelo celular?
— Não, filho. Já rodei o bairro inteiro e nada. Tô em tempo de ficar doida... por isso eu vim aqui. Tô indo na casa de todo mundo que conhece ele.
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Declínio
Misteri / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
