Capítulo Sessenta e Sete

2.5K 179 205
                                        

Bom, era nada, no fim das contas.

Suspirando, o alívio deu lugar a irritação num estalar de dedos.

— Que porra você tá fazendo escondida aí desse jeito, Cátia?! — exclamei, abaixando o vidro do carro. — Tá ficando louca, caralho?

— Nossa, calma — se fazendo de ofendida, ela olhou para os lados.

Tudo bem que era apenas a Cátia, mas consegui enfiar a peça no cós da calça sem que ela notasse e desci do carro.

— Tá fazendo o que aqui? — eu quis saber. — Aconteceu alguma coisa com o Ademir?

— Nada que você já não saiba — falou, seca.

— Então, o quê que você quer?

— Mas, calma, Alexandre. Não tem porque ser tão grosseiro comigo assim.

— Sem enrolação, Cátia. Que eu não tô com paciência, então, fala logo o que tiver pra falar.

— Eu... eu queria a sua ajuda.

— Pra quê?

— Ai, Alexandre, eu... eu não sei mais o que fazer, mas eu tenho quase certeza que o Ademir tá aprontando alguma pra cima de mim e... e você sabe. Eu sei que ele te conta tudo. É claro que você sabe o que tá acontecendo. E... você podia me ajudar. Depois daquele dia lá na sala dele, eu vi que você entende o meu lado, que você sabe que ele que é o errado nessa história. Então, me ajuda, por favor.

— Eu não tô entendendo, Cátia — meti o louco. — O que foi que ele fez? Ele quis te botar pra fora de novo?

— Ai, Alexandre. Você sabe do que eu tô falando. Ele pode tá armando alguma pra me deixar na pior. Se ele quiser embora, ele... eu vou ficar com as crianças e não é justo que eu saia prejudicada em tudo.

— Olha, Cátia, eu já falei mil vezes que eu não quero nem vou me meter nessa história de vocês dois aí. Eu sei que é tudo muito doloroso, que você deve tá se sentindo injustiçada, mas eu não tenho nada a ver com isso. Vocês que se casaram, vocês que tiveram esses filhos, vocês que dormiram juntos esses anos todos. Nisso aí, eu não tenho um dedo envolvido, então, por favor... me deixa fora disso. Eu não sou juiz pra ficar intercedendo entre vocês dois.

— Mas não... mas não precisa apenas interceder nesse sentido, Alexandre.

— Tá bom, Cátia. É melhor você ir que eu tô com a cabeça pesada hoje e eu quero relaxar um pouco.

— Eu posso te ajudar com isso.

— O que?

— Ele não tá se prestando ao ridículo com essa menina? Acho que já está mais que na hora de eu ter um homem de verdade também, Alexandre.

Era o que eu tava pensando mesmo?

— Sempre te achei um cara bonito e você já falou várias vezes como o Ademir tinha que ser agradecido por ter uma mulher como eu. Não pense que eu me esqueci disso.

— Cátia, você tá viajando — eu dei risada. Eu sei que não devia, mas eu não conseguia deixar de achar muita graça naquela loucura toda que os dois estavam entrando

— Então, por que você não viaja comigo também? — ela passou a mão pelo meu peito. — Sejamos sinceros, Alexandre. Não somos santos e a melhor coisa do mundo que poderia me acontecer agora seria dar pra você, logo o melhor amigo dele e eu acho até que ele gostaria disso. Você acredita que eu peguei no celular dele um vídeo pornô, desses amadores, com o cara vendo a mulher transando com o melhor amigo? Eu vou admitir, mas só aqui pra você, que eu até fiquei mexida com isso... eu estou, até agora.

DeclínioOnde histórias criam vida. Descubra agora