Eu te amo
Duke Dumont – Love Song
Último capítulo da segunda parte
— O que foi? Minha boca tá suja? — o moleque se sobressaltou, já pegando o guardanapo e passando ao redor da boca antes que eu falasse qualquer coisa.
— Não — falei, sem parar de olhá-lo.
— Então, por que tá me olhando assim?
— Porque você é lindo, moleque — esclareci, só esperando aquele sorrisinho que vinha sempre toda a vez que ele ficava com vergonha. Pra começar bem o dia, melhor do que aquele café-da-manhã que estávamos aproveitando, só o moleque mesmo.
— Para, grandão, você me deixa sem graça assim...
— Na boa, sem brincadeira, moleque... eu podia passar horas e horas só te admirando — falei, dando uma mordida na torrada, mas sem deixar de olhar pra ele que ficou coçando a testa, meio cabisbaixo, tentando não rir de nervoso, mas nunca conseguia. Eu mesmo me peguei rindo dele também, aquele jeito fofinho que nunca iria mudar; isso me trazia um conforto tão grande que eu tava ligado que ninguém, jamais, seria capaz de entender. — Você é tão bonito, mas tão bonito.
— Para com isso, eu fico com muita vergonha — ele insistiu.
— Aí que é melhor — provoquei. — Se você já fica tão bonitinho quando tá de boa, quando tá todo envergonhado assim, aí você me quebra. Eu não consigo prestar atenção em mais nada quando te vejo assim.
— Ai, Alexandre, só você mesmo... — ele falava aquilo, mas tinha na boca um sorriso que pedia mais. — Fala que gosta de mim, mas quer me ver passando vergonha em público.
— Só um pouquinho, vai — dei um gole no suco. — E pra te ver assim, vale a pena, meu moleque. Mas você nem devia esquentar a sua cabeça com isso, porque você fica lindo quando tá sem graça, 'cê não faz nem ideia. E pode ter certeza que vergonha você não passa, lindo do jeito que você é. Eu que tenho que engolir meu ciúme, porque, pra mim, só eu que devia poder te aproveitar, ver você ficar sem graça desse jeito. Só eu.
— É, e pode ter certeza você que você deve ser a única pessoa no mundo que me acha bonito assim.
— Eu não acho nada, moleque. Você é — sei lá, irmão, mas olhando pra ele daquele jeito, por alguma razão, minha barriga começou a gelar e me senti igual a primeira vez que eu o tinha beijado ele ou na primeira vez que ele dormiu em casa, eu metendo o louco pra cima dele pra dormir junto com ele. — Porra, meu bebezão... eu não tô aguentando te olhar assim e não te dar, pelo menos, um beijo. Deixa, vai? Só um beijo, rapidão. Mata a vontade do pai aqui, vai. Por favor.
Ele comprimiu os lábios, olhou de um lado pro outro e sorriu feito uma criança prestes a aprontar.
— Tá bom — falou bem baixinho, em tom de segredo. — Eu deixo.
Me arrastei pro lado dele e o beijei.
Um beijo — relativamente — rápido, como eu tinha prometido.
Só que não era o bastante.
Sujei a ponta do meu dedo com a cobertura do bolinho dele e depois sujei a ponta do seu nariz, só pra ter que limpá-la com um beijo.
— Para com isso, homem — ele riu, se afastando de mim. — Daqui a pouco, o povo bota a gente pra fora daqui.
— Quero ver botar — passei meu braço pelo ombro dele e o puxei pra mais perto. Ele tinha colocado no prato a mesma torrada que eu tava comendo, então, a levei até a boca dele e depois eu mesmo dei mais uma mordida, porque o bagulho tava bom. Ainda que fosse uma "torrada", a massa estava macia e o salmão defumado que tinham posto por cima do negócio tava de outro mundo. — O tanto de dinheiro que a gente dá aqui, eles tinham era que agradecer a gente se dispor a ficar à vontade desse jeito.
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Declínio
Misteri / Thriller"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em par...
